sábado, maio 17

* Sinto vergonha!


Os gastos para a realização da Copa do Mundo de 2014 viraram alvo das manifestações que se espalham pelo Brasil, sobretudo em frente aos estádios que recebem jogos da Copa das Confederações 2013

Também tenho vontade de sair às ruas, mostrar a minha revolta de cidadã brasileira, envergonhada da hipocrisia e da covardia de outros cidadãos, cientes que o Brasil sediará os jogos da copa do mundo desde 2007, só agora, patrocinados, comprados e vendidos por interesses contrários do nosso país, resolvem proporcionar esse espetáculo mambembe, ridículo, que nos envergonha a todos.



Ok! Falta saúde pública, moradia, educação e transporte público de qualidade e VÃO FALTAR SEMPRE!!!!!! Nunca estaremos completamente satisfeitos, até porque a insatisfação é o que nos move para nos tornarmos a cada dia um país mais justo... Nunca atenderemos a demanda da população que cresce assustadoramente todos os dias em cidades que recebem pessoas de todas as partes, ininterruptamente, necessitados de melhores condições do que lhe oferece seu local de origem.



Também tenho vontade de mostrar a minha indignação com a escolha de Claudia Leitte como símbolo da Copa.



Quem? Por que? Em que representa nosso país?



Brasileiros e brasileiras, nessa semana TRÊS MIL PESSOAS (ui!.. somos 200 milhões de brasileiros!!!!!!!) pararam São Paulo, suas vias de acesso, mais uma vez provocaram quebra quebra, tentando intimidar estrangeiros prestes a realizar o sonho de conhecer nosso país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, a conhecer essa gente bronzeada e feliz que nunca foi tão próspera!
Em meio a uma tarde de trabalho numa rotina exaustiva, me perguntava quem seriam essas pessoas nas ruas, quem as financiava enquanto promoviam a baderna, que sabemos todos, até os mais idiotas, que não levará a lugar algum, ou quem sabe, talvez, a desabafos como esse de uma paulistana orgulhosa de ser brasileira, mas que não pode evitar nesse momento de sentir vergonha desse povinho que acha que me representa.
 
Pronto, falei!
 
 
 

domingo, abril 13

* Ainda derrubam a máscara de Joaquim & Cia

 


Recursos internacionais começam a demolir o julgamento do ‘mensalão’
Se não bastasse a ação do ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato na Itália, por um novo julgamento, três réus ligados ao Banco Rural, Kátia Rabello, José Roberto Salgado e Vinícius Samarane, também decidiram recorrer à Corte Internacional de Direitos Humanos, da qual o Brasil é um dos países-membros, contra o julgamento que ficou conhecido, na mídia conservadora, como ‘mensalão’. O mesmo artefato jurídico que levou à prisão o ex-ministro José Dirceu, mantido há mais de três meses em regime fechado, quando foi condenado ao semiaberto, começa a esfarelar por ter negado um direito elementar aos réus, que é o duplo grau de jurisdição. Todos foram julgados diretamente pelo Supremo Tribunal Federal, sem poder apelar das sentenças.

O mesmo STF, no entanto, negou-se a julgar Eduardo Azeredo, ex-governador de Minas e ex-presidente do STF, porque ele não tinha foro privilegiado. Assim sendo, ficou difícil para a Corte explicar porque Azeredo, do PSDB, obteve o duplo grau de jurisdição e os réus, ligados ao PT, foram sumariamente condenados. A decisão tomada por Kátia Rabello, José Roberto Salgado e Vinícius Samarane, em breve, deverá ser seguida por outros réus sem foro privilegiado, como José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoíno.

Segundo a colunista do diário conservador paulistano Folha de S. Paulo Mônica Bergamo, os advogados Márcio Thomaz Bastos e José Carlos Dias, que defenderam executivos do Banco Rural no processo do mensalão, “estão entrando com pedido de anulação do julgamento na Comissão Interamericana de Direitos Humanos”. Os advogados alegam, segundo a jornalista, que um princípio fundamental foi transgredido: o que prevê que uma pessoa seja julgada em pelo menos duas instâncias. “O processo do mensalão tramitou apenas no Supremo Tribunal Federal (STF), sem que os réus, depois de condenados, tivessem direito à apelação para qualquer outra corte. Bastos e Dias pedem que um novo julgamento seja realizado”, lembrou.

Caso entenda que os argumentos dos advogados são pertinentes, a comissão poderá encaminhar o pedido para a Corte Interamericana de Direitos Humanos, que então abriria um processo. A questão foi discutida por ministros do STF antes de o julgamento começar. Celso de Mello, por exemplo, entende que a Corte Interamericana não tem o poder de revisar o processo, mas pode abrir processo contra o Brasil, “numa punição simbólica”. O órgão aplica e interpreta a Convenção Americana dos Direitos Humanos, da qual o país é signatário. Já os ministros Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes sempre frisaram, ao longo do julgamento, que a Corte Interamericana não pode interferir em decisões judiciais do Brasil.

Prescrito

Enquanto Dirceu amarga os rigores da lei, o ex-tesoureiro do PSDB, Claudio Mourão, teve dois bons motivos para comemorar neste sábado. O primeiro é seu aniversário. O segundo é o fato de, ao completar 70 anos, ficou livre de qualquer punição no chamado ‘mensalão tucano’. Sua situação é idêntica à do ex-vice-governador de Minas Gerais, Walfrido dos Mares Guia, que também se beneficiou da prescrição, ao completar 70 anos.

O chamado “mensalão tucano” ocorreu em 1998, quando Eduardo Azeredo concorreu à reeleição, em Minas, e foi derrotado por Itamar Franco. Como o caso não foi julgado até agora, e também foi remetido à primeira instância, ao contrário da Ação Penal 470, ninguém foi julgado e condenado. Já se passaram 16 anos desde que o processo foi aberto.

Azeredo também deve se beneficiar da prescrição, pois o caso dele estava pronto para ser julgado no STF mas ele renunciou ao mandato e conseguiu ser julgado em primeira instância. Antes de qualquer condenação, ele também deverá completar 70 anos.

