quarta-feira, março 14

* Morrer ou submeter-se?


Existe uma terceira alternativa?

"Bruna Vilela Silva, 20 anos, que morava no bairro Vila Lima, Três Corações, Minas Gerais, foi encontrada morta a golpes de faca em um matagal. Segundo a família, o casal morou junto durante três anos, mas o relacionamento foi marcado por brigas e agressões. A menina já havia sido agredida por ele antes. Um boletim de ocorrência chegou a ser feito em fevereiro deste ano.
Horas depois do crime, o ex-namorado da vítima enviou mensagens por SMS para uma amiga de Bruna. Nos textos, ele confessa o crime e diz que é um psicopata. Em uma das mensagens, o ex-namorado de Bruna avisou: "Preste bem atenção! Você duvida que eu matei ela, mas ela está morta e o corpo bem escondido". Em outro texto, o suspeito escreveu: "Bruna já se foi, ela está morta, meus sentimentos, desculpe, eu sou um psicopata", disse ele. A amiga da menina ainda recebeu uma mensagem com informações do local onde o corpo poderia ser localizado.

A avó do suspeito disse que ele toma remédios para o tratamento de distúrbios mentais. A Polícia Civil abriu inquérito para investigar o caso."
(G1)

*O nome do "suspeito" de 21 anos não foi divulgado.
Mais uma jovem que não pode contar com a proteção da Polícia apesar das ameaças que vinha recebendo, apesar da queixa prestada no mês passado.
Mais um para alegar loucura! Parece que estamos vivendo um momento de entorpecimento em que entendemos dentro da normalidade um desgraçado desses matar quando se sente rejeitado. Mulheres ainda são abatidas como animais, para que entendam que não tem direito de pensar, de vontade própria.
Em um ano foram várias, entre elas, delegada de polícia, advogadas, gente que virou notícia além de todas as outras que nem entram para estatísticas.
Espero que o "suspeito" que tem o seu nome a sua cara preservados, tenha tratamento vip na cadeia e que viva muitos anos para se arrepender a cada minuto de ter nascido. 

* Relatório Hite, sobre a sexualidade feminina









Incentivada por uma pergunta sobre a sexualidade feminina, resolvi postar a respeito do Relatório Hite, mas, pesquisando, conclui que não faria melhor do que nesse texto que faz parte de uma tese de doutorado na Universidade Federal de Santa Catarina. Texto de Tito Sena.
Segue o excelente texto:

