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domingo, fevereiro 17

* E dai?




A blogueira cubana Yoani Sánchez chegou ao Aeroporto Internacional Deputado Luís Eduardo Magalhães, em Salvador, por volta das 8h50 desta segunda-feira (18). Ela foi recebida por um grupo de cerca de 30 manifestantes da União da Juventude Socialista. Ela deixou o aeroporto sem passar pelo saguão de desembarque e sem falar com os jornalistas.

Ao chegar ao Recife, onde deembarcou durante a madrugada desta segunda feira, ela também foi recebida por um grupo de manifestantes pró-Cuba.

Após desembarcar na Bahia, ela seguiu de carro para a cidade de Feira de Santana, localizada a cerca de 100 km da capital baiana, com o amigo e cineasta baiano Dado Galvão, que a recepcionou no Recife. Após viagem pelo Brasil, a blogueira irá também para a República Tcheca, Espanha, México,
.........., bla bla bla..., mi mi mi...., nhem nhem nhem.....

E daí?
Daí.., manifestações contra e a favor e a Globo se ocupando do assunto em tempo integral....
E dai eu pergunto, E DAÍ?

Que saco!


 

quarta-feira, janeiro 23

* Alô governador Alckmin...!


PM dá ordem para abordar ‘negros e pardos’

Instrução de comandante de batalhão se baseou na descrição de vítima de assalto em bairro luxuoso Thaís Nunes (Terra)

Desde o dia 21 de dezembro do ano passado, policiais militares do bairro Taquaral, um dos mais nobres de Campinas, cumprem a ordem de abordar “indivíduos em atitude suspeita, em especial os de cor parda e negra”. A orientação foi dada pelo oficial que chefia a companhia responsável pela região, mas o Comando da PM nega teor racista na determinação.

O documento assinado pelo capitão Ubiratan de Carvalho Góes Beneducci orienta a tropa a agir com rigor, caso se depare com jovens de 18 a 25 anos, que estejam em grupos de três a cinco pessoas e tenham a pele escura. Essas seriam as características de um suposto grupo que comete assaltos a residências no bairro.

A ordem do oficial foi motivada por uma carta de dois moradores. Um deles foi vítima de um roubo e descreveu os criminosos dessa maneira. Nenhum deles, entretanto, foi identificado pela Polícia Militar para que as abordagens fossem direcionadas nesse sentido.
Para o frei Galvão, da Educafro, a ordem de serviço dá a entender que, caso os policiais cruzem com um grupo de brancos, não há perigo. Na manhã de hoje, ele pretende enviar um pedido de explicações ao governador Geraldo Alckmin e ao secretário da Segurança Pública, Fernando Grella.
O DIÁRIO solicitou entrevista com o capitão Beneducci, sem sucesso. A reportagem também pediu outro ofício semelhante, em que o alvo das abordagens fosse um grupo de jovens brancos, mas não obteve resposta até o fim desta edição.

COMÉ QUIÉ GOVERNADOR? NO BAIRRO DO TAQUARAL EM CAMPINAS, PRETOS E PARDOS SÃO SUSPEITOS APENAS POR CIRCULAR? 

segunda-feira, dezembro 17

* Que isso nos inspire a ser melhores!

 
Que fique claro que não quero justificar a atitude desse jovem ou desrespeitar a dor das famílias que tiveram suas crianças mortas na escola Sandy Hook, em Newtown, pequena cidade americana, mas está na hora de pensarmos no que estamos fazendo de nossos jovens nesse mundo competitivo, sem respeito as limitações e as individualidades.
 