Ponta solta

Se os integrantes do ‘mensalão tucano’ têm motivos para dormir melhor, o pior fantasma nos pesadelos do presidente do ministro Barbosa, relator da AP 470, materializa-se na intenção de Henrique Pizzolato, na Itália, de provar sua inocência e, com isso, jogar por terra o processo que a colunista Hildegard Angel classificou como ‘mentirão’. Pizzolato estabeleceu as estratégias que vai usar para impedir sua extradição, pedida pelo governo brasileiro, e apresenta entre os principais argumentos justamente o desrespeito do Brasil à Convenção Americana Sobre Direitos Humanos, conhecida como Pacto de São José da Costa Rica, da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Segundo o criminalista Alessandro Sivelli, que assumiu a defesa de Pizzolato, um dos tópicos do artigo 8 do pacto, sobre garantias judiciais, diz que toda pessoa acusada de delito tem direito de recorrer da sentença para juiz ou tribunal superior. Outro artigo, o 25, estabelece que os Estados Partes se comprometem a desenvolver as possibilidades de recurso judicial. O Brasil promulgou a convenção em 1992.

Pizzolato foi condenado pelo STF a 12 anos e 7 meses de prisão por formação de quadrilha, peculato e lavagem de dinheiro, Pizzolato não teve direito aos embargos infringentes, uma forma de segundo julgamento na Corte. O recurso é permitido somente para condenados que obtiveram ao menos quatro votos pela absolvição no crime pelo qual foi julgado, o que não foi o caso do ex-diretor do BB.

O ex-diretor do BB fugiu do Brasil para a Itália em setembro de 2013, com um passaporte italiano falso no nome do irmão, Celso, morto em 1978. Ele foi preso em Maranello, no Norte da Itália, em 5 de fevereiro. Cidadão italiano, Pizzolato segue preso enquanto a Itália não dá resposta ao governo brasileiro sobre o pedido de extradição. Sivelli está se aprofundando sobre o funcionamento do Supremo, uma vez que isso é tido como base fundamental para a defesa na Itália. O advogado vai comparar como funcionam os julgamentos de mesmo parâmetro nos dois países.(Correio do Brasil)
 
 

 

terça-feira, abril 8

* Pois é, Aecinho... Então..., tá! rsss


Aécio Neves Porto Alegre (Foto: Rafaella Fraga/G1)
Uma confusão marcou o discurso do presidente do PSDB, Aécio Neves, na noite de abertura da 27ª edição do Fórum da Liberdade, em Porto Alegre, nesta segunda-feira (7). Um estudante foi retirado do Salão de Atos da PUCRS pelos seguranças do evento após fazer um questionamento em voz alta ao pré-candidato tucano à Presidência.
O senador de Minas Gerais foi convidado a falar sobre “competitividade” no Fórum da Liberdade. Após fazer críticas ao governo da presidente Dilma Rousseff, Aécio estava prestes a encerrar sua participação no evento quando, do fundo do salão, um estudante gritou alguma pergunta, que pouco deu pra entender. Mencionava “cocaína no helicóptero”.
O tucano deixou o palco sem responder, enquanto o público vaiava o jovem. Em seguida o estudante, que estava sozinho, foi retirado do Salão de Atos por dois seguranças. A organização do evento confiscou a credencial de identificação dele. Disse que opiniões divergentes são aceitas no fórum, mas que é preciso “educação”.
Na rua, o jovem identificou-se como Marcelo Ximenes, 25 anos, estudante de ciências sociais da PUCRS. Disse que queria questionar o senador sobre o episódio ocorrido em novembro passado, quando quase 500 quilos de cocaína foram apreendidos em um helicóptero em nome da empresa de propriedade do deputado estadual Gustavo Perrella (SDD-MG), filho do senador Zezé Perrella (PDT-MG), considerado pelo jovem aliado de Aécio.
“Quase me agrediram, foi isso o que aconteceu”, disse o estudante, reclamando dos seguranças. “Eu gritei alto (a pergunta), já que não tinha microfone. Se eu colocasse uma pergunta como essa no papel, ninguém ia ler. Esse não é um espaço democrático, como todo espaço da direita. Que democracia é essa que não se pode fazer uma pergunta? ”, questionou Marcelo.
Estudante Aécio Neves Porto Alegre (Foto: Reprodução/RBSTV)                 
 Estudante Marcelo Ximenes foi retirado do forúm
por seguranças (Foto: Rafaella Fraga/G1)

 
O discurso de Aécio

 Durante sua palestra, Aécio Neves falou sobre democracia, cidadania, política e economia, entre outros temas. Pré-candidato do PSDB à Presidência, não poupou críticas às atuais políticas do governo federal, sobretudo as políticas sociais e econômicas. “Temos que deixar de ser um estado paternalista para ser um estado empreendedor”, defendeu.
Aécio lembrou o golpe militar de 1964 e a retomada do exercício ao voto. “Eu e os que pertencem à minha geração somos filhos da democracia e filhos da liberdade. A democracia é a liberdade de pensamento. O grande desafio da nossa geração é diferente daquela que nos legaram a democracia. Nosso desafio é transformar a democracia em efetivamente um instrumento de melhoria na qualidade de vida das pessoas”, apontou.
Sobre política, o senador voltou aos governos anteriores para listar o que, segundo ele, contribuiu para o crescimento da economia brasileira e o fortalecimento da democracia. “Eu reconheço avanços. Desde a reconstrução democrática, ao impeachment de um presidente eleito, o governo de transição do presidente Itamar [Franco], a modernização da economia, a privatização de alguns setores, que foram necessários. Todas essas reformas foram essenciais para que o Brasil avançasse”, avaliou.
Embora breve ao abordar assuntos envolvendo as eleições, o pré-candidato tucano não deixou de alfinetar o governo da presidente Dilma Rousseff. “Por maiores que sejam nossas dificuldades, temos o mais valioso instrumento para mudar as coisas. Nós temos sido administrados por gente que não quer bem o Brasil”, disse, sob aplausos da plateia simpática a ele. (G1)

domingo, março 30

* 1964 - A felicidade e o otimismo brasileiros incomodavam.... quem?

 




Muito prazer, esse é o país que antecedeu o golpe militar de 1964!
 

