segunda-feira, dezembro 17

* Que isso nos inspire a ser melhores!

 
Que fique claro que não quero justificar a atitude desse jovem ou desrespeitar a dor das famílias que tiveram suas crianças mortas na escola Sandy Hook, em Newtown, pequena cidade americana, mas está na hora de pensarmos no que estamos fazendo de nossos jovens nesse mundo competitivo, sem respeito as limitações e as individualidades.
 
 
NEWTOWN, Estados Unidos - Família e amigos se lembram de Adam Lanza, o suposto autor do massacre na escola Sandy Hook, em Newtown, como uma pessoa inteligente, nerd, gótica, distante, tímida e calma. Discreto, era alto, magro e pálido, estava sempre com as mãos nos bolsos da calça e gostava de usar camisa de botão. Bom aluno, graduou-se no ensino médio em 2010 e ficava desconfortável em eventos sociais. Nem mesmo no anuário da sua formatura quis se deixar ser fotografado. Em vez de uma imagem sua, havia um espaço em branco com a frase “camera shy” (tímido em frente às câmeras).
Durante sua vida deixou poucos rastros, até mesmo na internet. Não tinha perfil no Facebook ou em outras redes sociais. Participava apenas de um grupo de jogos online. Segundo investigação da polícia, Adam sofria de um transtorno social e tomava medicação. Antigos colegas que foram interrogados afirmaram que ele teria Síndrome de Asperger, uma espécie de autismo.
Outras pessoas próximas garantem que Adam tinha problemas e que isso era evidente há bastante tempo. Beth Israel, cuja filha estudou com o atirador, contou ao “New York Post” que o jovem foi uma criança “problemática”. Justin Germark, de 17 anos, era vizinho de Adam e sabia que o rapaz tinha “uma condição especial”.
— Dava para reparar facilmente — disse Germark ao tabloide. — Mas não diria que ele era antissocial. Parecia alguém lutando para ser social.
Joshua Milas, que participava do grupo de jogos, disse que ele era geralmente uma pessoa feliz, mas que não o via há alguns anos.
— Ele era um bom garoto, inteligente — disse Milas ao “Daily Mail”. — Ele foi uma das pessoas mais inteligentes que conheci. Provavelmente um gênio.

Filho mais novo da professora de escola primária Nancy (que foi encontrada morta, segundo os policiais, em sua casa, com um tiro no rosto) e do diretor fiscal da General Electric Peter Lanza, Adam morava apenas com a mãe. Os pais se separaram em 2008, quando o executivo se mudou para Stamford e se casou com uma bibliotecária da Universidade de Connecticut. O irmão mais velho de Adam, Ryan, de 24 anos, se mudou para Hoboken, Nova Jersey, onde estuda.
Amigos da família lembram de Nancy como uma mãe dedicada e protetora, que passava bastante tempo em casa. Segundo informações da CNN, três das armas (pistolas de calibre 9mm e um rifle semiautomático) encontradas na escola foram compradas legalmente por Nancy. A Associated Press informou que, de acordo com a polícia, Nancy possuía cinco armas de fogo. Todas registradas em Connecticut.
Dan Holmes, dono de uma empresa de paisagismo, descreveu Nancy Lanza à Associated Press como uma ávida colecionadora de armas de fogo, que uma vez mostrou a ele um rifle que ela havia acabado de comprar.
— Ela disse que frequentemente levava os filhos para atirar.
Em interrogatório, Ryan contou às autoridades que acreditava que seu irmão sofresse de “transtorno de personalidade” e garantiu que não tinha contato desde 2010, quando mudou de cidade para estudar. Ainda assim, os investigadores continuaram buscando pistas nos computadores e registros telefônicos de Ryan.
O pai ainda não foi interrogado. A avó materna, Dorothy Hanson, 78 anos, moradora de Brooksville, Flórida, ficou nervosa ao ser procurada por jornalistas. Disse que não soube de nada oficial, não sabia de nada da história, não tinha falado nem com a filha nem com seus netos e começou a chorar, desligando o telefone em seguida.
Colegas da Universidade de Connecticut não conseguiam se aproximar de Adam. Ao “NYT”, Matt Baier, que sentou ao seu lado durante um ano, nas aulas de matemática, não lembra de ele ter dito uma palavra durante o período:
— Mas ele tirava notas altas.
Já a estudante Olivia DeVivo, também da Universidade de Connecticut, tem outra opinião.
— Acho que não foi dado a ele o tipo certo de atenção ou ajuda. Ele passava despercebido, e, por isso, ninguém conseguiu notar que estava sendo montada uma tragédia bem aqui — disse Olivia, também ao “NYT”, lembrando que Adam costumava falar sobre alienígenas e em explodir coisas, mas, à época, considerou isso mais uma conversa típica de adolescentes.
Ainda assim, após saber da tragédia, Olivia entrou em contato com amigos que moram em Newtown.
— Eles não ficaram surpresos — comentou ela. — Disseram que o Adam sempre deu pistas de que seria capaz de fazer isso já que simplesmente não se conectava com a nossa escola e nem com a nossa cidade. Eu nunca o vi com ninguém. 
Um ex-colega não identificado declarou que já tinha percebido algum transtorno na rapaz. 
— Quando você olhava para ele, dava para perceber todas as emoções passando pela sua cabeça.
 