 
NEWTOWN, Estados Unidos - Família e amigos se lembram de Adam Lanza, o suposto autor do massacre na escola Sandy Hook, em Newtown, como uma pessoa inteligente, nerd, gótica, distante, tímida e calma. Discreto, era alto, magro e pálido, estava sempre com as mãos nos bolsos da calça e gostava de usar camisa de botão. Bom aluno, graduou-se no ensino médio em 2010 e ficava desconfortável em eventos sociais. Nem mesmo no anuário da sua formatura quis se deixar ser fotografado. Em vez de uma imagem sua, havia um espaço em branco com a frase “camera shy” (tímido em frente às câmeras).
Durante sua vida deixou poucos rastros, até mesmo na internet. Não tinha perfil no Facebook ou em outras redes sociais. Participava apenas de um grupo de jogos online. Segundo investigação da polícia, Adam sofria de um transtorno social e tomava medicação. Antigos colegas que foram interrogados afirmaram que ele teria Síndrome de Asperger, uma espécie de autismo.
Outras pessoas próximas garantem que Adam tinha problemas e que isso era evidente há bastante tempo. Beth Israel, cuja filha estudou com o atirador, contou ao “New York Post” que o jovem foi uma criança “problemática”. Justin Germark, de 17 anos, era vizinho de Adam e sabia que o rapaz tinha “uma condição especial”.
— Dava para reparar facilmente — disse Germark ao tabloide. — Mas não diria que ele era antissocial. Parecia alguém lutando para ser social.
Joshua Milas, que participava do grupo de jogos, disse que ele era geralmente uma pessoa feliz, mas que não o via há alguns anos.
— Ele era um bom garoto, inteligente — disse Milas ao “Daily Mail”. — Ele foi uma das pessoas mais inteligentes que conheci. Provavelmente um gênio.

Filho mais novo da professora de escola primária Nancy (que foi encontrada morta, segundo os policiais, em sua casa, com um tiro no rosto) e do diretor fiscal da General Electric Peter Lanza, Adam morava apenas com a mãe. Os pais se separaram em 2008, quando o executivo se mudou para Stamford e se casou com uma bibliotecária da Universidade de Connecticut. O irmão mais velho de Adam, Ryan, de 24 anos, se mudou para Hoboken, Nova Jersey, onde estuda.
Amigos da família lembram de Nancy como uma mãe dedicada e protetora, que passava bastante tempo em casa. Segundo informações da CNN, três das armas (pistolas de calibre 9mm e um rifle semiautomático) encontradas na escola foram compradas legalmente por Nancy. A Associated Press informou que, de acordo com a polícia, Nancy possuía cinco armas de fogo. Todas registradas em Connecticut.
Dan Holmes, dono de uma empresa de paisagismo, descreveu Nancy Lanza à Associated Press como uma ávida colecionadora de armas de fogo, que uma vez mostrou a ele um rifle que ela havia acabado de comprar.
— Ela disse que frequentemente levava os filhos para atirar.
Em interrogatório, Ryan contou às autoridades que acreditava que seu irmão sofresse de “transtorno de personalidade” e garantiu que não tinha contato desde 2010, quando mudou de cidade para estudar. Ainda assim, os investigadores continuaram buscando pistas nos computadores e registros telefônicos de Ryan.
O pai ainda não foi interrogado. A avó materna, Dorothy Hanson, 78 anos, moradora de Brooksville, Flórida, ficou nervosa ao ser procurada por jornalistas. Disse que não soube de nada oficial, não sabia de nada da história, não tinha falado nem com a filha nem com seus netos e começou a chorar, desligando o telefone em seguida.
Colegas da Universidade de Connecticut não conseguiam se aproximar de Adam. Ao “NYT”, Matt Baier, que sentou ao seu lado durante um ano, nas aulas de matemática, não lembra de ele ter dito uma palavra durante o período:
— Mas ele tirava notas altas.
Já a estudante Olivia DeVivo, também da Universidade de Connecticut, tem outra opinião.
— Acho que não foi dado a ele o tipo certo de atenção ou ajuda. Ele passava despercebido, e, por isso, ninguém conseguiu notar que estava sendo montada uma tragédia bem aqui — disse Olivia, também ao “NYT”, lembrando que Adam costumava falar sobre alienígenas e em explodir coisas, mas, à época, considerou isso mais uma conversa típica de adolescentes.
Ainda assim, após saber da tragédia, Olivia entrou em contato com amigos que moram em Newtown.
— Eles não ficaram surpresos — comentou ela. — Disseram que o Adam sempre deu pistas de que seria capaz de fazer isso já que simplesmente não se conectava com a nossa escola e nem com a nossa cidade. Eu nunca o vi com ninguém. 
Um ex-colega não identificado declarou que já tinha percebido algum transtorno na rapaz. 
— Quando você olhava para ele, dava para perceber todas as emoções passando pela sua cabeça.
 