Nunca fomos tão felizes. Então veio o golpe

Paraíso não era, nunca foi, mas raras outras vezes tivemos a impressão de que o céu podia ser aqui

Sérgio Augusto - O Estado de S.Paulo

Paraíso não era, nunca foi, mas raras outras vezes tivemos a impressão de que o céu podia ser aqui mesmo como entre a segunda metade da década de 1950 e os primeiros anos da década seguinte. Democracia plena, otimismo econômico, industrialização acelerada, um presidente (JK) sonhador, sorridente e dinâmico, com a autoestima turbinada por duas Copas do Mundo, pelo reinado de Eder Jofre nos ringues internacionais e Maria Esther Bueno nas quadras de Wimbledon, o Brasil se descobriu contemporâneo, progressista e culturalmente relevante.
JK na inauguração de Brasília

Relevante e influente. Graças, sobretudo, à bossa nova, nosso maior produto de exportação depois do café, do futebol e de Carmen Miranda. Oficialmente apresentada aos americanos num histórico concerto no Carnegie Hall, em novembro de 1962, a bossa nova precisou de muito pouco tempo para conquistar os gringos e polinizar a música popular do mundo inteiro. Só entre 1961 e 1963, Samba de Uma Nota, de Tom & Newton Mendonça, foi gravada por 15 músicos americanos e europeus.
Teatro de Arena da UFRJ

Local que respira história e cultura. Aquele que, na época em que o palácio era um hospício, servia para vigiar os doentes, também foi um marco da música popular brasileira. No final da década de 50, o Teatro de Arena foi o palco que lançou o mais importante movimento de música cosmopolita do Brasil, a Bossa Nova, durante o lançamento do disco de João Gilberto, “Chega de Saudade”, onde estiveram presentes Tom Jobim, Vinícius de Moraes e Nara Leão que fariam outro show no local no ano seguinte
.

 
Vivíamos uma renascença musical, não por obra exclusiva da bossa nova e da "redescoberta" do samba do morro (primeiro no Zicartola e na Estudantina, mais tarde no show Opinião), mas também porque o protofunk de Jorge Benjor (então Ben, simplesmente) aos poucos enxotava das pistas de dança o twist e o hully gully. A Jovem Guarda ainda era pouco mais que um brilho nos olhos de Roberto Carlos quando as refinadas harmonias de Moacyr Santos, o nosso Duke Ellington, ganharam um LP (Coisas) com o selo de uma nova gravadora independente, Forma, tão exigente e elegante quanto a Elenco, que Aloisio de Oliveira, ex-parceiro de Carmen Miranda e Tom Jobim , criara para eternizar em disco o melhor da moderna música popular brasileira.

Além de ser a responsável pela popularização de Saint Tropez, na França, ao se mudar para lá no começo dos anos 1960, no verão de 1964 Brigitte Bardot também mudou a vida de uma pequena cidade do litoral do Rio de Janeiro chamada Armação dos Búzios, então distrito de Cabo Frio, onde ficou hospedada em suas visitas pelo Brasil, na companhia do namorado Bob Zaguri, um playboy e produtor marroquino que viveu muitos anos no Brasil. Depois da visita de BB, acompanhada diariamente pela imprensa e recheada de fotografias, Búzios foi 'descoberta', virou município e tornou-se um dos pontos mais sofisticados e procurados do verão brasileiro, inclusive por estrangeiros.

Elenco e Forma surgiram em 1963, ano especialmente marcante para a cultura do País. Líamos mais e melhor naquela época, tínhamos uma das mais sofisticadas revistas do mundo, a Senhor, que quatro anos antes chegara às bancas prometendo em editorial o que nunca deixaria de cumprir: publicar artigos, ensaios, cartuns, reportagens, entrevistas e fotos para os "elementos mais responsáveis da vida nacional, a fim de estimulá-los a considerar com mais seriedade os problemas culturais do País.
Maria Esther Bueno (tênis) – 71 títulos, entre eles: torneios individuais de Wimbledon, na Inglaterra, em 1959, 1960 e 1964, e os de duplas em 1958 (com Althea Gibson), 1960 (com Darlene Hard), 1963 (Hard), 1965 (com Billie Jean King) e 1966 (com Nancy Richey).
Ganhou ainda os torneios individuais do Aberto da Itália em 1958, 1961 e 1965. Em 1960, jogando em dupla, triunfou nos torneios de Aberto da Austrália, dos Estados Unidos, Roland-Garros (França) e Wimbledon - e assim conquistou o Grand Slam daquele ano.  

Desenhada por Carlos Scliar e Glauco Rodrigues, com textos da fina flor da intelectualidade (de Clarice Lispector a Paulo Francis, Ferreira Gullar, Ivan Lessa, José Guilherme Merquior, Luís Lobo) e cartuns de Jaguar, Senhor era a nossa Esquire, a The New Yorker carioca, o complemento mensal perfeito para o banquete de inteligência e erudição que nos serviam os sabáticos suplementos literários do Jornal do Brasil (SDJB), do Estado e da Tribuna da Imprensa.

Poesia. Não havia livros de autoajuda nem autores repetidos nas listas dos mais vendidos. Herbert Marcuse e Marshall McLuhan faziam a cabeça da massa pensante e nossos poetas de ponta (Drummond, Bandeira, João Cabral) ainda estavam vivos e ativos, assim como a arte da crônica e da narrativa curta, honradas naquele ano por Sérgio Porto (A Casa Demolida), Carlos Heitor Cony (Da Arte de Falar Mal), Dalton Trevisan (Cemitério de Elefantes) e pelo estreante Rubem Fonseca, cuja coletânea de contos, Os Prisioneiros, lançada por uma pequena editora, deixou a crítica extasiada.

Pelé, Garrincha... O Brasil venceu a Copa do Mundo de 58 e 62. 

Com a recém-fundada Escola Superior de Desenho Industrial formando seus primeiros quadros, iniciamos a década de 1960 ainda mais convencidos de que um bom visual podia até melhorar um mau produto. A revista Senhor era um bom exemplo. E o mesmo se diga do Jornal do Brasil depois de sua reforma gráfica no final dos anos 1950, das capas minimalistas dos discos da Elenco e dos livros da Civilização Brasileira, estas concebidas por Eugenio Hirsch, e dos lançamentos da exclusiva Editora do Autor, a cargo de Glauco Rodrigues e Bea Feitler.