 
Outros ainda afirmaram que Adam ficava desconfortável quando pessoas que não o entendiam riam dele.
Até agora, as autoridades não falaram publicamente de um possível motivo para Adam cometer os assassinatos. Eles não encontraram, por enquanto, nenhum bilhete ou carta e Adam não tinha antecedentes criminais. Testemunhas disseram ainda que o atirador não disse uma única palavra ao entrar atirando na escola.
"Ele atirou para entrar e depois seguiu para a primeira sala de aula, como sabem, depois para a segunda sala de aula", disse Malloy.
As autoridades acreditam que, enquanto atirava na segunda sala, o criminoso ouviu a chegada da polícia e das equipes de emergência e cometeu suicídio.
O balanço total de mortos é de 28 pessoas: 20 crianças de seis e sete anos, seis adultos que trabalhavam na escola, o atirador e sua mãe, que foi morta em casa.
Já se sabe que sua mãe, professora, exigia muito dele, para que fosse o melhor, que superasse sempre os amigos e a si mesmo. Foi a primeira a morrer com um tiro no rosto, com uma das muitas armas que colecionava.
'Que isso nos inspire a ser melhores', disse o americano Robbie Parker, pai de Emilie Parker, uma menina adorável como todas as crianças de 6 anos, morta no tiroteio da escola de Connecticut. 
 
 

 

domingo, dezembro 16

* Amo Tarsila!


 

Tarsila do Amaral foi uma das mais importantes pintoras brasileiras do movimento modernista. Nasceu na cidade de Capivari (interior de São Paulo), em 1 de setembro de 1886.  
Biografia
Na adolescência, Tarsila estudou no Colégio Sion, localizado na cidade de São Paulo, porém, completou os estudos numa escola de Barcelona (Espanha).
Desde jovem, Tarsila demonstrou muito interesse pelas artes plásticas. Aos 16 anos, pintou seu primeiro quadro, intitulado Sagrado Coração de Jesus.
 
Fases Pau-Brasil e Antropofagia
Em 1924, em meio à uma viagem de "redescoberta do Brasil" com os modernistas brasileiros e com o poeta franco-suíço Blaise Cendrars, Tarsila iniciou sua fase artística “Pau-Brasil”, dotada de cores e temas acentuadamente tropicais e brasileiros, onde surgem os "bichos nacionais"(mencionados em poema por Carlos Drummond de Andrade), a exuberância da fauna e da flora brasileira, as máquinas, trilhos, símbolos da modernidade urbana.

Casou-se com Oswald de Andrade em 1926 e, no mesmo ano, realizou sua primeira exposição individual, na Galeria Percier, em Paris. Em 1928, Tarsila pinta o Abaporu, cujo nome de origem indígena significa "homem que come carne humana", obra que originou o Movimento Antropofágico, idealizado pelo seu marido.
A Antropofagia propunha a digestão de influências estrangeiras, como no ritual canibal (em que se devora o inimigo com a crença de poder-se absorver suas qualidades), para que a arte nacional ganhasse uma feição mais brasileira.
Em julho de 1929, Tarsila expõe suas telas pela primeira vez no Brasil, no Rio de Janeiro. Nesse mesmo ano, em virtude da quebra da Bolsa de Nova York, conhecida como a Crise de 1929[1], Tarsila e sua família de fazendeiros sentem no bolso os efeitos da crise do café e Tarsila perde sua fazenda. Ainda nesse mesmo ano, Oswald de Andrade separa-se de Tarsila porque ele se apaixonou e decidiu se casar com a revolucionária Patrícia Galvão, conhecida como Pagu. Tarsila sofre demais com a separação e com a perda da fazenda, o que a leva a entregar-se ainda mais a seu trabalho no mundo artístico.
Em 1930, Tarsila conseguiu o cargo de conservadora da Pinacoteca do Estado de São Paulo. Deu início à organização do catálogo da coleção do primeiro museu de arte paulista. Porém, com o advento da ditadura de Getúlio Vargas e com a queda de Júlio Prestes, perdeu o cargo.
Tarsila do Amaral faleceu na cidade de São Paulo em 17 de janeiro de 1973. A grandiosidade e importância de seu conjunto artístico a tornou uma das grandes figuras artísticas brasileiras de todos os tempos. 
 