 
Outros ainda afirmaram que Adam ficava desconfortável quando pessoas que não o entendiam riam dele.
Até agora, as autoridades não falaram publicamente de um possível motivo para Adam cometer os assassinatos. Eles não encontraram, por enquanto, nenhum bilhete ou carta e Adam não tinha antecedentes criminais. Testemunhas disseram ainda que o atirador não disse uma única palavra ao entrar atirando na escola.
"Ele atirou para entrar e depois seguiu para a primeira sala de aula, como sabem, depois para a segunda sala de aula", disse Malloy.
As autoridades acreditam que, enquanto atirava na segunda sala, o criminoso ouviu a chegada da polícia e das equipes de emergência e cometeu suicídio.
O balanço total de mortos é de 28 pessoas: 20 crianças de seis e sete anos, seis adultos que trabalhavam na escola, o atirador e sua mãe, que foi morta em casa.
Já se sabe que sua mãe, professora, exigia muito dele, para que fosse o melhor, que superasse sempre os amigos e a si mesmo. Foi a primeira a morrer com um tiro no rosto, com uma das muitas armas que colecionava.
'Que isso nos inspire a ser melhores', disse o americano Robbie Parker, pai de Emilie Parker, uma menina adorável como todas as crianças de 6 anos, morta no tiroteio da escola de Connecticut. 
 
 

 

quarta-feira, outubro 3

* CREEEEDOOOOOO!!! "ERRAMOS" FEIIIOOOOO!


O blog teve uma visita de KUALA LUMPUR, fui ver lá na Wikipédia onde fica, como é,  e veja só o que encontrei!!!!:


"Kuala Lumpur é a capital federal e a cidade mais populosa do Brasil . A cidade ocupa uma área de 243 km 2 (94 sq mi) e tem uma população estimada de 1,6 milhões em 2012. Grande Kuala Lumpur , também conhecido como o Vale Klang , é uma aglomeração urbana de 7,2 milhões. , está entre as regiões que mais crescem metropolitanas do país, em termos de população e economia."



 
PELAAAMOR GENTE, VAMOS CORRIGIR ISSO! Que erro grosseiro... A Wikipédia é fonte de pesquisa para estudantes de todo mundo!!!




Nota do ENEPA: À propósito, muito me lisonjeia uma visita dessa linda cidade da Malásia, muito obrigada!

 


 

segunda-feira, setembro 17

* Carta Aberta a FHC



Meu caro Fernando, 

Vejo-me na obrigação de responder a carta aberta que você dirigiu ao Lula, em nome de uma velha polêmica que você e o José Serra iniciaram em 1978 contra o Rui Mauro Marini, eu, André Gunder Frank e Vânia Bambirra, rompendo com um esforço teórico comum que iniciamos no Chile na segunda metade dos nos 1960. 