Com suas estrelas (Cacilda Becker, Maria Della Costa, Tônia Carrero, Fernanda Montenegro, Sérgio Britto, Ítalo Rossi) no apogeu e ainda sem a concorrência das telenovelas, o teatro nacional exibia um vigor artístico que São Paulo (TBC) e Rio (Teatro dos Sete) em breve deixariam de ver. À margem da ribalta clássica, o Centro Popular de Cultura, núcleo de esquerda da União Nacional dos Estudantes criado em 1961 para levar teatro ao povo e discutir seus problemas com as lições de Marx e Brecht, entrou em cena cheio de entusiasmo, e na primeira oportunidade, aproveitando-se da maré favorável ao cinema da terra (O Pagador de Promessas conquistara a Palma de Ouro do Festival de Cannes de 1962), meteu-se a produzir filmes; o primeiro, urbano, de episódios ambientados no que hoje chamam de comunidade carente (Cinco Vezes Favela), o segundo, rural, no coração dos conflitos agrários do Nordeste, inspirado num cordel de Ferreira Gullar e dirigido por Eduardo Coutinho, com o título de Cabra Marcado Para Morrer.



Capa do livro Essa Tal de Bossa Nova e plateia no Carnegie Hall, em 1962. Fotos: divulgação/Revista Cruzeiro
No dia 21 de novembro completam-se 50 anos de um dos shows mais representativos do estabelecimento da bossa nova nos Estados Unidos. Em 1962, mais de 3 mil pessoas compareceram ao Carnegie Hall, em Nova York, para assistir às apresentações de Tom Jobim, João Gilberto, Roberto Menescal, Sérgio Mendes, Carmen Costa e de inúmeros outros artistas brasileiros que encabeçavam o então novo gênero musical brasileiro Símbolo. Ainda vendendo otimismo adentramos 1964, recebendo a visita, nos primeiros dias de janeiro, de um dos mais cobiçado símbolos sexuais do cinema, Brigitte Bardot, e, duas semanas depois, da atriz e cantora espanhola Sarita "La Violetera" Montiel. Sarita veio filmar Samba, uma bobagem carnavalesca; BB veio a lazer, trazida pelo noivo, Bob Zagoury, um playboy marroquino apaixonado pelo Brasil, que a levou para uma aldeia de pescadores, na região dos Lagos, no Estado do Rio. Nascia ali a mística de Búzios, a Saint-Tropez do Atlântico Sul, onde até hoje sua musa e padroeira é reverenciada, agora em forma de estátua de bronze. BB lá se enfurnou durante quatro meses, segundo ela própria, os mais felizes de sua vida.

 
 

Deus e o Diabo na Terra do Sol– Glauber Rocha 

Ela ainda era o grande assunto mundano da praça, quando Glauber Rocha fez a primeira exibição privada de Deus e o Diabo na Terra do Sol, para um seleto grupo de amigos, na manhã de uma sexta-feira 13. E fomos todos para o vetusto cinema Vitória, perto da Cinelândia, centro do Rio, adrede escolhido porque dali os convidados de Glauber identificados com o governo Jango rumariam para o ominoso Comício da Central do Brasil, programado para o final da tarde.
 
 
Capa da revista Senhor - 1959

Estávamos a 18 dias do golpe militar. Deus e o Diabo só seria lançado em julho, depois de se consagrar em Cannes. Já Cabra Marcado Para Morrer, cujas filmagens, em Engenho da Galileia (Pernambuco), foram interrompidas pelos militares, teve de esperar pela anistia para poder ser concluído, exibido e várias vezes premiado. Apenas a ditadura estava marcada para morrer. Mas teríamos de esperar 21 anos.
 
 
 
 

terça-feira, março 25

* A Sagrada Família Brasileira



A Sagrada Família

Família virou desculpa para tudo. Tráfico de drogas, golpe, tortura, morte. Com que direito?

Nas últimas semanas, tenho me dedicado a assistir à série Breaking bad, em DVD. Vejo uma temporada após outra, hipnotizado pela história de Walter White (Bryan Cranston), um modesto professor de química que, ao descobrir um câncer, resolve produzir metanfetamina, uma droga sintética. Tudo o que quer é proteger a família. Deixar uma boa herança para pagar a hipoteca da casa, a faculdade do filho e, dali a uns 18 anos, da filha recém-nascida. Em nome da família, ele se envolve com o tráfico, mata gente. A cada temporada se afunda mais na criminalidade. Jamais perde seu discurso: tudo o que faz é pela família. Considero a série didática. Até que ponto alguém pode ir para proteger a família?
Quando se fala dessa maneira, parece uma coisa linda. Proteger a família é algo que toca nossos corações. O professor traficante é o herói da série. E a gente torce por ele, até nos momentos de maior crueldade. Depois, passada a emoção de cada episódio, reflito e vejo o que há realmente por trás da ficção. Em nome da família, é lícito produzir droga, entrar no tráfico etc.? Família virou desculpa para tudo. A última é essa bobagem de tentar ressuscitar a “Marcha da Família com Deus Pela Liberdade”, que ocorreu pouco antes do golpe militar de 1964. Na época, significou apoio ao golpe que se aproximava. Por meio do lema de “defender a liberdade”, pedia um golpe para destituir um estado de direito. Movimentos semelhantes ocorreram noutros países, que também sofreram intervenções militares. Antes da queda de Allende, no Chile, eram comuns os “panelaços”, em que donas da casa faziam estardalhaço para reclamar do governo, dizendo que faltava comida nas mesas. Depois, tanto aqui como no Chile e na Argentina, que também teve seu panelaço, vieram governos militares que deixaram mães sem filhos, mortos sem sepultura. E que falavam em... proteger a família, ai meu Deus! E torturavam e matavam. Quando eu era criança, em pleno golpe militar, garantiam que os comunistas destruiriam a família. E até que devoravam criancinhas!
No passado, se uma garota ficava grávida sem casamento, era expulsa da casa pelo pai e lançada, em geral, à prostituição. O argumento: “Defender a honra da família”. Houve, sim, uma evolução no comportamento. Ninguém expulsa uma filha de casa porque está grávida – e, se acontece, é em rincões do Nordeste. Frequentemente, é o contrário. Pais e mães atuais, novamente em nome da felicidade de seus filhos, tentam empurrá-los para bons casamentos. A família idealizada, com pais e mães bonitos, crianças saudáveis e sorridentes, é ótima para comerciais. Existe uma expressão, a “família margarina”, dos comerciais, em que se demonstra uma felicidade sem arranhões, e passar margarina no pão é a máxima expressão de afeto. Consumir é amar? É a “família margarina” que os partidários desse tipo de manifestação defendem? Uma família idealizada, que não corresponde nem às deles mesmos, com suas contradições.
Tenho motivos para gostar de Breaking bad. É comum alguém que comete um crime horrível, pessoal ou público, dizer que só quis defender a família. A série expõe essa chaga. Durante minha última novela, Amor à vida, recebi frequentes ataques pela internet, me acusando de querer destruir a família brasileira. Em última análise, a novela mostrava, sim, os vários tipos de família, da evangélica à gay. Defendia a convivência entre elas, o direito de ser, existir, e o respeito ao próximo. Essas são ideias, hoje em dia, autenticamente católicas, pois o papa Francisco demonstra um desejo sólido de tornar a Igreja mais receptiva. Mesmo que o papa diga o contrário, sempre existirão políticos dispostos a “defender a família” como argumento para qualquer retrocesso.
Nélson Rodrigues, ícone do teatro nacional, expôs as chagas das famílias. Também é intenso o livro de Zuenir Ventura, Sagrada Família, de quem roubei o título deste texto. Defender a família tornou-se desculpa para qualquer crime, frequentemente contra a liberdade e o direito. Já disse que ressuscitar essa marcha é uma grande bobagem. Ou será que estou enganado? Se já começaram a falar no tema, talvez não seja uma simples besteira. Mas um bom motivo de preocupação. Diante do que dizem, penso nos meus familiares e nas famílias de meus amigos. E pergunto: pedi alguma coisa? Com que direito alguém fala em nome de mim e de nossas famílias?
(Walcyr Carrasco / Revista Época)
 