A sexologia é um campo teórico e prático com status de ciência entre estudiosos de diversasáreas, sem especificamente formar uma disciplina tradicionalmente acadêmica, transitando em proximidade com Medicina, Psicologia, Antropologia, Biologia, Sociologia, Direito e outrossaberes. Não obstante, é marcada por duas tendências: uma funcional, mais biológica, portanto médica; e outra antropológica, mais cultural e social.
No campo de pesquisa acadêmica, no século XX, a sexologia foi destituída de certos aspectos funcionais, e se re-direcionou para vertentes plurais (históricas, culturais, antropológicas, sociais, políticas, etc.) tendo os estudos sobre a sexualidade como convergência temática, não eliminando, entretanto, outros campos de conhecimento.
Entre estes estudos do século XX, três em especial obtiveram repercussão mundial: os relatórios Kinsey (1948 e 1953), os relatórios Masters & Johnson (1966 e 1970) e os relatórios Hite (1976 e 1981).
O relatório Hite sobre a sexualidade feminina obteve repercussão ao divulgar, através de relatos das próprias mulheres, a extraordinária capacidade orgástica clitoriana e a ênfase na masturbação como fonte de satisfação sexual, fato já levantado por Kinsey, mas muito explorado e valorizado por Hite.
É do relatório Hite, que este curto artigo se ocupará.
II – Os relatórios Hite: questionários e narrativas Shere Hite (1942- ) se formou em História Americana e Ideologia das Ciências na Flórida e fez doutorado em História na Universidade de Columbia. É autora de diversos livros sobre a mulher e foi fortemente influenciada pela 2ª onda do movimento feminista na década de 60 e 70.
Atuou, entre 1972 e 1978, como Diretora do Projeto Feminista de Sexualidade da National Organization for Women (NOW), organização4 ativista feminista fundada em 1966 com a finalidade de agir pela igualdade de todas as mulheres e pela eliminação da discriminação no  trabalho, na escola, no sistema judiciário e outros setores da sociedade, além de lutar pelos direitos reprodutivos das mulheres e contra quaisquer formas de violência. Neste contexto histórico, especialmente o norte americano, que se situa a emergência de seus relatórios, pouco tempo posterior às produções clássicas de Betty Friedan (1921-2006) - Mística Feminina em 1963 , Shulamith Firestone (1945- ) - A Dialética do Sexo em 1970, Germaine Greer (1939- ) – A Mulher Eunuco em 1970, Juliet Mitchell (1940- ) - Psicanálise e Feminismo em 1974, e Kate Millet(1934- ) - Políticas Sexuais em 1970, com suas forças contestatórias, sociais e políticas.
Hite organizou as respostas de mulheres com idade entre 14 e 78 anos para lançar o The Hite Report (Relatório Hite sobre a Sexualidade Feminina) em 1976 nos EUA. O relatório foi traduzido e lançado em dezessete países, tendo sido censurado em alguns, inclusive proibido5 no Brasil até 1978. Segundo a autora, de um total de quase 100.000 (cem mil) formulários distribuídos, 3.019 (três mil e dezenove) foram devolvidos. Para editar o The Hite Report on male sexuality (Relatório Hite sobre a Sexualidade Masculina), em 1981 nos EUA, dispôs de respostas de homens com idade entre 13 e 97 anos. Neste caso, o livro teve edição no Brasil, no ano seguinte, 1982 (período, portanto, de abertura política). Segundo Hite, de um total de 119.000 (cento e dezenove mil) foram devolvidos 7.239 formulários.
O Relatório Hite sobre a Sexualidade Masculina 6 seguiu o mesmo sistema de pesquisa do relatório feminino, ou seja, respostas para longos (mais longos ainda) questionários abertos, nos termos da autora, do tipo ensaístico. Iniciado em 1974, após sete anos de trabalho (sendo cinco anos de distribuição encerradas em 1979), foi editado em 1981 nos EUA.
No prefácio da edição brasileira, Shere Hite destaca o caráter de anonimato do seu questionário:
Preferiu-se o questionário escrito à entrevista pessoal, uma vez que para preservar a total  honestidade das respostas era necessário que os homens que respondessem a ele tivessem a proteção do anonimato total. Foi por isso que se lhes pediu que não assinassem as respostas, e que as devolvessem pelo correio. (HITE,1982: 08).
Ainda assim, segundo Hite, houve mulheres e homens que fizeram questão de assinar o questionário, fazendo de seu depoimento uma afirmação de identidade e o anonimato, irrelevante para a oportunidade de exposição de suas práticas sexuais, sem medos de sanções ou julgamentos.
Hite procurou no relatório masculino, justificar-se das críticas recebidas pelo relatório feminino, quanto à sua metodologia. No prefácio e nos apêndices, isto fica taxativamente explícito, fazendo, neste sentido, referências às pesquisas de Kinsey e Masters & Johnson:
Esse estudo é representativo? Nenhum estudo em larga escala já produzido no campo da pesquisa sexual conseguiu ser perfeitamente representativo, devido à natureza bastante sensível das questões, incluindo os de Kinsey, Masters & Johnson e o meu próprio anterior. O melhor que se pode fazer é tentar aproximar, o 3 máximo possível, fatores como idade, raça, etc. dos traços da população em geral. (HITE, 1982:08).
Hite destaca como uma das características fundamentais de seus relatórios, o fato de
apresentarem as citações e narrativas para ilustrar suas descobertas, o que, segundo ela, permite uma comunicação entre os participantes da pesquisa e os leitores, proporcionando a estes últimos, a oportunidade de terem suas próprias opiniões e efetuarem suas reflexões.
III. O Relatório Hite sobre a Sexualidade Feminina (1976)
Shere Hite inicia seu Relatório Hite sobre Sexualidade feminina afirmando ser a masturbação um dos assuntos mais importantes de seu livro, uma vez constituir-se fonte fácil de orgasmos para a maioria das mulheres. A facilidade com que as mulheres têm orgasmos pela masturbação contradiz os estereótipos gerais sobre a sexualidade feminina, especificamente aqueles sobre a excitação lenta e sobre a raridade do orgasmo das mulheres. Enfatiza que “não é a sexualidade feminina que tem um problema (uma disfunção) – é a sociedade que é problemática na sua definição de sexo e no papel subordinado que essa definição confere às próprias mulheres” (HITE, 1979:04).
Nos depoimentos, a maioria das mulheres disse ter prazer fisicamente na masturbação, mas não psicologicamente, embora outras não se permitiam ter prazer na masturbação, mesmo fisicamente. Não obstante, quase todas as mulheres foram educadas de forma a não se masturbarem.Além disso, a maioria das mulheres sentia a masturbação importante como substituto do sexo (ou do orgasmo) com o parceiro. Se para algumas a masturbação as ajudava a se relacionarem melhor sexualmente com outra pessoa, outras viam-na como uma forma de obter independência e autoconfiança.
Houve uma relativa concordância de que o melhor jeito de aprender a gozar é se masturbando, sendo que algumas delas aprenderam como ter orgasmos, depois de anos de incapacidade para tal. Em contrapartida, as mulheres muitas vezes ignoram as informações sobre sua sexualidade, conservando o mito da masturbação, impedindo-as de explorar e apropriar-se do seu próprio corpo.
Apesar de o livro ser de depoimentos, Hite não se omite de posicionar-se, seja através de opiniões, de conclusões científicas de outros autores (Kinsey, Masters & Johnson, Helen Kaplan, Mary Jane Sherfey, Seymour Fisher, etc.) e, sobretudo, politicamente como feminista:
O direito ao orgasmo tornou-se uma questão política para as mulheres. Embora não haja nada de errado com o fato de não ter orgasmos, assim como não há nada de errado em enfatizar e compartilhar o prazer do outro, há alguma coisa de errado quando isto se torna um padrão, quando o homem sempre tem o orgasmo e a mulher não. (...) É hora de recuperamos nossos corpos, de começarmos a usá-los nós mesmas para o nosso próprio prazer. (HITE, 1979:68-69). (grifos meus).
A pesquisa aponta o fato da maioria das mulheres não gozar normalmente em decorrência do coito. Para Shere Hite o orgasmo no coito consiste num ponto crucial de discussão em relação à sexualidade feminina, provocando sentimento de insegurança, frigidez, culpa, vergonha e principalmente o fortalecimento do mito orgástico vaginal, fazendo com que se instale a grande indústria da objetivação sexual na busca da “cura fora de si” (palavras suas) do tão almejado prazer.
No tocante à controvérsia orgasmo clitorial/vaginal, o exame é feito baseado nas diferenças entre o orgasmo com ou sem a presença do pênis na vagina. As depoentes se dividem em dois grupos: um grupo descreve o orgasmo clitoriano como mais intenso e concentrado e o outro define o orgasmo vaginal como mais difuso e mais distribuído pelo corpo. Mas Hite não deixa de registrar sua opinião sobre a intensidade superior e forte dos orgasmos através da masturbação (estímulo clitorial) em comparação ao proporcionado pela penetração vaginal.
O relatório explora o que a autora denomina dois grandes mitos sobre a sexualidade feminina:
1°) As mulheres interessam-se menos por sexo e orgasmo que os homens;
2°) As mulheres demoram muito mais tempo que os homens para gozar, devido à fragilidade e delicadeza feminina. Segundo Hite, o não ter orgasmo no coito é uma adaptação dos corpos femininos, tendo em conta o coito nunca ter sido praticado de modo a estimular o orgasmo para a maioria das mulheres. Sendo assim, deve-se considerar o aumento das chances de um orgasmo durante o coito depender de um relacionamento sexual com um parceiro atento às necessidades individuais.