A discussão agora não é entre os cientistas sociais e sim a partir de uma experiência política que reflete, contudo este debate teórico. Esta carta assinada por você como ex-presidente é uma defesa muito frágil teórica e politicamente de sua gestão. Quem a lê não pode compreender porque você saiu do governo com 23% de aprovação enquanto Lula deixa o seu governo com 96% de aprovação. Já discutimos em várias oportunidades os mitos que se criaram em torno dos chamados êxitos do seu governo. Já no seu governo, vários estudiosos discutimos, o inevitável caminho de seu fracasso junto à maioria da população. Pois as premissas teóricas em que baseava sua ação política eram profundamente equivocadas e contraditórias com os interesses da maioria da população. (Se os leitores têm interesse de conhecer o debate sobre estas bases teóricas lhe recomendo meu livro já esgotado: Teoria da Dependência: Balanço e Perspectivas, Editora Civilização Brasileira, Rio, 2000). Contudo nesta oportunidade me cabe concentrar-me nos mitos criados em torno do seu governo, os quais você repete exaustivamente nesta carta aberta. O primeiro mito é de que seu governo foi um êxito econômico a partir do fortalecimento do real e que o governo Lula estaria apoiado neste êxito alcançando assim resultados positivos que não quer compartilhar com você… Em primeiro lugar vamos desmitificar a afirmação de que foi o plano real que acabou com a inflação. Os dados mostram que até 1993 a economia mundial vivia uma hiperinflação na qual todas as economias apresentavam inflações superiores a 10%. A partir de 1994, TODAS AS ECONOMIAS DO MUNDO APRESENTARAM UMA QUEDA DA INFLAÇÃO PARA MENOS DE 10%. Claro que em cada país apareceram os “gênios” locais que se apresentaram como os autores desta queda. Mas isto é falso: tratava-se de um movimento planetário. No caso brasileiro, a nossa inflação girou, durante todo seu governo, próxima dos 10% mais altos. TIVEMOS NO SEU GOVERNO UMA DAS MAIS ALTAS INFLAÇÕES DO MUNDO. E aqui chegamos ao outro mito incrível. Segundo você e seus seguidores (e até setores de oposição ao seu governo que acreditam neste mito) sua política econômica assegurou a transformação do real numa moeda forte. Ora Fernando, sejamos cordatos: chamar uma moeda que começou em 1994 valendo 0,85 centavos por dólar e mantendo um valor falso até 1998, quando o próprio FMI exigia uma desvalorização de pelo menos uns 40% e o seu ministro da economia recusou-se a realizá-la “pelo menos até as eleições”, indicando assim a época em que esta desvalorização viria e quando os capitais estrangeiros deveriam sair do país antes de sua desvalorização, O fato é que quando você flexibilizou o cambio o real se desvalorizou chegando até a 4,00 reais por dólar. E não venha por a culpa da “ameaça petista”, pois esta desvalorização ocorreu muito antes da “ameaça Lula”. ORA, UMA MOEDA QUE SE DESVALORIZA 4 VEZES EM 8 ANOS PODE SER CONSIDERADA UMA MOEDA FORTE? Em que manual de economia? Que economista respeitável sustenta esta tese? Conclusões: O plano Real não derrubou a inflação e sim uma deflação mundial que fez cair as inflações no mundo inteiro. A inflação brasileira continuou sendo uma das maiores do mundo durante o seu governo. O real foi uma moeda drasticamente debilitada. Isto é evidente: quando nossa inflação esteve acima da inflação mundial por vários anos, nossa moeda tinha que ser altamente desvalorizada. De maneira suicida ela foi mantida artificialmente com um alto valor que levou à crise brutal de 1999.
Segundo mito – Segundo você, o seu governo foi um exemplo de rigor fiscal. Meu Deus: um governo que elevou a dívida pública do Brasil de uns 60 bilhões de reais em 1994 para mais de 850 bilhões de dólares quando entregou o governo ao Lula, oito anos depois, é um exemplo de rigor fiscal? Gostaria de saber que economista poderia sustentar esta tese. Isto é um dos casos mais sérios de irresponsabilidade fiscal em toda a história da humanidade. E não adianta atribuir este endividamento colossal aos chamados “esqueletos” das dívidas dos estados, como o fez seu ministro de economia burlando a boa fé daqueles que preferiam não enfrentar a triste realidade de seu governo. Um governo que chegou a pagar 50% ao ano de juros por seus títulos para, em seguida, depositar os investimentos vindos do exterior em moeda forte a juros nominais de 3 a 4%, não pode fugir do fato de que criou uma dívida colossal só para atrair capitais do exterior para cobrir os déficits comerciais colossais gerados por uma moeda sobrevalorizada que impedia a exportação, agravada ainda mais pelos juros absurdos que pagava para cobrir o déficit que gerava. Este nível de irresponsabilidade cambial se transforma em irresponsabilidade fiscal que o povo brasileiro pagou sob a forma de uma queda da renda de cada brasileiro pobre. Nem falar da brutal concentração de renda que esta política agravou drasticamente neste país da maior concentração de renda no mundo. Vergonha, Fernando. Muita vergonha. Baixa a cabeça e entenda porque nem seus companheiros de partido querem se identificar com o seu governo… te obrigando a sair sozinho nesta tarefa insana.