Viagem à URSS e fase social
Em 1931, Tarsila vendeu alguns quadros de sua coleção particular para poder viajar à União Soviética com seu novo marido, o psiquiatra paraibano Osório César, que a ajudaria a se adaptar às diferentes formas de pensamento político e social. O casal viajou a Moscou, Leningrado, Odessa, Constantinopla, Belgrado e Berlim. Logo estaria novamente em Paris, onde Tarsila sensibilizou-se com os problemas da classe operária. Sem dinheiro, trabalhou como operária de construção, pintora de paredes e portas. Logo conseguiu o dinheiro necessário para voltar ao Brasil. Com a crise de 1929, ela perdera praticamente todos os seus bens e sua fortuna.
No Brasil, por participar de reuniões políticas de esquerda e pela sua chegada após viagem à URSS, Tarsila é considerada suspeita e é presa, acusada de subversão. Em 1933, a partir do quadro “Operários”, a artista inicia uma fase de temática mais social, da qual são exemplos as telas Operários e Segunda Classe. Em meados dos anos 30, o escritor Luiz Martins, vinte anos mais jovem que Tarsila, torna-se seu companheiro constante, primeiro de pinturas depois da vida sentimental. Ela se separa de Osório e se casa com Luiz, com quem viveu até os anos 50.
A partir da década de 40, Tarsila passa a pintar retomando estilos de fases anteriores. Expõe nas 1ª e 2ª Bienais de São Paulo e ganha uma retrospectiva no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) em 1960. É tema de sala especial na Bienal de São Paulo de 1963 e, no ano seguinte, apresenta-se na 32ª Bienal de Veneza.
Últimas décadas: 1960 e 1970
Em 1965, separada de Luís e vivendo sozinha, foi submetida a uma cirurgia de coluna, já que sentia muitas dores, e um erro médico a deixou paralítica, permanecendo em cadeira de rodas até seus últimos dias.
Em 1966, Tarsila perdeu sua única filha, Dulce, que faleceu de um ataque de diabetes, para seu desespero. Nesses tempos difíceis, Tarsila declara, em entrevista, sua aproximação ao espiritismo.
A partir daí, passa a vender seus quadros, doando parte do dinheiro obtido a uma instituição administrada por Chico Xavier, de quem se torna amiga. Ele a visitava, quando de passagem por São Paulo e ambos mantiveram correspondência.
Tarsila do Amaral, a artista-símbolo do modernismo brasileiro, faleceu no Hospital da Beneficência Portuguesa, em São Paulo, em 17 de janeiro de 1973 devido a depressão. Foi enterrada no Cemitério da Consolação de vestido branco, conforme seu desejo.
 
Tarsila do Amaral foi homenageada pela União Astronômica Internacional, que em 20 de novembro de 2008 atribuiu o nome "Amaral" a uma cratera do planeta Mercúrio.
Em 2008, foi lançado o Catálogo Raisonné Tarsila do Amaral, uma catalogação completa das obras da artista em três volumes, em realização da Base7 Projetos Culturais, com patrocínio da Petrobras, numa parceria com a Pinacoteca do Estado de São Paulo, Secretaria de Estado da Cultura e Governo do Estado de São Paulo.
 
 
 
Características de suas obras
- Uso de cores vivas
- Influência do cubismo (uso de formas geométricas)
- Abordagem de temas sociais, cotidianos e paisagens do Brasil
- Estética fora do padrão (influência do surrealismo na fase antropofágica)
 
Principais obras de Tarsila do Amaral
- Autorretrato (1924)
- Retrato de Oswald de Andrade (1923)
- Estudo (Nú) (1923)
- Natureza-morta com relógios (1923)
- O Modelo (1923)
- Caipirinha (1923)
- Rio de Janeiro (1923)
- A Feira I (1924)
- São Paulo – Gazo (1924)
- Carnaval em Madureira (1924)
- Antropofagia (1929)
- A Cuca (1924)
- Pátio com Coração de Jesus (1921)
- Chapéu Azul (1922)
- Auto-retrato (1924)
- O Pescador (1925)
- Romance (1925)
- Palmeiras (1925)
- Manteau Rouge (1923)
- A Negra (1923)
- São Paulo (1924)
- Morro da Favela (1924)
- A Família (1925)
- Vendedor de Frutas (1925)
- Paisagem com Touro (1925)
- Religião Brasileira (1927)
- O Lago (1928)
- Coração de Jesus (1926)
- O Ovo ou Urutu (1928)
- A Lua (1928)
- Abaporu (1928)
- Cartão Postal (1928)
- Operários (1933)
(sua pesquisa/Wikipédia)
 

sábado, dezembro 15

* Os cães ladram e a caravana passa...





Patchwork da semana:

 

Acordo de R$ 17 milhões teria convencido o empresário a envolver o ex-presidente Lula no 'mensalão', de acordo com o ator, José Abreu; dinheiro teria sido reunido por grupo de empresários, políticos, além de Roberto Civita, dono da Veja; condição era que declarações saíssem primeiro na revista da Abril, que em setembro deu capa com Marcos Valério


*


Na edição da última quarta-feira (12) do programa da TV Bandeirantes “Brasil Urgente”, o jornalista e apresentador José Luiz Datena defendeu Lula e atacou a mídia de forma indignada. A abordagem que fez, aliás, talvez seja a mais perfeita que se fez, até aqui, para esse processo de verdadeira caça ao ex-presidente. Confira, abaixo, as palavras textuais do jornalista.
“Marcos Valério tenta manchar a vida de Lula, o presidente de maior aceitação desse país. Valério não tem moral. Quem é Marcos Valério para acusar Lula? Acho até que Lula deve se defender com mais veemência; gostei da resposta do governo… Valério fez o que fez e a mídia ainda dá moral pra um bandido desse?”



