sábado, junho 16

* Vivemos num país poliglota...


Sempre nos surpreendemos com as diferenças do idioma falado nas várias regiões do Brasil, de norte a sul, leste a oeste, dos termos regionais especialíssimos, herdados de colônias estrangeiras responsáveis pela criação de muitas cidades por esses brasis. A língua falada no Brasil é discussão de especialistas e preocupação na unificação da língua portuguesa.

O tupi, primeiro idioma encontrado pelos portugueses no Brasil de 1500, ainda resiste no nosso vocabulário. Agora tem gente querendo vê-lo até nas escolas. Em pleno século XXI.
No auge de sua loucura, o ultranacionalista personagem de Triste Fim de Policarpo Quaresma, livro clássico de Lima Barreto (1881-1922), conclamava seus contemporâneos a abandonar a língua portuguesa em favor do tupi. Hoje, 83 anos depois da publicação da obra, o sonho da ficção surge na realidade. O novo Policarpo é um respeitado professor e pesquisador de Letras Clássicas da Universidade de São Paulo (USP), Eduardo Navarro. Ele fundou a Tupi Aqui, uma organização não governamental (ONG) que tem por objetivo lutar pela inclusão do idioma como matéria optativa no currículo das escolas paulistas. “Queremos montar vinte cursos de tupi em São Paulo no ano que vem”. O primeiro passo já está dado: em maio, Navarro lançou o seu Método Moderno de Tupi Antigo e, em setembro, colocou nas livrarias Poemas — Lírica Portuguesa e Tupi de José de Anchieta, edição bilíngue de obras do primeiro escritor em língua tupi.
À primeira vista o projeto parece birutice. Só que há precedentes. Em 1994, o Conselho Estadual de Educação do Rio de Janeiro aprovou uma recomendação para que o tupi fosse ensinado no segundo grau. A decisão nunca chegou a ser posta em prática por pura falta de professores. Hoje, só uma universidade brasileira, a USP, ensina a língua, considerada morta, mas ainda não completamente enterrada.
Em sua forma original, o tupi, que até meados do século XVII foi o idioma mais usado no território brasileiro, não existe mais. Mas há uma variante moderna, o nheengatu (fala boa, em tupi), que continua na boca de cerca de 30 000 índios e caboclos no Amazonas. Sem falar da grande influência que teve no desenvolvimento do português e da cultura do Brasil. “Ele vive subterraneamente na fala dos nossos caboclos e no imaginário de autores fundamentais das nossas letras, como Mário de Andrade e José de Alencar”, disse Alfredo Bosi, um dos maiores estudiosos da Literatura do país. “É o nosso inconsciente selvagem e primitivo.”
Todo dia, sem perceber; você fala algumas das 10 000 palavras que o tupi nos legou. Do nome de animais, como jacaré e jaguar; a termos cotidianos como cutucão, mingau e pipoca. É o que sobrou da língua do Brasil.
Do Ceará a São Paulo, mudavam só os dialetos.
Quando ouvir dizer que o Brasil é um país tupiniquim, não se irrite. Nos primeiros dois séculos após a chegada de Cabral, o que se falava por estas bandas era o tupi mesmo. O idioma dos colonizadores só conseguiu se impor no litoral no século XVII e, no interior; no XVIII. Em São Paulo, até o começo do século passado, era possível escutar alguns caipiras contando casos em língua indígena. No Pará, os caboclos conversavam em nheengatu até os anos 40.