Terceiro mito – Segundo você, o Brasil tinha dificuldade de pagar sua dívida externa por causa da ameaça de um caos econômico que se esperava do governo Lula. Fernando, não brinca com a compreensão das pessoas. Em 1999 o Brasil tinha chegado à drástica situação de ter perdido TODAS AS SUAS DIVISAS. Você teve que pedir ajuda ao seu amigo Clinton que colocou à sua disposição os 20 bilhões de dólares do tesouro dos Estados Unidos e mais uns 25 BILHÕES DE DÓLARES DO FMI, Banco Mundial e BID. Tudo isto sem nenhuma garantia. Esperava-se aumentar as exportações do país para gerar divisas para pagar esta dívida. O fracasso do setor exportador brasileiro mesmo com a espetacular desvalorização do real não permitiu juntar nenhum recurso em dólar para pagar a dívida. Não tem nada a ver com a ameaça de Lula. A ameaça de Lula existiu exatamente em consequência deste fracasso colossal de sua política macroeconômica. Sua política externa submissa aos interesses norte-americanos, apesar de algumas declarações críticas, ligava nossas exportações a uma economia decadente e um mercado já copado. A recusa dos seus neoliberais de promover uma política industrial na qual o Estado apoiava e orientava nossas exportações. A loucura do endividamento interno colossal. A impossibilidade de realizar inversões públicas apesar dos enormes recursos obtidos com a venda de uns 100 bilhões de dólares de empresas brasileiras. Os juros mais altos do mundo que inviabilizava e ainda inviabiliza a competitividade de qualquer empresa. Enfim, UM FRACASSO ECONOMICO ROTUNDO que se traduzia nos mais altos índices de risco do mundo, mesmo tratando-se de avaliadoras amigas. Uma dívida sem dinheiro para pagar… Fernando, o Lula não era ameaça de caos. Você era o caos. E o povo brasileiro correu tranquilamente o risco de eleger um torneiro mecânico e um partido de agitadores, segundo a avaliação de vocês, do que continuar a aventura econômica que você e seu partido criaram para este país.
Gostaria de destacar a qualidade do seu governo em algum campo, mas não posso fazê-lo nem no campo cultural para o qual foi chamado o nosso querido Francisco Weffort (neste então secretário geral do PT) e não criou um só museu, uma só campanha significativa. Que vergonha foi a comemoração dos 500 anos da “descoberta do Brasil”. E no plano educacional onde você não criou uma só universidade e entrou em choque com a maioria dos professores universitários sucateados em seus salários e em seu prestígio profissional. Não Fernando, não posso reconhecer nada que não pudesse ser feito por um medíocre presidente. Lamento muito o destino do Serra. Se ele não ganhar esta eleição vai ficar sem mandato, mas esta é a política. Vocês vão ter que revisar profundamente esta tentativa de encerrar a Era Vargas com a qual se identifica tão fortemente nosso povo. E terão que pensar que o capitalismo dependente que São Paulo construiu não é o que o povo brasileiro quer. E por mais que vocês tenham alcançado o domínio da imprensa brasileira, devido suas alianças internacionais e nacionais, está claro que isto não poderia assegurar ao PSDB um governo querido pelo nosso povo. Vocês vão ficar na nossa história com um episódio de reação contra o verdadeiro progresso que Dilma nos promete aprofundar. Ela nos disse que a luta contra a desigualdade é o verdadeiro fundamento de uma política progressista. E dessa política vocês estão fora. Apesar de tudo isto, me dá pena colocar em choque tão radical uma velha amizade. Apesar deste caminho tão equivocado, eu ainda gosto de vocês (e tenho a melhor recordação de Ruth), mas quero vocês longe do poder no Brasil. Como a grande maioria do povo brasileiro. Poderemos bater um papo inocente em algum congresso internacional se é que vocês algum dia voltarão a frequentar este mundo dos intelectuais afastados das lides do poder. 
Com a melhor disposição possível, mas com amor à verdade, me despeço.
Theotonio dos Santos
 