*
 A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quinta-feira (13) que "não tem mais o que fazer" para impedir que o Congresso derrube seu veto às mudanças na divisão dos royalties do petróleo.
Para a presidente, o Congresso é autônomo e poderá tomar a decisão que quiser.
Em sessão tumultuada, o plenário do Congresso aprovou na tarde desta quarta-feira (12) o regime de urgência para a apreciação do veto ao artigo 3º da Lei dos Royalties, feito por Dilma.
"EU JÁ FIZ TODOS OS PLEITOS. O MAIOR É VETAR. NÃO TEM MAIS O QUE FAZER.
NÃO TEM NENHUM GESTO MEU MAIS FORTE DO QUE O VETO. O RESTO SERIA IMPOSSÍVEL. EU NÃO VOU IMPEDIR QUE NINGUÉM VOTE DE ACORDO COM A SUA CONSCIÊNCIA. QUE TODOS VOTEM DE ACORDO COM A SUA CONSCIÊNCIA”, AFIRMOU.
 
 

 *
BRASÍLIA - Lideranças do PPS, do PSDB e do DEM anunciaram nesta terça-feira, 11, três frentes de atuação para investigar o envolvimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o escândalo do mensalão, após o depoimento do empresário Marcos Valério prestado à Procuradoria Geral da República e
publicado com exclusividade pelo Estado. Valério afirmou no depoimento que recursos do mensalão custearam despesas pessoais de Lula e que o ex-presidente deu o aval para que os bancos Rural e BMG tomassem os empréstimos que abasteceram o esquema de compra de apoio político no Congresso.
 
*

São Paulo – A aprovação da presidenta Dilma Rousseff (PT) subiu para 78%, segundo pesquisa CNI/Ibope divulgada hoje (14). O índice recorde é um ponto percentual acima do registrado no levantamento anterior, realizado em setembro.

Já o governo da presidenta teve 62% de aprovação (ótimo e bom), mantendo o índice anterior, enquanto 29% consideram a administração federal regular e 7% acham que é ruim ou péssima

A confiança na atuação de Dilma também e alta: 73%. Sobre a expectativa para os dois anos restantes do governo, 62% acreditam que será ótimo ou bom; 25% que será regular; e 7%, ruim ou péssimo.

Entre as políticas de governo, a que conta com maior respaldo popular é o combate à fome e à pobreza, considerado positivo por 62%. Em seguida vêm o combate ao desemprego, com aprovação de 56%, proteção ao meio ambiente, com 52%, e combate à inflação, com 45%. A gestão da saúde é reprovada por 74% dos entrevistados, e 68% veem como negativa a atuação na área de segurança pública.



sexta-feira, dezembro 14

* PF



Ando me entupindo de barras de cereais integrais, coockies integrais, iogurtes, sucos de frutas, sanduiches e café, muito café, a bendita cafeína que nos mantém acordados para o bem e o mal, entre um compromisso e outro, na rua, correndo...
Mas..., confesso, ando aceitando um convite a qualquer hora do dia ou da noite para um bom pf caseiro fumegante, perfumado a alho e cebola, honesto, quentinho...
Saudade! rss






 

quinta-feira, dezembro 13

* Sombra da maldade

Eu sei
Que ela nunca mais apareceu
Na minha vida
Minha mente novamente
Eu sei
Que o que ficou não desapareceu
A minha vida muda sempre lentamente
Como a lua que dá voltas pelo céu
E mexe tanto com o presente quando ausente
Eu sei (Eu sei)
Eu sei (Eu sei)
Eu sei (Eu sei)
Não sou vidente mas sei o rumo do seu coração
Permita que o amor invada a sua casa coração
Que o amor invada a sua casa coração
Que o amor invada a sua casa
Saia
Não vaia
Não caia na navalha
Que corta tua carne
E sangra tudo o que você precisa descobrir, yeah
Eu sei
Que ela nunca mais apareceu
Na minha vida
Minha mente novamente
Eu sei
Que o que ficou não desapareceu
A minha vida muda sempre lentamente
Como a lua que dá voltas pelo céu
E mexe tanto com o presente quando ausente
Eu sei (Eu sei)
Eu sei (Eu sei)
Eu sei (Eu sei)
Não sou vidente mas sei o rumo do seu coração
Permita que o amor invada a sua casa coração
Que o amor invada a sua casa coração
Que o amor invada a sua casa
Saia
Não vaia
Não caia na navalha
Que corta tua carne sangrador
O que você precisa descobrir, yeah
Permita que o amor invada a sua casa coração
Que o amor invada a sua casa coração
Que o amor invada a sua casa
Please don't stop, no
Please don't stop
 
 
 
Mais que nunca, peace in love!
 
 