Mesmo assim, o tupi foi quase esquecido pela História do Brasil. Ninguém sabe quantos o falavam durante o período colonial. Era o idioma do povo, enquanto o português ficava para os governantes e para os negócios com a metrópole. “Aos poucos estamos conhecendo sua real extensão”, disse Aryon Dall’Igna Rodrigues, da Universidade de Brasília, o maior pesquisador de línguas indígenas do país. Os principais documentos, como as gramáticas e dicionários dos jesuítas, só começaram a ser recuperados a partir de 1930. A própria origem do tupi ainda é um mistério. Calcula-se que tenha nascido há cerca de 2500 anos, na Amazônia, e se instalado no litoral no ano 200 D.C. “Mas isso ainda é uma hipótese”, avisa o arqueólogo Eduardo Neves, da USP.
Três letras fatais 
Quando Cabral desembarcou na Bahia, a língua se estendia por cerca de 4.000 quilômetros de costa, do norte do Ceará a Iguape, ao sul de São Paulo. Só variavam os dialetos. O que predominava era o tupinambá, o jeito de falar do maior entre os cinco grandes grupos tupis (tupinambás, tupiniquins, caetés, potiguaras e tamoios). Daí ter sido usado como sinônimo de tupi. As brechas nesse imenso território idiomático eram os chamados tapuias (escravo, em tupi), pertencentes a outros troncos linguísticos, que guerreavam o tempo todo com os tupis. Ambos costumavam aprisionar os inimigos para devorá-los em rituais antropofágicos. A guerra era uma atividade social constante de todas as tribos indígenas com os vizinhos, até com os da mesma unidade linguística.
Um dos viajantes que escreveram sobre o Brasil, Pero Magalhães Gândavo atribuiu, delirantemente, a belicosidade dos tupinambás à língua. “Não se acha nela F, nem L, nem R, coisa digna de espanto, pois assim não têm , nem Lei, nem Rei e, desta maneira, vivem sem justiça e desordenadamente”, escreveu em 1570. Para os portugueses, portanto, era preciso converter os selvagens à fé católica, o que só aconteceu quando os primeiros jesuítas chegaram ao Brasil, em 1553. Esses missionários se esmeraram no estudo do tupi e a eles se deve quase tudo o que hoje é conhecido sobre o idioma.
Também, não havia outro jeito. Quando Portugal começou a produzir açúcar em larga escala em São Vicente (SP), em 1532, a língua brasílica, como era chamada, já tinha sido adotada por portugueses que haviam se casado com índias e por seus filhos. “No século XVII, os mestiços de São Paulo só aprendiam o português na escola, com os jesuítas”, diz Aryon Rodrigues. Pela mesma época, no entanto, os faladores de tupi do resto do país estavam sendo dizimados por doenças e guerras. No começo daquele mesmo século, a língua já tinha sido varrida do Rio de Janeiro, de Olinda e de Salvador; as cidades mais importantes da costa. Hoje, os únicos remanescentes dos tupis são 1 500 tupiniquins do Espírito Santo e 4 000 potiguaras da Paraíba. Todos desconhecem a própria língua. Só falam português.(nautilus.com.br)
Por uma nova língua