Theotonio dos Santos Júnior, mineiro de Carangola, nascido em 11 de novembro de 1936 é um economista brasileiro. Um dos formuladores da teoria da dependência, atualmente é um dos principais expoentes da teoria do sistema-mundo.
Mestre em Ciência Política pela Universidade de Brasília, doutor em economia pela Universidade Federal de Minas Gerais. Professor emérito da Universidade Federal Fluminense. Coordenador da Cátedra e Rede da UNESCO e da UNU sobre economia global e desenvolvimento sustentável (a REGGEN).
Entre seus aportes teóricos mais destacados à economia e às ciências sociais estão a contribuição à formulação geral do conceito de dependência, à periodização das diversas fases da dependência na história da acumulação capitalista mundial, à caracterização das estruturas internas dependentes e a definição dos mecanismos reprodutivos da dependência. Tem trabalhado também sobre a teoria dos ciclos, a dinâmica de longo prazo do capitalismo e a teoria do sistema-mundo. Outra contribuição teórica foi a formulação do conceito de "civilização planetária".
Bacharel em sociologia e política pela Universidade Federal de Minas Gerais; mestre em ciência política pela Universidade de Brasília; doutor notório saber pela Universidade Federal de Minas Gerais e doutor notório saber pela Universidade Federal Fluminense. Comendador da Ordem do Rio Branco (Brasil). Doutor honoris causa pela Universidad Ricardo Palma (Lima, Peru), Universidad Nacional Mayor de San Marcos (Lima, Peru) e Universidad de Buenos Aires (Buenos Aires, Argentina).
Autor de 38 livros, coautor ou colaborador de 78 livros, com 150 artigos publicados em revistas científicas, e uma vasta colaboração na imprensa periódica, seus trabalhos foram publicados em 16 línguas.(wikipédia)
 