quarta-feira, fevereiro 26

* Roberto Carlos e o comercial da Friboi

Tem muitos e muitos e muitos anos que não aguento  mais ver a cara de Roberto Carlos e seu sorriso forçado a cada flash, a cada especial de fim de ano, a cada rara entrevista, muito menos ouvir sua risada irritante e suas musiquinhas medíocres.
Me surpreende, mas não posso negar a realidade, como ainda causa frisson!!!! Tá, naquela mulherada vazia e rica que parou nos anos sessenta, setenta, que nunca mais teve motivos pra sonhar!! Mas, pow.. tanta coisa boa que aconteceu nesse período, cultuar justo Roberto Carlos?
Tá, vamos relevar a veneração das eternas fãs e meus comentários também...Extremos, reconheço!
Agora, o comercial da Friboi....!!! Peralá, como vamos comentar o espetáculo mambembe?
Não vamos, reproduzo aqui uma carta do Regis Tadeu que me representa .... quer dizer, mais ou menos!hahahahahahahah
Depois dessa vou viver de luz solar!


"Oi, Roberto! Tudo bem? Espero que sim... 

Você não me conhece e sequer ouviu qualquer menção a respeito de meu nome, mas isto não importa. Quem lhe escreve aqui é um cara que sempre admirou muito o seu trabalho até 1977, que foi o último ano em que você gravou um disco inteiro decente. De lá para cá, seus álbuns decaíram de qualidade de maneira assustadora. Em cada um deles, dá para pinçar uma ou duas faixas razoáveis, dignas de seu passado musical. O resto é de uma pobreza constrangedora. De uns anos para cá então, nem mesmo uma única canção boa dá para salvar.
Escrevo isto para que você, caso um dia venha a ler este texto, saiba que não faço parte do imenso séquito de “baba ovos” que você tem ao seu redor e, pior, que fazem parte da mídia. De qualquer mídia. Não compactuo com aqueles que se ajoelham perante sua figura vestida de azul e engolem com prazer qualquer bobagem que você diga e cante. Muito menos com aqueles covardes que não criticam suas atitudes mesquinhas e equivocadas. E pode apostar: você dá muita mancada por aí. E não escrevo isto tentando fazer piada com a sua perna perdida, um problema que você tem todo o direito de se recusar a falar, mas que não pode fingir que ninguém sabe disto. É que realmente você erra, como todos nós. E muito.
Não vou entrar no mérito da atitude horrorosa que você teve ao processar um de seus maiores fãs, o talentoso Paulo Cesar de Araújo, que escreveu uma ótima biografia a seu respeito, Roberto Carlos em Detalhes. Também não vou comentar a sua posição a favor da censura generalizada de biografias. Estas duas atitudes foram apenas algumas que mancharam a sua história como artista e como pessoa para sempre. O assunto agora é... “Friboi”.
Não se preocupe. Não sou vegetariano e muito menos estes ‘vegans’ chatos pra cacete que andam por aí patrulhando o prazer gastronômico dos outros, tipo o Morrissey. Pelo contrário, sou um carnívoro devotado, que come carne todo dia. Não concordo com a maneira com a qual os animais são mortos, mas isto é papo para um outro texto neste blog. O que quero abordar aqui é o modo como você, de um jeito muito, mas muito falso, resolveu tentar enganar o seu público dizendo que deixou de ser vegetariano, uma opção que você carrega há mais de 40 anos.
Não baseio esta minha opinião em qualquer fonte próxima a você, fique tranquilo. Sei disto apenas reparando na cara de nojo que você fez na propaganda que fez para a marca. Vamos relembrar?
Sim, é isto mesmo. Não adiantou colocar o seu sorriso branquíssimo em um rosto cada vez mais plastificado. Você não conseguiu enganar ninguém.
O que mais me espanta nesta história são os motivos que levaram você a fazer isto. O primeiro – e único - que me vem à cabeça é “grana”. Porra, Roberto!!! Desde quando você precisa de dinheiro? Se você pegar todo o babilônico cachê que recebeu e doá-lo para alguma instituição de caridade, posso até dar uma relevada na imensa decepção que tive - e tenho - com a sua atitude. Caso contrário, vou continuar muito puto da vida...
E sabe por quê? Porque não posso ter respeito por alguém que vende suas convicções. Não posso olhar com admiração para um cara que, por conta de uma bolada de dinheiro espetacular, tenha varrido para debaixo de um tapete imundo e mofado todo um modo de vida que o manteve saudável até os dias de hoje.
Sim, eu sei que você não deixou de ser vegetariano. Deu para sacar pelo sorriso falso e pelo nojo em seus olhos que aquele bife no prato era um troço de embrulhar o estômago para um cara como você, mas... Porra, Roberto, se ligue!!! Tenho certeza que alguém do staff da empresa e da agência de publicidade que fez a propaganda até tentou convencê-lo a dar uma ‘garfada’ no bife, né? E, obviamente, você recusou com veemência, certo? Então...
Não vou pedir desculpas por minha sinceridade. Se um dia você ler isto, entenda como um esporro de um amigo. Leia como se você tivesse reatado sua amizade com o Erasmo Carlos e ele, em uma bela tarde de sol, sentado com você ao lado da piscina, lhe dissesse a mesma coisa, sem o espírito bajulador de seus “baba ovos”. Não escrevo isto tentando me comparara ao Erasmo – pelo amor de Nossa Senhora, longe disto!-, mas sei que o “Tremendão” pensa o mesmo que eu.
Despeço-me aqui com um abraço caloroso no homem Roberto Carlos, não no artista Roberto Carlos, esperando que você compreenda que, no seu caso em particular, um tem que ser igual ao outro.
Com afeto...