Falamos português? A linguista Eni Orlandi acredita que não. Ela faz parte do grupo de estudiosos que defende a chamada língua brasileira, produto da mistura dos idiomas dos colonizadores, dos índios e dos escravos. No livro Língua brasileira e outras histórias – discurso sobre a língua e ensino no Brasil, lançado este ano, Orlandi reuniu 14 artigos de autoria própria que falam sobre o tema.


Processos históricos contribuíram para que o idioma falado no Brasil e em Portugal se diferenciasse.
A linguista acredita na historicidade da língua. Para ela, os processos históricos pelos quais passaram Brasil e Portugal contribuíram para que o idioma falado nesses dois países se diferenciasse. Assim, segundo a pesquisadora, não é mais possível dizer que ambos falam português. Hoje esse idioma cabe apenas a Portugal. No Brasil, fala-se uma nova língua: o “brasileiro”.
A autora critica o fato de estarmos presos ao nosso português como língua esquematizada e ressalta que há uma infinidade de formas de se falar o idioma brasileiro. Ela destaca que os linguistas tendem a esconder a influência dos idiomas indígenas sobre o português em outros campos que não o vocabulário.

Língua imaginária x língua falada 

Antes de entrar na discussão sobre as diferenças entre o português e o “brasileiro”, Orlandi, que é coordenadora do Laboratório de Estudos Urbanos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), comenta o conflito entre a língua imaginária, aquela descrita nos livros de gramática, e a língua fluida, usada pelos falantes no dia a dia.
Para a estudiosa, temos uma falsa impressão de que a língua é estável. O português, ou melhor, o “brasileiro”, é corrente e está em constante mutação. Orlandi acredita que essa tensão entre língua imaginária e língua fluida prova a necessidade de se complementar os estudos teóricos, baseados em polpudos bancos de dados, com o idioma usado no cotidiano.
A pesquisadora critica também a imposição do português de Portugal como norma. Em sua opinião, a supostas falhas da língua brasileira constituem, antes de qualquer coisa, um ponto forte, uma qualidade.
Plano de ação
Por fim, a linguista propõe um plano de ação para promover a língua brasileira. Entre as estratégias sugeridas por Orlandi, está o aumento da capacidade da população dos países sul-americanos de se comunicar em “brasileiro” e, possivelmente, estender essa ação para outros continentes. A ideia é que as pessoas percebam que a língua brasileira está ligada à vida cultural do país. Ela sugere ainda o estímulo à redação de artigos científicos em português.  
Orlandi sugere o estímulo à redação de artigos científicos em português
A autora menciona também uma declaração assinada em 2007 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates. Nela, os líderes comprometiam-se, entre outras coisas, a criar, no Brasil, o Instituto Machado de Assis.
A função da entidade seria promover, em parceria com o Instituto Camões (Portugal), as línguas portuguesa e brasileira no exterior, à moda dos institutos Cervantes (Espanha) e Goethe (Alemanha), por exemplo. No entanto, segundo Orlandi, as discussões sobre o projeto foram deixadas de lado em prol do novo acordo ortográfico, em vigor desde janeiro de 2009. (Raquel Oliveira)
É IMPOSSÍVEL UMA UNIFICAÇÃO ORTOGRÁFICA COM OS DEMAIS PAÍSES DE "LÍNGUA PORTUGUESA"!
Corrigir a injustiça histórica secular para com a cultura ameríndia brasílica, origem da formação nacional e espírito latente de insubmissão à dominação estrangeira, deve ser o objetivo de todos aqueles que lidam com a Educação e Cultura deste país e que tenham um pouco de amor ao verde e amarelo. Devemos propiciar aos milhões de brasileiros que diariamente expressam-se na língua tupi, a oportunidade de saberem o significado dessas palavras e, sabendo-o, terem condições de conhecer a história da grande nação Tupi, fato que gerará o inevitável espírito nacionalista e a responsabilidade em sua preservação. A consequência imediata desta providência será a expansão para além das nossas fronteiras da verdadeira epopeia da estruturação brasileira, permitindo ainda que as demais nações, por intermédio dos milhares de turistas que pisam o território nacional, saibam, em seu próprio idioma, o significado dos nomes e palavras tão comuns nos logradouros públicos, locais e cidades mundialmente famosas, e, cujos nomes em língua Tupi, até a presente data, não têm tradução literal e significação, uma vez que os próprios brasileiros não o sabem.