A pesquisa ressalta ainda que, segundo as entrevistadas, os homens não têm o mínimo de conhecimento da anatomia e dos desejos femininos. Para Hite, “O fato de que não há uma ‘iconografia’ dos órgãos genitais femininos, enquanto os pênis são glorificados, é mais um reflexo da forma pela qual o sexo reflete a desigualdade cultural entre mulheres e homens” (HITE, 1979:263).
Em suma, Shere Hite a partir dos relatos de suas pesquisadas, conclui que as dificuldades do orgasmo feminino evidenciam a supremacia genitalizante e mecânica masculina, constituída pela ereção, penetração e orgasmo, excluindo a mulher da possibilidade de expressão e satisfação. Em suas palavras, está sacramentado o sexo ser uma atividade par, mas infelizmente com satisfação ímpar.
A análise estatística das respostas é apresentada ao final do relatório, mas destacamos um resultado em especial para lançar uma provocação e reflexão: 30% das mulheres, apenas, podem gozar regularmente no coito – isto é – podem ter um orgasmo no coito sem um estímulo clitorial manual mais direto, ou seja, para 70%, o coito – o pênis mexendo na vagina – não leva regularmente ao orgasmo. Logo: o “normal”, estatisticamente falando, é a mulher não chegar ao orgasmo com um homem mexendo seu pênis na vagina. Ou o normal é o ideal de sentir orgasmo, portanto, os 30%?
IV – Pontos finais....
O estudo realizado ancorou-se fundamentalmente em Michel Foucault, principalmente suas elaborações presentes em História da sexualidade I - A vontade de saber, e sua crítica no modo como a sociedade ocidental situa a sexualidade: na configuração de uma scientia sexualis (ciência sexual) desenvolvida para dizer uma verdade no sexo, verdade entendida como construtora de normatividades (pelas formas de saber) e normalidades (pelas forças de poder).
Para Foucault (1988) a procura da verdade no sexo foi e é obtida através de inúmeros mecanismos, incluindo, por exemplo, a confissão. O deslocamento da confissão religiosa cristã a um projeto de discurso científico, atravessou o século XIX até sua consolidação, sendo um marco na constituição das ciências sexuais.
Neste sentido, os relatórios Hite, através de questionários, enquetes, entrevistas, narrativas descreveram comportamentos íntimos sexuais, relataram privacidades, expuseram medos, receios, em suma: apresentaram “novas” possibilidades de descobertas e explicações sexológicas. Os depoimentos, os relatos, as descrições minuciosas sobre o corpo, reações físicas, zonas erógenas, preferências sexuais, segredos, os desejos e as fantasias sexuais, insistentemente citadas e referenciadas, são mentiras ou são verdades? São verdades produzidas historicamente, a partir das contribuições de diversas ciências, com “especialistas” legitimando as informações distribuídas e divulgadas através de formas discursivas.
Mas é na ânsia de respostas verdadeiras, que emerge a insistente pergunta: “Sou normal”?
“Sou anormal”? O que é normal para quem pergunta? Será que bastaria ouvir de um “especialista” a resposta “você não é anormal!” ou ouvir “isto não é doença!”? As estranhezas ou as discrepâncias de comportamento sexual são colocadas em relação a mim ou em relação aos outros? Somos o que o outro confirma que somos? Somos o que o outro afirma que somos? A diferença entre afirmação e confirmação não é apenas de ordem semântica. Eu sou o diferente, ou os outros? Em resumo: quem é o normal? Como algo ou alguém é considerado anormal?
Nestas escalas classificatórias de (a)normalidade, o recurso à estatística é uma prática comum e pretensamente legitimadora de verdade científica. Ao ver os percentuais estatísticos num livro “científico”, o enquadramento comparativo é automático: estando nos 70% ou nos 30%, é o número que me avaliará, é um “diagnóstico estatístico”, não é um diagnóstico clínico, cuja mediação (pela média numérica!) é relatada pelos participantes das enquetes, logo, os outros. Se estiver na maioria, tudo bem, sou normal; caso contrário, tendo este (pré/pseudo) diagnóstico estatístico (científico) como referência, procurarei (se puder) um especialista para confirmação através de um diagnóstico clínico (científico). È a prática real da normalização que determina o conceito de normal e é esta a possibilidade de um conceito ser incorporado como um preceito.
Nesta teia de jogos numérico-estatísticos (verdadeiros!?), as pessoas confundem fatos (descrições) com valores (apreciações), quantificações com qualificações, as normas com os normais.
(Tito Sena2 - UDESC)