quarta-feira, dezembro 12

* O Piá que Entregava Trouxas de Roupas Lavadas





 Acharam o piá quase morto de frio. Estava com uma grave pneumonia. Olhos castanhos, murchos, fundos, tristes. Chorava, copiosamente, de ressentimento, talvez. E as lágrimas em sua face com amarelão, como se estavam - por um anjo! por um anjo! - de alguma estranha forma congeladas; dando ao seu rosto pueril a sofrência de uma paleta de amargura e dor terminal. O policial Dito Lima, num fusca que mais parecia uma imagem de garrafa de crush itinerante, tinha subido a rua 24 de Outubro, ali, na altura do Clube Atlético Fronteira, perto da hora do inicio Missa do Galo, e vira o menino com um vazio saco de farinha de trigo usado na mão direita, como se segurasse uma roseira de tristices. Vira, em passant, por acaso, de vereda mesmo. Depois, precisando atender a um chamado do Vereador Chico Preto para um forfé suspeito nas imediações da malha férrea da Estação Sorocabana de Itararé, passou novamente na esquina ali pertinho, e, de través, com o rabo do olho captou de novo o guri e talvez já passasse da meia noite. Encafifou. Será o impossível? Um alarme divinal tocou em seu instinto. Só por Deus. Parou o fusca da policia e foi ver o que estava acontecendo. Sacou o desboque: o menino pobrezinho ardia em febre, murcho, trêmulo, se não fosse socorrido a tempo certamente que iria morrer. Era Natal em Itararé, Cidade Poema. Dezembro de um tempo em que se amarrava cachorro com lingüiça. 
O piá era filho da Dona Lena. Levava e trazia rotineiramente as trouxas de roupas que a mãe lavava pra fora, precocemente ajudando como podia em casa. Trazia as pesadas trouxas de roupas sujas dos ricos, depois levava tudo de novo, roupa limpinha, fervida em água de bica (o chafariz do Bairro Velho), sabão de cinzas e anil, passada com os vincos certinhos, e que entregava direitinho, trazendo os minguados tostões pra suprir a familia grande e pobre, da carente periferia sociedade anônima de Itararé, pois o pai estava doente, os irmãos menores padecendo, por meses, mal-e-mal e sempre uma rotineira e rala sopa de fubá com couve rasgada. Havia carestia no Brasil, anos sessenta, os clientes ricos minguando, o já parco pagamento dos afazeres da mãe dedicada, entre o tanque e o quarador, entre o fogão de lenha e os filhos com amarelão. A Dona Lena confiava naquele primogênito, era o maior, dizia até que o bendito era abençoado por Deus. Gastava um minuto de prece com os outros filhos, nas demoradas orações, mas, com aquele seu protegido era meia hora, precisava investir no menino, tinha fé nele.
Algo doente, Dona Lena, mesmo assim batalhou até de madrugada, fervendo as roupas no latão velho de óleo de algodão, sobre uma lajota com fogo no quintal de laranjeira pesteada. Depois, passou a ferro que era de brasas, com sacrifício, mas ela contava com mais aquele serviço, tinha planejado, ternura de mãe. A despensa estava vazia fazia tempo. Sopa de fubá com couve rasgada, polenta maleixa, aqui e ali, banana frita, uns ovos que mal davam prum bolo mixuruca de banana-caturra e olhe lá. O céu por testemunha. Se o Dr Aderaldo mandasse mais uma quantia de roupa, se apressaria em entregar depressinha o serviço, pra ter mais uns cobres que melhorassem a bóia de natal, talvez desse até para comprar algumas tubainas de limão do Vilela, ou mesmo algum doce de cidra pros filhos queridos, tão precisados. Instruiu o piá Thiago que, entregando as trouxas de roupas limpas, recebesse e passasse no Seu Vitorino, fizesse algumas compras, deu uma listinha, feijão-jalo, tomate, óleo, açúcar  cristal. E também trouxesse a nova renca de roupas sujas pra ela poder adiantar bem o serviço, varando a noite preciso fosse, talvez entregando no dia seguinte, mesmo tendo que ferver as roupas de madrugada, mas, ao final do dia de natal entregaria tudo pronto e receberia a paga costumeira para melhorar a bóia em casa. Coração de mãe. Capricharia nos torresmos, cuques, tortas de lágrimas. Confiava no guri.  Bem instruído, ele foi levar as pesadas trouxas, como se carregasse o mundão sem porteiras sobre os ombros miúdos. 