Estamos diante, portanto, de uma prova que os milhares de nomes toponímicos que descrevem e definem lugares, cidades, praças, ruas, produtos, objetos ou fenômenos da terra, não foram jogados ao vento "por um caboclo brejeiro qualquer" como quer a explicação até hoje passada nas escolas do país, mas sim, fazem parte do aspecto topográfico local, traduzido pelo idioma brasílico, genuíno irmão linguístico do português. Se observarmos apenas algumas das palavras que falamos diariamente, já teremos uma pequena ideia da nossa ignorância e a consequente responsabilidade para com o futuro: Jacarepaguá, é Lago do Jacaré – Andaraí, é Água do morcego – Aracaju, é Tempo de Caju – Tijuca, é barro mola - Pará, é mar – Paraná, é rio afluente – Paraguai, é rio do papagaio – Paraíba, é rio ruivo ou encachoeirado - Pirapora, é peixe que salta – Pindorama, é país das palmeiras – Sergipe, é rio dos siris – Goiás, é gente da mesma raça – Piratininga, é seca peixe – Curitiba, é barro branco – Mogi-Mirim, é riacho das cobras – Carioca, é casa de branco – Anhangabaú, é buraco do diabo e Ipanema, é água suja.
Estas são apenas algumas das milhares de palavras do idioma tupi faladas e escritas diariamente e que, identificando locais e cidades nacional e internacionalmente conhecidas, fazem parte do nosso vocabulário diário, porém as suas traduções ou significados são desconhecidos por todos. Os padres jesuítas José de Anchieta e Nóbrega dedicaram suas vidas aos estudos e codificação da língua tupi-guarani, seus usos, costumes, história e origem antropológica desta grande nação cujo sangue corre em nossas veias, direta ou indiretamente. Centenas de outros jesuítas sucederam aos pioneiros na continuidade deste trabalho, legando-nos verdadeiros tratados acerca de tal assunto, vez que, já àquela época, previam a necessidade das futuras gerações acerca do conhecimento da língua brasílica que faria parte da nossa existência como nação. Mas a leviandade, o preconceito e o racismo de alguns "intelectualóides de beira de jardim" que se revezaram durante anos no controle da educação e cultura, desprezaria por completo o trabalho destes jesuítas, preferindo dar cunho oficial aos anglicanismos, galicismos e estrangeirismos que corroem o nosso idioma e alteram o nosso comportamento.
De tal maneira desafiaram o conceito de nação que hoje, nas faculdades, ninguém sabe gramática portuguesa e muito menos gramática tupi-guarani. E só para exemplificar aí vai um texto que prova a importância da cultura indígena na nossa vida:
"Aí, o presidente Fernando Henrique Cardoso saiu do palácio às margens do Lago do Paranoá, observou uma Siriema que ciscava no palácio do Jaburu, chegou ao seu gabinete sendo recebido pelo mordomo Peri, lembrou a um assessor sobre as comemorações da Batalha do Humaitá, convocou o ministro do Itamaraty e o governador do Goiás, que visitava seu colega no palácio do Buriti, e, uma vez juntos, tomaram um suco de Maracujá, comentaram sobre as reformas do estádio do Maracanã e as recentes obras no vale do Anhangabaú, riram de um antigo comentário do Barão de Itararé sobre obras públicas, e, abrindo uma agenda de pele de Jacaré, passaram a decidir sobre o carvão de Criciúma, os suínos de Chapecó e a safra de arroz de Unaí." – Viram, falaram, beberam e escreveram em tupi e não se aperceberam disto. O embaraço maior, seria se tivessem que traduzir todas estas palavras para o chanceler francês que visitava o Brasil.
Diante do desconhecimento total por parte dos brasileiros acerca desta cultura e herança, corremos o risco de permitir que as gerações futuras pensem que tais palavras, hábitos e costumes, fazem parte da cultura e língua portuguesa, porém, sem significado e explicação. É o máximo!
E, caso algum especialista em educação e cultura ache que é possível viver sem esta influência linguística, poderá começar por retirar todas as palavras da língua tupi do nosso vocabulário. Inicialmente, terá que trocar o nome de dez estados e sete capitais brasileiras, cujos nomes são em tupi. Depois trocar os nomes de centenas de municípios, milhões de ruas, praças, avenidas, estradas, rodovias e localidades topográficas cujos nomes também são originários da língua tupi. E finalmente, terá que mudar milhares de nomes próprios e palavras comuns do nosso dia-a-dia, as quais são verbetes da língua tupi. Aí verá que a comunicação e a locomoção tornar-se-ão impossíveis.
E já que esta terra era propriedade de uma raça tão importante que mesmo dizimada nos legou um tratado linguístico e antropológico de beleza impar, nada melhor do que repetir a célebre frase de Aimberê, o cacique-comandante da Confederação dos Tamoios no Rio de Janeiro: "Nhandê Coive Ore Retama!" – Esta terra é nossa! - E é por esta razão que me considero um legítimo Tupinambá... porque no Brasil, TODO DIA, É DIA DE ÍNDIO ! (brazzilbrief.com)