Este Artigo é parte de um capítulo da tese de doutorado intitulada Os relatórios Kinsey, Masters&Johnson, Hite: as sexualidades estatísticas em uma perspectiva das ciências humanas, do programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas da Universidade Federal de Santa Catarina, realizada com a orientação da Profª Drª Mara Coelho de Souza Lago e Co-orientação da Profª Drª Miriam Pillar Grossi. Por limitação de texto não vamos expor considerações sobre os relatórios Kinsey e Masters&Johnson.
 

terça-feira, março 13

* Madrugadas da Bela Vista






Preciso confessar!
Faz tempo, não importa quanto, quando, morei na rua São Vicente, um sobradinho geminado de um bairro boêmio, conhecido por Bixiga, em São Paulo. Os fundos do sobrado davam com os fundos da quadra da Escola de Samba VaiVai, um tormento para quem não entendia e nem gostava de Escola de Samba, mas acabou amando.

Hoje, decadente Bela vista, na época, era para onde ia a moçada paulistana em busca de boa música, boa comida, arte, bons contatos, gente de teatro, cinema, azaração e algumas coisinhas mais.

Café Piu Piu, Basilicatta, a Igreja da Achiropita, Mexilhão, perfumadas pizzas das inúmeras pizzarias, os ensaios da VaiVai, o bolo record no Guiness da comemoração do aniversário de Sampa, as roupas penduradas em fios da Av. Ruy
Barbosa para comemorar o ano novo seguindo tradição italiana...

Recém-separada de meu primeiro casamento, sozinha com uma pastora alemã e uma boxer, tentando sobreviver com um trabalho mal pago e sustentar os dois bichos que consumiam mais do que eu, não havia cenário mais improvável para quem precisava refazer a vida do que um bairro que vivia em festa.

Durante a semana, precisava dormir bem à noite para trabalhar no dia seguinte, e as vezes no final de semana também, se havia trabalho extra pra engrossar o magro salário. Mas tinha insônia, saia na madrugada para caminhar com as cachorras pelas poucas ruas tranquilas do bairro... Sem medo, com dois bichos enormes como aqueles, ninguém nem me cumprimentava...rss... Corria, caminhava até a exaustão para dormir.

Sono tranquilo começava despertar com os acordes de Summertime, solo de sax, doce e triste como um choro de saudade... Às vezes mudava a música e tocava Chico Buarque (que eu pensava ser Caymmi...rs), "Morena dos olhos d’água, tira seus olhos do mar, vem ver, que a vida ainda vale o sorriso que eu tenho pra te dar..."
 
Foram cinco anos! Às vezes, em noites insones, eu ansiava por ouvir o sax e não acontecia, outras vezes me acordava inesperadamente depois de semanas de ausência..

Eu nunca soube quem tocava, nem nunca tentei saber... 