Entregou, recebeu, viu que era pouco o que pagavam pelo trabalho, mas atenderia à solicitação da querida Mãe. Mas, quando perguntou da nova porção de roupa suja da casa do Dr Aderaldo, foi informado de que não estavam mais interessados no serviço, contratariam empregada barata a preço melhor e que ainda faria tudo, depois, estavam para entrar de férias, iriam pra Iguape, litoral. O menino ficou estacado. Mal deram um tiau seco e sem graça que fosse, fecharam a porta da casa rica na cara azeda dele, e Thiago ficou ali, encostado na enorme porta de cedro e imbuia cheirosa, chorando suas lágrimas, quase beijando a parede, quase mesmo batendo de novo e pedindo pelo amor de Deus, mais uma leva de roupa suja, mais uma porção de serviço, a casa precisava, a mãe contava com aquilo, que fizessem uma caridade. Era Natal e ele estava detravessado. Sensível. Cismou. Reinou. Não voltaria pra casa. Não voltaria nunca mais. Não com as mãos vazias. Não ele. Não daquele jeito.
Ficaria ali. Estava mesmo com tosse de cachorro, a mãe disse, o peito chiara na madrugada fria do dia anterior, um dezembro chuvoso e friorento em Itararé. Se morresse ali, não daria desgosto de dizer pra mãe que não teria mais roupa pra lavar daquela ultima casa freguesa, ou que iria apertar mais a pobreza em sua casa humilde. Sim, ficaria ali, achariam o corpo, dariam o dinheiro pra mãe, ela o abençoaria, "vá com Deus meu curumim, vá morar no céu, piá". Ele não tinha coragem. A mãe pedira. A mãe contava com mais uma lavada pelo menos, naqueles tempos de carestia. Pelo menos morrendo, no jantar daquela noite sobraria mais da rala sopa de fubá com couve rasgada pros irmãos, para as adoradas irmãs, para a mãe adorável que andava dodói da angina, pro pai que estava de cama com úlcera varicosa e assim era impedido de trabalhar. Ali Thiago ficou entrevado, coração transido, alma aflita, mordido de dor. Só por Deus. Entardeceu, anoiteceu. Sobre a beirada da porta da frente da mansão do Dr Aderaldo Martins Mello, na Rua 24 de Outubro, um pacote de renúncias. Foi quando o policial Dito Lima o achou sem querer e salvou a sua vida, pois a morte já fora avisada que uma alma pura de Itararé estava para ser levada para muito além do vale da sombra da morte... 
Na Santa Casa de Misericórdia de Itararé foi uma correria danada, um forfé sem igual, o menino coitadinho para morrer; cobraram doações de sangue, labutaram, uma enfermeira conhecia a familia, foram avisar Dona Lena, o filho achado em petição de desconsolo estava morrendo em frente a casa do doutor rico, a mãe preocupada pensava mesmo em chamar a policia, ia dar parte na cadeia, perguntaram então do porque o menino que entregava roupa não quisera mais voltar pra casa, como ele ainda em tratamento emergencial, talvez entre o pesadelo e o sonho, falara, repetira, suando, descorçoado, determinado, em febre-terçã, preferindo morrer do que não ter como ajudar a mãe prover o lar. 
O Dr. Jonas de Alencar chorou muito depois que o pensou com presteza, mandou trazerem capado do sitio e que doassem pra família junto com farnel de milho verde e manta de charque, entre grãos e tulhas de frutas como laranja-pêra, abacate-manteiga, manga-sapatinho, alguns lambaris salgados também. O enfermeiro Nicanor correu no Armazém do Vereador Tico comprar fiado uma boa cesta básica pra doar como se fosse o seu abençoado presente de natal pra família. Todos no hospital, doadores, serviçais, visitantes, curiosos, gente de coração de ouro de Itararé, cavalheiros como os reis magos, foram acudir aquela família humilde em petição de miséria. Muito além de ouro, incenso e mirra, há o amor, pois o amor é a mão que balança o berço da humanidade, e a esperança é a inteligência da vida. 
Nunca tiveram um mês tão farto naquela casa de tabuinhas, com todos finalmente comendo do bom e do melhor, até que a mãe arrumou freguesia nove e farta, o pai arrumou emprego de acendedor de lampiões de gás de Itararé, o menino Thiago ficou sendo respeitado pelos seus colegas do primário no Grupo Escolar Tomé Teixeira, e quando algum piá maroteiro de rua, com quem joga bola de capotão agora, de ki-chute encardido no pé, pergunta porque ele não quis voltar pra casa, ele enche os olhos de lágrimas, abaixa a cabeça, se assunta e não diz nada. Fica encruado.
Não, não se apruma numa conversa fiada que seja. Sabe só pra ele que dentro do seu coração, de alguma maneira que inventou de inventar,  sentiu uma estrela amarela de Natal alumiando, e ele queria aquela bendita luz, aquele dourado celeste de esperança, para enfeitar a choupana humilde de sua morada na descalça periferia cor-de-rosa de Itararé. 
Sentiu que, talvez porque fosse Natal, mesmo morrendo de frio, de alguma maneira seus familiares não morreriam de fome, pois, algum anjo de pertinho do Menino Jesus do presépio, em sua fé e defesa, operaria o que o pastor João Vera da igreja chamaria de um "Milagre".