Aos que não tiveram acesso à carta de Fernando Henrique segue abaixo seu conteúdo.


CARTA ABERTA DE FERNANDO HENRIQUE CARDOSO A LULA / PT
O presidente Lula passa por momentos de euforia que o levam a inventar inimigos e enunciar inverdades. Para ganhar sua guerra imaginária, distorce o ocorrido no governo do antecessor, autoglorifica-se na comparação e sugere que se a oposição ganhar será o caos. Por trás dessas bravatas está o personalismo e o fantasma da intolerância: só eu e os meus somos capazes de tanta glória. Houve quem dissesse “o Estado sou eu”. Lula dirá, o Brasil sou eu! Ecos de um autoritarismo mais chegado à direita.
Lamento que Lula se deixe contaminar por impulsos tão toscos e perigosos. Ele possui méritos de sobra para defender a candidatura que queira. Deu passos adiante no que fora plantado por seus antecessores. Para que, então, baixar o nível da política à dissimulação e à mentira?
A estratégia do petismo-lulista é simples: desconstruir o inimigo principal, o PSDB e FHC (muita honra para um pobre marquês…). Por que seríamos o inimigo principal? Porque podemos ganhar as eleições. Como desconstruir o inimigo? 
Negando o que de bom foi feito e apossando-se de tudo que dele herdaram como se deles sempre tivesse sido. Onde está a política mais consciente e benéfica para todos? No ralo. 
Na campanha haverá um mote – o governo do PSDB foi “neoliberal” – e dois alvos principais: a privatização das estatais e a suposta inação na área social. Os dados dizem outra coisa. Mas os dados, ora os dados… O que conta é repetir a versão conveniente. Há três semanas Lula disse que recebeu um governo estagnado, sem plano de desenvolvimento. Esqueceu-se da estabilidade da moeda, da lei de responsabilidade fiscal, da recuperação do BNDES, da modernização da Petrobras, que triplicou a produção depois do fim do monopólio e, premida pela competição e beneficiada pela flexibilidade, chegou à descoberta do pré-sal. 
Esqueceu-se do fortalecimento do Banco do Brasil, capitalizado com mais de R$ 6 bilhões e, junto com a Caixa Econômica, libertados da politicagem e recuperados para a execução de políticas de Estado.
Esqueceu-se dos investimentos do programa Avança Brasil, que, com menos alarde e mais eficiência que o PAC, permitiu concluir um número maior de obras essenciais ao país. Esqueceu-se dos ganhos que a privatização do sistema Telebrás trouxe para o povo brasileiro, com a democratização do acesso à internet e aos celulares, do fato de que a Vale privatizada paga mais impostos ao governo do que este jamais recebeu em dividendos quando a empresa era estatal, de que a Embraer, hoje orgulho nacional, só pôde dar o salto que deu depois de privatizada, de que essas empresas continuam em mãos brasileiras, gerando empregos e desenvolvimento no país. 
Esqueceu-se de que o país pagou um custo alto por anos de “bravata” do PT e dele próprio. Esqueceu-se de sua responsabilidade e de seu partido pelo temor que tomou conta dos mercados em 2002, quando fomos obrigados a pedir socorro ao FMI – com aval de Lula, diga-se – para que houvesse um colchão de reservas no início do governo seguinte. Esqueceu-se de que foi esse temor que atiçou a inflação e levou seu governo a elevar o superávit primário e os juros às nuvens em 2003, para comprar a confiança dos mercados, mesmo que à custa de tudo que haviam pregado, ele e seu partido, nos anos anteriores. 
Os exemplos são inúmeros para desmontar o espantalho petista sobre o suposto “neoliberalismo” peessedebista. Alguns vêm do próprio campo petista. Vejam o que disse o atual presidente do partido, José Eduardo Dutra, ex-presidente da Petrobras, citado por Adriano Pires, no Brasil Econômico de 13/1/2010.
“Se eu voltar ao parlamento e tiver uma emenda propondo a situação anterior (monopólio), voto contra. Quando foi quebrado o monopólio, a Petrobras produzia 600 mil barris por dia e tinha 6 milhões de barris de reservas. Dez anos depois, produz 1,8 milhão por dia, tem reservas de 13 bilhões. Venceu a realidade, que muitas vezes é bem diferente da idealização que a gente faz dela”. (José Eduardo Dutra) 
O outro alvo da distorção petista refere-se à insensibilidade social de quem só se preocuparia com a economia. Os fatos são diferentes: com o Real, a população pobre diminuiu de 35% para 28% do total. A pobreza continuou caindo, com alguma oscilação, até atingir 18% em 2007, fruto do efeito acumulado de políticas sociais e econômicas, entre elas o aumento do salário mínimo. De 1995 a 2002, houve um aumento real de 47,4%; de 2003 a 2009, de 49,5%. O rendimento médio mensal dos trabalhadores, descontada a inflação, não cresceu espetacularmente no período, salvo entre 1993 e 1997, quando saltou de R$ 800 para aproximadamente R$ 1.200. Hoje se encontra abaixo do nível alcançado nos anos iniciais do Plano Real.
Por fim, os programas de transferência direta de renda (hoje Bolsa-Família), vendidos como uma exclusividade deste governo. Na verdade, eles começaram em um município (Campinas) e no Distrito Federal, estenderam-se para Estados (Goiás) e ganharam abrangência nacional em meu governo. O Bolsa-Escola atingiu cerca de 5 milhões de famílias, às quais o governo atual juntou outras 6 milhões, já com o nome de Bolsa-Família, englobando em uma só bolsa os programas anteriores. 
É mentira, portanto, dizer que o PSDB “não olhou para o social”. Não apenas olhou como fez e fez muito nessa área: o SUS saiu do papel à realidade; o programa da aids tornou-se referência mundial; viabilizamos os medicamentos genéricos, sem temor às multinacionais; as equipes de Saúde da Família, pouco mais de 300 em 1994, tornaram-se mais de 16 mil em 2002; o programa “Toda Criança na Escola” trouxe para o Ensino Fundamental quase 100% das crianças de sete a 14 anos. Foi também no governo do PSDB que se pôs em prática a política que assiste hoje a mais de 3 milhões de idosos e deficientes (em 1996, eram apenas 300 mil). 
Eleições não se ganham com o retrovisor. O eleitor vota em quem confia e lhe abre um horizonte de esperanças. Mas se o lulismo quiser comparar, sem mentir e sem descontextualizar, a briga é boa. Nada a temer. 
Fernando Henrique Cardoso