REGIS TADEU"
 
 

domingo, fevereiro 9

* Quem tem medo das brasileiras?




A fama de mulheres fáceis é um insulto, mas deveria ser uma medalha


Muitas mulheres que eu conheço já passaram pela mesma situação: em viagem pela Europa, a moça diz que é brasileira e seu interlocutor abre um sorriso de quem ganhou na loteria. O que se segue, frequentemente, é uma conversa desagradável, em que o cara se oferece descaradamente e a moça, meio desconcertada, tenta corrigir o mal entendido. Quando, afinal, recebe um não peremptório, o sujeito se finge perplexo: “Mas eu pensei que as brasileiras gostassem de sexo...”

Sempre foi minha impressão que esse tipo de atitude partia de homens ignorantes, aquele tipo de europeu sem instrução que sonha em fazer turismo sexual no Brasil e acha que toda jovem brasileira está interessada no pouco que ele tem a oferecer. Na semana passada, os fatos deixaram claro que não é assim.

Por causa de uma eleição estudantil, alunos estrangeiros da Universidade de Coimbra, em Portugal, fizeram uma campanha para divulgar as agressões que sofrem na escola. A coisa é feia para o lado das brasileiras. Professores imitam seu sotaque para falar das “garotas de programa”; professoras aconselham que elas “se comportem” para não reforçar a imagem de mulheres fáceis; colegas fazem piadinhas obscenas em torno delas. Ouvir insultos de um bêbado numa estação de trem às 10 da noite é uma coisa. Ouvi-los em sala de aula, da boca de professores, é inaceitável. 

Como eu não estudo em Coimbra, e nem pretendo, deixo aos envolvidos (e ao Itamaraty...) a tarefa de lidar com esse rompante de xenofobia acadêmica. O que me importa é tratar da imagem das brasileiras no exterior, e o que ela diz sobre nós e o nosso país.

Não sei como ganhou mundo essa história da brasileira fácil, mas não é difícil imaginar. Durante o carnaval, TVs de toda parte exibem passistas deslumbrantes usando tapa sexo e mais nada. Você e eu conhecemos o contexto do espetáculo. Sabemos que Sabrina Sato e Aline Riscado são artistas e que aquilo é parte do trabalho delas. Mas quem vê do outro lado do Atlântico e não tem muitas luzes, pode imaginar diferente. Pode achar que as brasileiras andam peladas e sorridentes nas ruas do Rio e de São Paulo. Não tem cabimento, claro. É um tipo de generalização burra, mas há burros em toda parte, em alguns lugares mais do que em outros.

O grande número de prostitutas e travestis brasileiros na Europa também contribui para essa imagem distorcida - e não há nisso nada de inédito ou extraordinário. No passado, quando a Europa era um continente faminto, jovens francesas e polonesas se espalhavam pelo mundo para ganhar a vida, e viraram sinônimo de putas. Hoje são russas, assim como as brasileiras e asiáticas, que ocupam esse mercado e arcam com a má reputação.

Eu poderia parar por aqui, atribuindo a imagem das brasileiras a uma conspiração de mídia carnavalesca e travestis do Bois de Boulogne, mas isso seria falso e deixaria de lado algo essencial.

Acho que por trás da lenda da brasileira que dá existe um grau de verdade. As nossas mulheres são de fato sexualmente mais livres do que outras. Entre nós, a camada de repressão e vergonha, que em toda parte reveste a sexualidade feminina, talvez seja mais fina. O machismo brasileiro não produziu mulheres castradas, medrosas, pudicas. Dele emergiram, no século XX, garotas sexualmente ativas e independentes. A libido feminina entre nós é forte. Existe um erotismo na cultura feminina brasileira semelhante ao erotismo dos homens, e talvez seja essa a nossa grande virtude: enquanto em outras culturas há um abismo entre o comportamento sexual das mulheres e dos homens, aqui a diferença é menor, embora ainda seja notável.

Dou um exemplo: uma amiga brasileira vivendo em Barcelona cansou de ouvir, em festinhas, a roda de mulheres reclamar dos maridos que queriam fazer sexo toda hora. Minha amiga, espantada, tinha vontade de perguntar do que, exatamente, elas estavam se queixando, mas calava-se. “Eu achava aquilo um absurdo, mas percebi, rapidamente, que não pegava bem uma mulher mostrar que gosta de sexo”. Acho que essa historieta real ilustra a diferença de culturas e de comportamentos.

Isso não significa, evidentemente, que as brasileiras saem por aí dando para todo mundo, como supõem os imbecis. Nem que todas as brasileiras, do ponto de vista do sexo, se comportem de forma igual. Mas me parece tranquilo afirmar que, dentro ou fora do Brasil, nossas mulheres gozam de liberdade interior para fazer sexo quando e com quem acharem que é o caso. E isso é bom. Não se pode estar no século XXI e achar que as mulheres não têm desejo ou que não têm direito a manifestá-lo ou exercê-lo. Sem a liberdade sobre o corpo, nenhuma outra liberdade subsiste.

Nem todos percebem a situação assim, naturalmente. Liberdade sexual não combina bem com mentalidades atrasadas. Quanto mais machista for o lugar, quanto mais reprimida a sexualidade das mulheres, mais escândalo provoca a possibilidade do seu comportamento livre. Onde a repressão e a ignorância predominam, a liberdade ofende. É uma regra inescapável.