terça-feira, dezembro 11

* Noite Feliz - Luiz Vilela




 



Entre, Pai. Entre, Mãe. Entre, Joaquim. Vô Zeca. Vó Mariquinha. Tio Nunes. Rosa. Que bom, que bom que vocês vieram - eu estou tão feliz. Vai ser uma noite linda. Vai ser a noite mais bela de todas. Vamos, sentem, ocupem seus lugares. 
E o Pretinho? Por que o Pretinho não veio? Você também devia ter vindo, Pretinho. Aí eu te pegava e te punha no colo - você era tão macio, tão quentinho. Miau... miau... Que saudades, Pretinho... 
Sentem, sentem. A senhora está tão bonita com esse vestido, Mãe. Vô, o senhor não larga seu cigarrão de palha, hem? E o senhor, Tio Nunes, cuidado, não vai contar aquelas piadas bobagentas. Vó Mariquinha, sabe que a senhora fica muito elegante com esse coque? E a Rosa? Sempre com esse sorriso... Joaquim, quantos anos, hem? Quantos anos... Muita água passou debaixo da ponte... 
E o senhor, Pai? O senhor está tão sério; tão calado. Por que o senhor me olha assim? Por que o senhor não fala nada comigo? Fale, Pai; fale alguma coisa. Não fique me olhando assim. Vocês todos, parem de me olhar desse jeito. Por favor. Meu Deus, meu Deus... Tem dó de mim... Eu não queria isso, juro que eu não queria... 
Não! Não e não! Onde está sua fibra, menina? Minha fibra? Minha fibra está aqui - ora, bolas. Pensaram que eu fosse fraquejar? Pois estão muito enganados. Quem vos fala é a Aristotelina - a Lina. Há meses que eu venho planejando essa noite; pensam que eu vou desistir agora? Nunca. 
Será uma noite única. Será uma noite sem igual. Nem todas as luzes de todas as casas juntas da cidade brilharão mais do que esta casa nesta noite de Natal. Nem todas as luzes de todas as ruas... Ai, Lina, você é impagável; parece que você nunca saiu do palco. Não saí mesmo: você sabe, uma vez atriz... 
Joaquim, lembra daquele Natal em que eu te pedi uma porção de lâmpadas - eu ia iluminar toda a casa, ia fazer um colar de lâmpadas - e aí você me trouxe... Ah, meu Deus... Você me trouxe meia dúzia, Joaquim, meia dúzia de lâmpadas! Então eu falei: o que eu vou fazer com meia dúzia de lâmpadas? O que eu vou fazer? Aí você... Você falou... Eu não lembro... O que você falou?... Eu não lembro... Minha memória... Minha cabeça... 
Noite feliz, noite feliz, o Senhor, Deus de amor, pobrezinho, nasceu em Belém. Não foi fácil: cada garrafa, um posto. Naquele maior, o sujeito: para quê? Eu: não é da sua conta. Ele: se eu não souber, eu não posso vender. Eu, então: é para tirar a cera do assoalho, assoalho de tábuas, casa antiga. Antipático. Depois, no último posto, o rapazinho: e aí, vó, vai virar motorista agora? Vou, eu vou fazer uma viagem pro céu. Então me leva com você, que a coisa aqui na terra tá braba. Mas ele foi gentil, ele foi atencioso. 
Os sinos, eles estão batendo. Missa da meia-noite. Onze e quarenta e cinco. Quinze minutos. Nunca houve ninguém tão só. Nunca alguém, nesse mundo, se sentiu tão só. Nem se eu estivesse - só eu, só eu de gente - nem se eu estivesse lá num deserto de Marte ou lá numa cratera da Lua. Se o telefone tocasse. Se o telefone tocasse, talvez... 
Chega. É hora. A meia-noite se aproxima. Vamos. Noite feliz, noite feliz, o Senhor... Uma garrafa aqui; assim. Outra aqui... Agora essa... Mais essa... E essa... Pronto. Que cheiro forte... Podia ser o cheiro de jasmim que antigamente, nas noites de verão, entrava pela janela aberta e inundava esta sala onde todos nos reuníamos e conversávamos e éramos felizes... 
Meia-noite. Pego esta caixa; tiro um fósforo; risco e... Eis! O fogo!

Nota da blogueira insana: Não gosto de Natal! Fora a conotação religiosa da data que prega a solidariedade, absurdamente ignorada, entendo que ninguém pode ser obrigado a viver um dia de propaganda de margarina, cenário familiar perfeito, para ser obrigatoriamente feliz.
Antes que apareçam idiotas com teorias a meu respeito, tenho família, como muitas outras pessoas, que se juntam no Natal, trocam presentes, se acabam em mesas fartas, alheias às dores do mundo.
Não gosto do Natal, desde criança, quando as cores e luzes da árvore de Natal me encantavam, e a imagem de um Papai Noel hipotético e patético preso numa chaminé inventada, me fazia rir. Sou tomada por uma tristeza inexplicável, que festa nenhuma poderia curar, presente nenhum poderia amenizar...
Esse será o tom até o Natal, vou extravasar a dor do mundo que toma conta de mim, sem pudor... E quem quiser, que dê sugestões de presentes, ceia de natal e roupinhas adequadas.
Eu vou entender...!


 

segunda-feira, dezembro 10

* Informação nua e crua..



Já falei muito sobre por aqui e quando acreditei que o assunto estava esgotado, me deparo com essa notícia que vou publicar na íntegra.
Sem mais comentários.

"Número de mulheres assassinadas por mês no Brasil salta de 113 para 372

MULHERES EM RISCO
O número de mulheres assassinadas a cada mês no Brasil saltou de 113 para 372 em 30 anos. Os índices foram levantados pelo IAB (Instituto Avante Brasil) a partir de dados do Datasus, do Ministério da Saúde.

A CADA DUAS HORAS
No início da década de 1980, uma mulher era assassinada a cada 6h28m28s no país. A escalada da violência fez com que o intervalo diminuísse.
Hoje, a cada 1h57m43s, há uma vítima de homicídio nesta parcela da população.

DELITÔMETRO
O IAB, criado pelo jurista Luiz Flávio Gomes, idealizou um "delitômetro" que apura em tempo real o número de homicídios de mulheres no país. O cronômetro está disponível no site da entidade, junto com outro índice que faz o cálculo de mortes no trânsito e assassinatos em geral."(Coluna de Mônica Bérgamo)

Eu não ia comentar, mas vou! Depois, é enojante ver homens "em estado de choque", chorando, declarando que não lembram bem o que aconteceu! Sería só coincidência aumentar a violência contra a mulher, exatamente quando a mulher brasileira acorda para a necessidade de independência financeira, de direito à felicidade?