terça-feira, setembro 11

* A elite "cheirosa" lidera o rancking de FICHAS SUJAS.

 
 
 
 


TSE adverte: PSDB é ficha suja  

A notícia é de sábado, mas vale a pena a gente analisá-la, até para suprir o estrondoso silêncio que os medalhões do colunismo nacional fizeram sobre o assunto. A menos que eu tenha perdido algo, não vi nenhum editorial, nenhuma coluna. Mesmo as sessões de cartas parecem não ter dado muita atenção ao caso. A Folha publicou apenas uma carta de leitor, bem educada, de uma senhora chamada Fabiana Tambellini.
*****
10/09/2012 – 07h00
Leitora observa que PSDB lidera o ranking dos fichas-sujas
LEITORA FABIANA TAMBELLINI DE SÃO PAULO (SP) 
Surpreendeu-me o levantamento apresentado pela Folha cruzando candidatos impedidos pela Lei da Ficha Limpa e partidos políticos. O PMDB tem fama de fisiológico e o PT está enroscado com o julgamento do mensalão, mas quem lidera o ranking dos “fichas-sujas” é o PSDB, que por esses dias tem destacado a questão da honestidade e moral em suas campanhas. Que ironia. 
*****
A surpresa de Tambellini se deve ao fato de que, no site, a Folha não dá destaque à posição de liderança no PSDB neste nobre ranking.
Na edição impressa, porém, tiremos o chapéu para a Folha por dar o merecido destaque em manchete.
Abaixo o infográfico com o ranking dos partidos que tiveram mais candidaturas à prefeito barradas pela lei da Ficha Limpa.
 


 
O Globo, curiosamente, não dá uma linha sobre o ranking do TSE…
Esta tabela significa uma pá de cal na pretensão do PSDB de se vender como contraponto aos “mensaleiros”, aos “petralhas”, enfim, aos “corruptos” do PT.
A tabela se soma à pesquisa do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), que leventou dados de 2000 a 2006, e preparou um ranking dos partidos mais corruptos do país. O resultado também já é bastante conhecido na web, mas repetimos aqui:

 
Poderíamos ainda chamar a atenção para o ranking por estado, onde encontraremos os conservadores estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul sempre na liderança do ranking dos mais corruptos, negando teses de que os nordestinos “analfabetos e ignorantes” seriam os culpados pela corrupção na política nacional.
Repare que no ranking de políticos já cassados, Minas Gerais figura em primeiro lugar. No ranking de políticos com processos em andamento, o campeão é São Paulo.
Número de políticos cassados por Unidade da Federação
No quadro abaixo são apresentados os números dos atingidos por UF e o percentual que representam no cenário total de 623 cassações.

 
Processos em andamento (Eleições 2006)

Segundo dado fornecido pela Corregedoria Geral Eleitoral que remeteu consulta nesse sentido a todos os tribunais regionais eleitorais por solicitação do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, ainda tramitam na JE 1.100 processos relativos às eleições de 2006. Todos eles podem levar à cassação de mandatos. Isso significa que os números dos atingidos nas últimas eleições ainda deverão aumentar consideravelmente.(Correio do Brasil/Blog do Miro- Miguel do Rosário, no blog O Cafezinho)