Mas eu imagino que no futuro, quando o Brasil for um país menos pobre, e, portanto, vítima de menos preconceitos, a liberdade sexual da cultura brasileira será percebida, no mundo inteiro, como parte de um jeito de viver melhor e de ser mais feliz. Um povo que celebra o próprio corpo e não se envergonha da sua sensualidade é um povo melhor. Um ou outro professor na Universidade de Coimbra, ou na Universidade Rei Abdullah, na Arábia Saudita, pode discordar - mas, francamente, quem se importa com eles? (Ivan Martins – Época)




 

quarta-feira, janeiro 8

* FHC e a CIA

Livro que relata envolvimento de FHC com a CIA esgota edição

Está esgotado nas duas maiores livrarias do Rio o livro da escritora Frances Stonor Saunders Quem pagou a conta? A CIA na Guerra Fria da cultura, no qual o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é acusado, frontalmente, de receber dinheiro da agência norte-americana de espionagem, para ajudar os EUA a “venderem melhor sua cultura aos povos nativos da América do Sul”. O exemplar, cujo preço varia de R$ 72 a R$ 75,00, leva entre 35 e 60 dias para chegar ao leitor, mesmo assim, de acordo com a disponibilidade no estoque. O interesse sobre a obra da escritora e ex-editora de Artes da revista britânica The New Statesman, no Brasil, pode ser avaliado ao longo dos cinco anos de seu lançamento.
Quem pagou a conta?, segundo os editores, recebeu “uma ampla cobertura pela mídia quando foi lançado no exterior”, em 1999. Na obra, Frances Stonor Saunders narra em detalhes como e por que a CIA, durante a Guerra Fria, financiou artistas, publicações e intelectuais de centro e centro-esquerda, num esforço para mantê-los distantes da ideologia comunista. Cheia de personagens instigantes e memoráveis, entre eles o ex-presidente brasileiro, “esta é uma das maiores histórias de corrupção intelectual e artística pelo poder”.
“Não é segredo para ninguém que, com o término da Segunda Guerra Mundial, a CIA passou a financiar artistas e intelectuais de direita; o que poucos sabem é que ela também cortejou personalidades de centro e de esquerda, num esforço para afastar a intelligentsia do comunismo e aproximá-la do American way of life. No livro, Saunders detalha como e por que a CIA promoveu congressos culturais, exposições e concertos, bem como as razões que a levaram a publicar e traduzir nos Estados Unidos autores alinhados com o governo norte-americano e a patrocinar a arte abstrata, como tentativa de reduzir o espaço para qualquer arte com conteúdo social. Além disso, por todo o mundo, subsidiou jornais críticos do marxismo, do comunismo e de políticas revolucionárias. Com esta política, foi capaz de angariar o apoio de alguns dos maiores expoentes do mundo ocidental, a ponto de muitos passarem a fazer parte de sua folha de pagamentos”. 

Quem pagou a conta? está esgotado nas livrarias do Rio 


As publicações Partisan Review, Kenyon Review, New Leader e Encounter foram algumas das publicações que receberam apoio direto ou indireto dos cofres da CIA. Entre os intelectuais patrocinados ou promovidos pela CIA, além de FHC, estavam Irving Kristol, Melvin Lasky, Isaiah Berlin, Stephen Spender, Sidney Hook, Daniel Bell, Dwight MacDonald, Robert Lowell e Mary McCarthy, entre outros. Na Europa, havia um interesse especial na Esquerda Democrática e em ex-esquerdistas, como Ignacio Silone, Arthur Koestler, Raymond Aron, Michael Josselson e George Orwell.
O jornalista Sebastião Nery, em 1999, quando o diário conservador carioca Tribuna da Imprensa ainda circulava em sua versão impressa, comentou em sua coluna que não seria possível resumir a obra em tão pouco espaço: “São 550 páginas documentadas, minuciosa e magistralmente escritas”, afirmou. 

Dinheiro para FHC 

“Numa noite de inverno do ano de 1969, nos escritórios da Fundação Ford, no Rio, Fernando Henrique teve uma conversa com Peter Bell, o representante da Fundação Ford no Brasil. Peter Bell se entusiasma e lhe oferece uma ajuda financeira de US$ 145 mil. Nasce o Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento)”. Esta história, que reforça as afirmações de Saunders, está contada na página 154 do livro Fernando Henrique Cardoso, o Brasil do possível, da jornalista francesa Brigitte Hersant Leoni (Editora Nova Fronteira, Rio, 1997, tradução de Dora Rocha). O “inverno do ano de 1969″ era fevereiro daquele ano.
Há menos de 60 dias, em 13 de dezembro, a ditadura militar havia lançado o AI-5 e elevado ao máximo o estado de terror após o golpe de 64, “desde o início financiado, comandado e sustentado pelos Estados Unidos”, como afirma a autora. Centenas de novas cassações e suspensões de direitos políticos estavam sendo assinadas. As prisões, lotadas. O ex-presidente Juscelino Kubitcheck e o ex-governador Carlos Lacerda tinham sido presos. Enquanto isso, Fernando Henrique recebia da poderosa e notória Fundação Ford uma primeira parcela para fundar o Cebrap. O total do financiamento nunca foi revelado. Na Universidade de São Paulo, por onde passou FHC, era voz corrente que o compromisso final dos norte-americanos girava em torno de US$ 800 mil a US$ 1 milhão.
Segundo reportagem publicada no diário russo Pravda, um ano após o lançamento do livro no Brasil, os norte-americanos “não estavam jogando dinheiro pela janela”.
“Fernando Henrique já tinha serviços prestados. Eles sabiam em quem estavam aplicando (os dólares)”. Na época, FHC lançara com o economista chileno Faletto o livro Dependência e desenvolvimento na América Latina, em que ambos defendiam a tese de que países em desenvolvimento ou mais atrasados poderiam desenvolver-se mantendo-se dependentes de outros países mais ricos. Como os Estados Unidos”. A cantilena foi repetida por FHC, em entrevista concedida ao diário conservador paulistano Folha de S. Paulo, na edição da última terça-feira, a última de 2013.
Com a cobertura e o dinheiro dos norte-americanos, FHC tornou-se, segundo o Pravda, “uma ‘personalidade internacional’ e passou a dar ‘aulas’ e fazer ‘conferências’ em universidades norte-americanas e européias. Era ‘um homem da Fundação Ford’. E o que era a Fundação Ford? Uma agente da CIA, um dos braços da CIA, o serviço secreto dos EUA”.
Principais trechos da pesquisa de Saunders:
1 – “A Fundação Farfield era uma fundação da CIA… As fundações autênticas, como a Ford, a Rockfeller, a Carnegie, eram consideradas o tipo melhor e mais plausível de disfarce para os financiamentos… permitiu que a CIA financiasse um leque aparentemente ilimitado de programas secretos de ação que afetavam grupos de jovens, sindicatos de trabalhadores, universidades, editoras e outras instituições privadas” (pág. 153).