Mas era lindo!









segunda-feira, março 12

* Aprenda a gostar de você



Aprenda a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você...
 A idade vai chegando e, com o passar do tempo, nossas prioridades na vida vão mudando...
 A vida profissional, a monografia de final de curso, as contas a pagar...
 Mas uma coisa parece estar sempre presente... A busca pela felicidade, com o amor da sua vida.
Desde pequenas ficamos nos perguntando "quando será que vai chegar?" E a cada nova paquera, vez ou outra nos pegamos na dúvida "será que é ele?".
 Como diz meu pai: "nessa idade tudo é definitivo", pelo menos a gente sempre achava que era.
 Cada namorado era o novo homem da sua vida.
 Fazíamos planos, escolhíamos o nome dos filhos, o lugar da  lua-de-mel e, de repente...
 PLAFT! Como num passe de mágica ele desaparecia, fazendo criar mais expectativas a respeito "do próximo".
 Você percebe que cair na guerra quando se termina um namoro é muito natural, mas que já não dura mais de três meses.
 Agora, você procura melhor e começa a ser mais seletiva.
 Procura um cara formado, trabalhador, bem resolvido, inteligente, com aquele papo que a deixa sentada no bar o resto da noite.
 Você procura por alguém que cuide de você quando está doente, que não reclame em trocar aquele churrasco dos amigos pelo aniversário da sua avó, que jogue "imagem e ação" e se divirta como uma criança, que sorria de felicidade quando te olha, mesmo quando você está de short,camiseta e chinelo.
 A liberdade, ficar sem compromisso, sair sem dar satisfação, já não tem o mesmo valor que tinha antes.
 A gente inventa um monte de desculpas esfarrapadas, mas continuamos com a procura incessante por uma pessoa legal,que nos complete, e vice-versa.
 Enquanto tivermos maquiagem e perfume, vamos à luta... E haja dinheiro para manter a presença em todos os eventos da cidade: churrasco, festinhas, boates na quinta-feira.
 Sem falar na diversidade, que vai do Forró ao Beatles.
 Mas o melhor dessa parte é se divertir com as amigas, rir até doer barriga, fazer aqueles passinhos bregas de antigamente e curtir o som...

 Olhar para o teto, cantar bem alto aquela música que você adora.
 Com o tempo, voce vai percebendo que para ser feliz com uma outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela.

 Percebe também que aquele cara que você ama (ou acha que ama), e que não quer nada com você, definitivamente não é o homem da sua vida.
 Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você.
 O segredo é não correr atrás das borboletas... é cuidar do jardim para que elas venham até você.
No final das contas, você vai achar, não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!





Mário de Miranda Quintana (Alegrete, RS, Brasil, 30 de julho de 1906 — Porto Alegre, 5 de maio de 1994) foi um poeta, tradutor e jornalista brasileiro.




"Os poetas não são azuis nem nada, como pensam alguns supersticiosos, nem sujeitos a ataques súbitos de levitação. O de que eles mais gostam é estar em silêncio - um silêncio que subjaz a quaisquer escapes motorísticos e declamatórios. Um silêncio... Este impoluível silêncio em que escrevo e em que tu me lês."



domingo, março 11

* O funeral de Kerwin James (New Orleans)






Depois de muito chorar minhas perdas, comecei a desconfiar que se a morte é inevitável, não há razão de chorar a despedida, mas de celebrar. Que sejamos embalados na morte como quando chegamos à vida, que se comemore o que conseguimos ser, o que pudemos colaborar para o mundo com a nossa existência, e que tenhamos conseguido dizer a que viemos.
Não é a primeira vez que falo com amigos sobre esse funeral em New Orleans, mas é sempre novo lembrar que existe outra forma de ver a morte, herdada de nossos antepassados africanos, passível de ser pensada e preservada.