O ESTRANHO IDIOMA FALADO NO BRASIL                          


Nas minhas andanças pelo mundo nestes últimos 50 anos, tenho sido testemunha dos mais curiosos fatos, muitos dos quais já contados em matérias anteriores para os meus dedicados 28 leitores. O Brasil, da mesma forma que muitas outras nações, oferece-nos igualmente divertidas características, possivelmente melhor apreciados por todos nós que vivemos no exterior e um dos seus mais interessantes detalhes é o curioso idioma que encontramos nas numerosas regiões brasileiras. Neste sentido, inclusive, existe alguma curiosa semelhança com o que observei nos Estados Unidos, nação onde tenho residido a maior parte do meu tempo profissional de jornalista. A principal diferença, entretanto, é que embora os norte-americanos igualmente assassinem impiedosamente seu próprio idioma inglês quando reunidos em grupos em cada um de seus cinquenta estados, pelo menos em termos de meios de comunicação nacional, conforme é o caso da televisão de costa a costa, existe um claro esforço nacional no sentido de tornar o idioma compreensivo para todos, (com a invenção de uma espécie de “inglês coringa”) de modo a que se evite a desastrosa situação da Itália, onde basta atravessar uma região montanhosa, para que do outro lado se fale uma língua estranha que os do lado de cá não conseguem entender.
Mas no Brasil a coisa é ainda mais divertida, porque sendo uma nação eminentemente integrada, na verdade todos assassinam o português com completa liberdade, não havendo nenhum grupo em particular, tanto do governo, como de agências ou grupos especializados, que se esforcem para fazer com que o gaúcho entenda o carioca, ou o nordestino compreenda o que diz o paulista. Se você, como cidadão brasileiro (que por viver somente em seu próprio país, não se dá conta dos “crimes” cometidos com sua língua) quiser saber alguns exemplos que escolho ao acaso, leia aqui estas maravilhas.
Por exemplo, (e esta é a impressão dos estudantes americanos que se interessam pelo Brasil e por seu curioso português) nada mais espantoso do que a teimosia observada no “Paulistês” santista, quando todo o mundo aparentemente não tem o menor conhecimento do que seja o uso do subjuntivo dos verbos. Assim, por todos os lados aqui em Santos e no Guarujá, vejo nas conversas de rua, como dentro dos próprios programas de TV locais, coisas tais como “Eu quero que ele fica”, ou “Eu espero que ela gosta””. Por outro lado, existe um persistente hábito de enfiar a letra “i” num monte de palavras, onde essa vogal não existe. Assim, em todas as emissoras paulistas só se ouvem as distorções tais como  “elemeinto”,  noveimbro”, “porceinto", o que nos desespera a todos nós que, por profissão, somos obrigados a tentar falar bem aquilo que se convencionou como o idioma português.
Uma jovem jornalista “côr  de jambo”, (conforme nos diz maliciosamente a atriz Letícia Spiller da novela ‘Suave Veneno”) da Rede Globo, cujo nome é Zileide Silva, por sinal muito simpática , apesar de sua voz agradável e de sua dicção perfeita, horroriza-nos com a repetição constante das palavras que citei acima, sem que a emissora lhe puxe as orelhas, ensinando-lhe que tais palavras não existem no dicionário do Brasil. A jovem e simpática locutora paulista que tem base de operações em Brasília, aparentemente tem conseguido se manter no posto, a despeito desse implacável assalto ao idioma deste país.
 Mas se a questão da pronúncia é posta de lado, igualmente não passa sem ser observada a característica da simpática Fátima Bernardes da mesma Rede Globo, que se não torce a pronúncia correta das palavras, torce a boquinha de tal maneira, que deixamos de prestar atenção ao texto que nos lê, porque nossa atenção se fixa nos seus carnosos lábios completamente entortados e torcidos quando cita determinadas palavras em meio às notícias.
 Os cariocas, por outro lado, provavelmente convencidos que falam o melhor português do país - (bem, talvez não o saibam falar corretamente, mas certamente transmitem uma enorme simpatia tão típica da gente do Rio) quase nos fazem desmaiar com  suas gozadíssimas... “eschtchimatchivas”, “ishto”, "goshto" e etc, um chiado cuja origem é-nos impossível determinar.
 Talvez que tais maus hábitos nos tenham sido dados como herança dos nossos antepassados portugueses, que igualmente assassinam seu idioma nativo, quando costumam esconder a letra “e” em numerosas palavras, tais como “d’pois’”, “d’vido, d’cente”etc.
 Faço esses comentários, porque como intérprete simultâneo de conferência do Departamento de Estado em Washington nos últimos 40 anos, sei que é praxe desse órgão americano das relações exteriores frequentemente mandar seus melhores intérpretes em visita aos países cujos idiomas empregam em seu trabalho diário para o governo dos Estados Unidos, sempre com o propósito de procurar fazer com que “refresquem “o idioma estrangeiro que utilizam em sua função oficial em Washington. O diabo é que até hoje ainda não consegui atingir um firme consenso, porque, aqui entre nós, amigos, não é mole falar paulistês e empregar as novas palavras do estilo da jornalista Zileide Silva. Quem duvidar que preste atenção no noticiário noturno da Globo. Sem falar, finalmente, no hábito nacional de usarmos certas palavras pensando que estamos dizendo uma coisa, quando na verdade estamos dizendo coisa completamente oposta, conforme é o caso frequente em todos os filmes para a TV e todas as novelas, quando brasileiros em geral usam o “ela está “brava” comigo (que quer dizer bravia, valente, corajosa) por “ela está braba” ( que nunca usam e quer que dizer precisamente  o que desejavam expressar, isto é, ZANGADA, ABORRECIDA. (Prof. Mário Giudicelli)



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Agradeço a sua visita e participação.