2 – “O uso de fundações filantrópicas era a maneira mais conveniente de transferir grandes somas para projetos da CIA, sem alertar para sua origem. Em meados da década de 50, a intromissão no campo das fundações foi maciça…” (pág. 152). “A CIA e a Fundação Ford, entre outras agências, haviam montado e financiado um aparelho de intelectuais escolhidos por sua postura correta na guerra fria” (pág. 443).

3 – “A liberdade cultural não foi barata. A CIA bombeou dezenas de milhões de dólares… Ela funcionava, na verdade, como o ministério da Cultura dos Estados Unidos… com a organização sistemática de uma rede de grupos ou amigos, que trabalhavam de mãos dadas com a CIA, para proporcionar o financiamento de seus programas secretos” (pág. 147). 

4 – “Não conseguíamos gastar tudo. Lembro-me de ter encontrado o tesoureiro. Santo Deus, disse eu, como podemos gastar isso? Não havia limites, ninguém tinha que prestar contas. Era impressionante” (pág. 123). 

5 – “Surgiu uma profusão de sucursais, não apenas na Europa (havia escritorios na Alemanha Ocidental, na Grã-Bretanha, na Suécia, na Dinamarca e na Islândia), mas também noutras regiões: no Japão, na Índia, na Argentina, no Chile, na Austrália, no Líbano, no México, no Peru, no Uruguai, na Colômbia, no Paquistão e no Brasil” (pág. 119). 

6 – “A ajuda financeira teria de ser complementada por um programa concentrado de guerra cultural, numa das mais ambiciosas operações secretas da guerra fria: conquistar a intelectualidade ocidental para a proposta norte-americana” (pág. 45). 

Espionagem e dólares 

Não há registros imediatos de que o ex-presidente tenha negado ou admitido as denúncias constantes nos livros de Sauders e Leoni. Em julho do ano passado, no entanto, o jornalista Bob Fernandes, apresentador da TV Gazeta, de São Paulo, publicou artigo no qual repassa o envolvimento do ex-presidente com os serviços de espionagem dos EUA, sem que tivesse precisado, posteriormente, negar uma só palavra do que disse. Segundo Fernandes, “o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso diz que ‘nunca soube de espionagem da CIA’ no Brasil. O governo atual cobra explicações dos Estados Unidos”.
“Vamos aos fatos. Entre março de 1999 e abril de 2004, publiquei 15 longas e detalhadas reportagens na revista CartaCapital. Documentos, nomes, endereços, histórias provavam como os Estados Unidos espionavam o Brasil.Documentos bancários mostravam como, no governo FHC, a DEA, agência norte-americana de combate ao tráfico de drogas, pagava operações da Polícia Federal. Chegava inclusive a depositar na conta de delegados. Porque aquele era um tempo em que a PF não tinha orçamento para bancar todas operações e a DEA bancava as de maiores dimensão e urgência”, garante Fernandes.
Ainda segundo o jornalista, o mínimo de “16 serviços secretos dos EUA operavam no Brasil. Às segundas-feiras, essas agências realizavam a ‘Reunião da Nação’, na embaixada, em Brasília”.
Bob Fernandes, que foi redator-chefe de CartaCapital, trabalhou nas revistas IstoÉ (BSB e EUA) e Veja, foi repórter da Folha de S.Paulo e do Jornal do Brasil, afirma ainda que “tudo isso foi revelado com riqueza de detalhes: datas, nomes, endereços, documentos, fatos. Em abril de 2004, com a reportagem de capa, publicamos os nomes daqueles que, disfarçados de diplomatas, como é habitual, chefiavam CIA, DEA, NSA e demais agências no Brasil. Vicente Chellotti, diretor da PF, caiu depois da reportagem de capa Os Porões do Brasil, de 3 de março de 1999. Isso no governo de FHC, que agora, na sua página no Facerbook, disse desconhecer ações da CIA no país”. (Correio do Brasil 7/1/2014)
 
 
Nota da blogueira insana: Essas denuncias vieram a público em 1999 e jamais foram explicadas por FHC....
Esse foi o "sofrido" exílio político de FHC durante a ditadura militar brasileira.
C A N A L H A !

 

segunda-feira, janeiro 6

* Hoje é dia de Santo Reis!



Lá na minha infância, em poucos anos que vivi no interior de São Paulo, das lembranças doces dessa paulistana, me vem as festas folclóricas, encantadoras pela quantidade de pessoas que juntava em cântigos, roupas coloridas, instrumentos musicais rudimentares. Ainda tenho bem aqui os sons, os cheiros, o estranhamento do que não entendia mas me encantava...
Por esses Brasis afora, eu sei, grupos de pessoas ainda mantém essa tradição.


Os Três Reis Magos representavam as raças humanas em idades diferentes. Cada um deu um presente com significado especial. Como se pretendia dizer que representavam os reis de todo o mundo:
- Melquior entregou-Lhe ouro em reconhecimento da realeza e prosperidade;

- Gaspar deu incenso em reconhecimento da divindade;

- Baltazar deu mirra em reconhecimento da humanidade. 

Muitas pessoas aproveitam o dia de Reis para fazer rituais e simpatias para atrair boas energias, sorte, prosperidade e amor para todo o ano. Veja abaixo alguns rituais. 
 
 

Simpatia de Reis - 1

Esta simpatia é para trazer muito amor, dinheiro, para ter paz no seu lar e ter alívio de qualquer sofrimento. Escreva com lápis, no batente superior da porta da entrada de sua casa, os nomes dos Reis Magos: Baltazar, Melquior e Gaspar, um ao lado do outro. Mentalize:

"Assim como trouxeram tanta luz para nosso Mestre Jesus,

que tragam boas energias para casa,

protegendo todos os meus familiares.

Amém" 
 
 

Simpatia de Reis - 2

Esta simpatia dos Reis Magos é para ter dinheiro o ano todo. Primeiro, coloque uma romã dentro de um saquinho de pano de cor vermelha e ofereça aos 3 Reis Magos. Depois, coloque-o atrás da porta da sala. Esta simpatia deve ser feita somente no dia dos Reis Magos, dia 6 de janeiro.