Kerwin James (RIP 29 de setembro de 2007)
Tuba
Kerwin cresceu na Sexta Ward de Nova Orleans. Ele começou a tocar tarol com a idade de oito anos na Escola de vime Albert e pegou a tuba alguns anos mais tarde. Kerwin é o irmão de Philip Frazier do Rebirth Brass Band. Kerwin acompanhava Rebirth às suas performances ao Bairro Francês. Nessas performances, ele dançava.
Kerwin tocou com Jr. Brass Band Olympia, The Allstars e The Rebirth Brass Band.

October 08, 2005 Athenian Brass Band - Venice Italy
Kerwin James, Anthony Bennett, Bennie Jones, Dimitri Smith &  Oswald Jones

* A genialidade de B.B.King





A genialidade não tem idade, não tem tempo, vai bem com o experimental, com o novo, com o efêmero, é eterna. Em Rock me Baby com o auxílio luxuoso e perplexo de The Roots e Trey Anastácio, bebendo da fonte de aprendizes...  Saudade de B.B.King!


Rock me baby (tradução)
Agite-me, baby,
agite-me a noite toda
Agite-me, baby, querida, agite-me a noite toda
Eu quero que você me agite
Como se as minhas costas não tivessem ossos
Role-me, baby, como se você rolasse uma roda de vagão
Eu quero que você me role como se fosse uma roda de vagão
Quero que você me faça rolar, baby
Você não sabe como isso me faz sentir
Agite-me, baby, agite-me a noite toda
Agite-me, baby, querida, agite-me a noite toda
Eu quero que você me agite
Até que eu não queira mais

 

Só o blues conseguiria dizer o que diz


The Thrill Is Gone (Tradução)

A emoção se foi
A emoção foi embora
A emoção se foi baby
A emoção foi embora
Você sabe que me faz mal, baby
E você sentirá muito algum día
A emoção se foi
Foi embora de mim
A emoção se foi baby
A emoção foi embora de mim
Embora, eu ainda viva
Mas tão solitário serei
A emoção se foi
Foi embora para o bem
A emoção se foi baby
Foi embora para o bem
Algum día eu sei que eu estarei de braços abertos
Justamente como eu sei que um bom homem deveria estar
Você sabe que eu estou livre, livre agora baby
Eu estou livre de seu feitiço
Oh eu estou livre, livre, livre agora
Eu estou livre de seu feitiço
E agora está tudo acabado
Tudo que eu posso fazer é desejar o seu bem




Lindo!




How Blue Can You Get (tradução)

Tenho estado com o coração pra baixo baby
Desde o dia em que nos conhecemos
Eu disse que tenho estado pra baixo baby
Desde o dia em que nos conhecemos
Nosso amor não é nada, além de melancolia
Baby, quão severa você pode ser
Você é má quando estou com você, baby
E você é ciumenta quando estamos distantes
Eu disse que você é má quando estou com você
E você é uma ciumenta quando estamos distantes
Quão severa você pode ser baby
A resposta está bem aqui no meu coração
Eu te dei um Ford de marca
Mas você disse: Eu quero um Cadillac
Eu gastei dez dólares no jantar
E você disse: Obrigada pelo lanche
Eu deixei você viver na minha cobertura
E você disse que era apenas uma cabana
Eu te dei sete filhos
E agora você quer devolve-los
Eu disse que estou com o coração pra baixo baby
Desde o dia em que nos conhecemos
Nosso amor não é nada além de melancolia
Baby, quão severa você pode ser ? 





Sou madeinBrazil demais para publicar as letras no idioma original, sorry!

sábado, março 10

* Tempestade Solar, a mais importante dos últimos cinco anos

Imagem do Sol de 6 de março. A diferença de cores se deve aos vários comprimentos de onda usados para captar a luz.




Imagens divulgadas pela Nasa mostram uma nova erupção solar.



Aurora Boreal - Islândia.



A maior tempestade solar dos últimos cinco anos enviou uma enorme onda de radiação para a atmosfera da Terra, criando um brilhante espetáculo de aurora boreal na região de Yellowknife, Canadá, nesta quinta-feira (8).