domingo, dezembro 9

* Conto de Natal - Rubem Braga





Sem dizer uma palavra, o homem deixou a estrada andou alguns metros no pasto e se deteve um instante diante da cerca de arame farpado. A mulher seguiu-o sem compreender, puxando pela mão o menino de seis anos.
— Que é?
O homem apontou uma árvore do outro lado da cerca. Curvou-se, afastou dois fios de arame e passou. O menino preferiu passar deitado, mas uma ponta de arame o segurou pela camisa. O pai agachou-se zangado: 
— Porcaria...
Tirou o espinho de arame da camisinha de algodão e o moleque escorregou para o outro lado. Agora era preciso passar a mulher. O homem olhou-a um momento do outro lado da cerca e procurou depois com os olhos um lugar em que houvesse um arame arrebentado ou dois fios mais afastados.
— Péra aí...
Andou para um lado e outro e afinal chamou a mulher. Ela foi devagar, o suor correndo pela cara mulata, os passos lerdos sob a enorme barriga de 8 ou 9 meses.
— Vamos ver aqui...
Com esforço ele afrouxou o arame do meio e puxou-o para cima.
Com o dedo grande do pé fez descer bastante o de baixo.
Ela curvou-se e fez um esforço para erguer a perna direita e passá-la para o outro lado da cerca. Mas caiu sentada num torrão de cupim!
— Mulher!
Passando os braços para o outro lado da cerca o homem ajudou-a a levantar-se. Depois passou a mão pela testa e pelo cabelo empapado de suor.
— Péra aí...
Arranjou afinal um lugar melhor, e a mulher passou de quatro, com dificuldade. Caminharam até a árvore, a única que havia no pasto, e sentaram-se no chão, à sombra, calados.
O sol ardia sobre o pasto maltratado e secava os lameirões da estrada torta. O calor abafava, e não havia nem um sopro de brisa para mexer uma folha.
De tardinha seguiram caminho, e ele calculou que deviam faltar umas duas léguas e meia para a fazenda da Boa Vista quando ela disse que não agüentava mais andar. E pensou em voltar até o sítio de «seu» Anacleto.
— Não...
Ficaram parados os três, sem saber o que fazer, quando começaram a cair uns pingos grossos de chuva. O menino choramingava.
— Eh, mulher...
Ela não podia andar e passava a mão pela barriga enorme. Ouviram então o guincho de um carro de bois.
— Oh, graças a Deus...
Às 7 horas da noite, chegaram com os trapos encharcados de chuva a uma fazendinha. O temporal pegou-os na estrada e entre os trovões e relâmpagos a mulher dava gritos de dor.
— Vai ser hoje, Faustino, Deus me acuda, vai ser hoje.
O carreiro morava numa casinha de sapé, do outro lado da várzea. A casa do fazendeiro estava fechada, pois o capitão tinha ido para a cidade há dois dias.
— Eu acho que o jeito...
O carreiro apontou a estrebaria. A pequena família se arranjou lá de qualquer jeito junto de uma vaca e um burro.
No dia seguinte de manhã o carreiro voltou. Disse que tinha ido pedir uma ajuda de noite na casa de “siá” Tomásia, mas “siá” Tomásia tinha ido à festa na Fazenda de Santo Antônio. E ele não tinha nem querosene para uma lamparina, mesmo se tivesse não sabia ajudar nada. Trazia quatro broas velhas e uma lata com café.
Faustino agradeceu a boa-vontade. O menino tinha nascido. O carreiro deu uma espiada, mas não se via nem a cara do bichinho que estava embrulhado nuns trapos sobre um monte de capim cortado, ao lado da mãe adormecida.
— Eu de lá ouvi os gritos. Ô Natal desgraçado!
— Natal?
Com a pergunta de Faustino a mulher acordou.
— Olhe, mulher, hoje é dia de Natal. Eu nem me lembrava...
Ela fez um sinal com a cabeça: sabia. Faustino de repente riu. Há muitos dias não ria, desde que tivera a questão com o Coronel Desidério que acabara mandando embora ele e mais dois colonos. Riu muito, mostrando os dentes pretos de fumo: 
— Eh, mulher, então “vâmo” botar o nome de Jesus Cristo!
A mulher não achou graça. Fez uma careta e penosamente voltou a cabeça para um lado, cerrando os olhos. O menino de seis anos tentava comer a broa dura e estava mexendo no embrulho de trapos:
— Eh, pai, vem vê...
— Uai! Péra aí...
O menino Jesus Cristo estava morto.

sexta-feira, dezembro 7

* Um dia de fúria!



Mulher destrói carro a marretadas em São Paulo

Uma mulher ruiva tira um martelo da bolsa e, no meio de uma multidão, começa a destruir um carro.  A cena surpreendente ocorreu em São Paulo, na Vila Olímpia, bairro com grande concentração de escritórios. 
A ação chamou atenção de pedestres e motoristas, e foi filmada por diversas pessoas. Após o ataque de fúria, a mulher vai embora calmamente e é aplaudida por uma multidão atônita. Um desses vídeos foi publicado no YouTube nesta quinta-feira (6). Ainda não há informação sobre o motivo do ataque.
 
 
O assunto pode ser melhor classificado como mulheragem..rs, de qualquer forma, o feliz proprietário do carro de luxo deve agradecer aos céus por não estar dentro dele.....
Vídeo melhor sem o audio com os comentários de uma mulher muito chata!