                                                                         

As luzes do norte da aurora boreal preencheram o céu acima da Capela Ortodoxa de São Nicolas, em Kenai, no Alasca.



A maior tempestade solar dos últimos cinco anos provocou um espetáculo no céu de Abisko, na Lapônia sueca, nesta quarta-feira (7).
    

 
Quarta feira, 7. Aurora boreal em Abisko, Lapônea Sueca.













Quinta, 8. Aurora Boreal em Butte - Alaska.

 A tempestade solar que atinge a Terra desde quinta-feira (8) está mais forte do que os cientistas identificaram inicialmente. Nesta sexta, a Nasa afirmou que a tempestade geomagnética foi elevada do nível G1 ao nível G3, em uma escala que vai de G1 a G5, onde G5 é o mais forte.

O fenômeno não tem impacto direto sobre as pessoas nem sobre a natureza, mas pode afetar o funcionamento de satélites, GPS e redes de energia. Além disso, a interferência causada pela radiação solar fez com que algumas companhias desviassem a rota dos voos próximos aos polos.
As auroras boreais, que puderam ser vistas em várias regiões na noite de quinta, também são provocadas por essa interação.
No começo da semana, o Sol emitiu uma nuvem de partículas e radiação, que interagiu com a Terra, trazendo todas essas consequências. Essa erupção solar foi considerada a mais forte nos últimos cinco anos.
Na quinta, a tempestade geomagnética provocada pela atividade do Sol deu sinais de que seria fraca. Porém, uma mudança de direção nos campos magnéticos da nuvens emitidas pelo astro fez com que a tempestade ganhasse força.
Novas imagens divulgadas pela Nasa mostram a evolução de uma nova erupção solar que começou na madrugada desta sexta-feira (9).
De acordo com a agência espacial, a nuvem de partículas e radiação deve atingir o envelope magnético que circunda a Terra na manhã de domingo (11).
(G1)


É quando a grandeza da natureza mostra nossa real importância, nosso verdadeiro tamanho no universo.

Babei nessas imagens!

sexta-feira, março 9

* Águas de Março



Aguas de Março
Tom Jobim

É pau, é pedra, é o fim do caminho
 É um resto de toco, é um pouco sozinho
 É um caco de vidro, é a vida, é o sol
 É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol 
É pereba do campo, é o nó da madeira
 Caingá, candeia, é o Matita Pereira
 É madeira de vento, tombo da ribanceira
 É o mistério profundo, é o queira ou não queira 
É o vento ventando, é o fim da ladeira 
É a viga, é o vão, festa da cumueira
 É a chuva chovendo, é conversa ribeira
 Das águas de março, é o fim da canseira 
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
 Passarinho na mão, pedra de atiradeira
 É uma ave no céu, é uma ave no chão
 É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão 
É o fundo do poço, é o fim do caminho
 No rosto o desgosto, é um pouco sozinho
 É um estrepe, é um prego, é uma ponta, é um ponto
 É um pingo pingando, é uma conta, é um conto 
É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
 É a luz da manhã, é o tijolo chegando
 É a lenha, é o dia, é o fim da picada
 É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada 
É o projeto da casa, é o corpo na cama
 É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
 É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
 É um resto de mato, na luz da manhã 
São as águas de março fechando o verão
 É a promessa de vida no teu coração 
É uma cobra, é um pau, é João, é José
 É um espinho na mão, é um corte no pé 
São as águas de março fechando o verão,
 É a promessa de vida no teu coração 
É pau, é pedra, é o fim do caminho
 É um resto de toco, é um pouco sozinho
 É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
 É um belo horizonte, é uma febre terçã 
São as águas de março fechando o verão
 É a promessa de vida no teu coração
 Pau, pedra, fim, caminho
 Resto, toco, pouco, sozinho
 Caco, vidro, vida, sol, noite, morte, laço, anzol
 São as águas de março fechando o verão
 É a promessa de vida no teu coração.


É sexta feira, a vida segue...