sexta-feira, março 23

* A crueldade das canções infantis



Em Cananéia, litoral sul de São Paulo, descobri uma versão politicamente correta de “Atirei um pau no gato”, ensinada às crianças de uma escola pública. Foi a primeira vez que me chamou a atenção a crueldade das cantigas infantis brasileiras.
Agora, me deparei com um artigo bastante interessante, é a resposta a  carta de uma brasileira radicada nos Estados Unidos, que se identifica por “Au Pair”.
Vamos à carta:


Assunto: Canções infantis brasileiras  (03/08/2003)

Como vocês sabem, estou nos Estados Unidos da América participando de um projeto ultra secreto. Meu disfarce aqui é de "Au Pair", ou seja, babá e estudante.

Ao cuidar de uma das meninas de quem eu "teoricamente" tomo conta, uma vez cantei "Boi da cara preta" para ela, antes dela dormir. Ela adorou e essa passou a ser a música que ela sempre pede para eu cantar ao colocá-la para dormir.

Antes de adotarmos o "boi, boi, boi" como canção de ninar, a canção que cantávamos (em Inglês) dizia algo como:

Boa noite, linda menina, durma bem. Sonhos doces venham para você, sonhos doces por toda noite...

Eis que Catlin me pergunta o que as palavras em Português da música "Boi da cara preta" queriam dizer em Inglês:







Boi, boi, boi, boi da cara preta,
pega essa menina que tem medo de careta...       








Como eu ia explicar para ela e dizer que, na verdade, a música "boi da cara preta" era uma ameaça horrorosa e mordaz? Como explicar que eu estava tentando fazer com que ela dormisse com uma música que incita um bovino de cor negra a pegar uma cândida menina que tem medo até de uma inocente careta?

Tive que mentir para ela, mas comecei a pensar em outras canções infantis porque não me sentiria bem ameaçando aquela menina com um temível boi toda noite...

Que tal: nana neném que a cuca vai pegar...?

Caramba... outra ameaça! Agora com um ser ainda mais maligno que um boi preto!

Depois de uma frustrante busca por uma canção infantil do folclore brasileiro que fosse positiva e de uma longa reflexão, eu descobri toda a origem dos problemas do Brasil.

O problema do Brasil é que a sua população em geral tem uma estima muito baixa. Isso faz com que os brasileiros se sintam sempre inferiores e ameaçados, passivos o suficiente para aceitar qualquer tipo de extorsão e exploração, seja interna ou externa. Por que isso acontece? Trauma de infância! Trauma causado pelas canções da infância.

Explicar-lhes-ei!

Me dei conta que as músicas infantis brasileiras são extremamente trágicas! Aí está a gênese de toda baixa estima do brasileiro. Nós somos ameaçados, amedrontados e encaramos tragédias desde o berço! Por isso levamos tanta porrada da vida e ficamos quietos.

Exemplificarei minha tese:




Atirei o pau no gato-to-to
Mas o gato-to-to não morreu-reu-reu
Dona Chica-ca-ca admirou-se-se
Do berrô, do berrô que o gato deu:
Miaaau!
Para começar, esse clássico do cancioneiro infantil é uma demonstração clara de falta de respeito aos animais (pobre gato) e crueldade (por que atirar o pau no gato, essa criatura tão indefesa?). E para acentuar a gravidade, ainda relata o masoquismo dessa mulher sob a alcunha de "D. Chica".
Uma vergonha!




Eu sou pobre, pobre, pobre,
De marré, marré, marré.
Eu sou pobre, pobre, pobre,
De marré de si.
Eu sou rica, rica, rica,
De marré, marré, marré.
Eu sou rica, rica, rica,
De marré de si.

Colocar a realidade tão vergonhosa da desigualdade social em versos tão doces faz com que os brasileiros tenham como algo normal essa (não) distribuição de renda vergonhosa que condena muitos à miséria e agracia pouquíssimos com uma riqueza exorbitante.



Vem cá, Bitu ! vem cá, Bitu !
Vem cá, meu bem, vem cá !
Não vou lá ! Não vou lá, Não vou lá !
Tenho medo de apanhar.


Medo! Sim, medo! Por causa desse tipo de canção os brasileiros não sentem que estão tendo sua liberdade destruída pela violência. Os brasileiros convivem com o Medo como se fosse algo normal...


Marcha soldado,
Cabeça de papel!
Quem não marchar direito,
Vai preso pro quartel.

De novo: ameaça. Autoritarismo e abuso de poder escondidos em versos aparentemente inofensivos...


A canoa virou,
Foi deixar ela virar,
Foi por causa da (nome de pessoa)
Que não soube remar.

Ao invés de incentivar o trabalho de equipe e o apoio mútuo, as crianças brasileiras são ensinadas a apontar o dedo e condenar um semelhante. Colocar a culpa em alguém é tido como mais fácil do que refletir sobre as próprias atitudes...
Que vergonha!


Samba-lelê está doente,
Está com a cabeça quebrada.
Samba-lelê precisava
É de dezoito lambadas.

Impiedade!

A moça, conhecida como Samba-lelê, encontra-se com a saúde debilitada, necessita de cuidados médicos mas, ao invés de compaixão e apoio, a música diz que ela precisa de dezoito lambadas! Essa música é claramente uma manipulação organizada pelas grandes indústrias e pelo governo, incutindo a idéia de que a doença é algo errado que deve ser punido nas cabeças das crianças brasileiras.

As grandes indústrias garantem que seus futuros empregados não lutem por direitos trabalhistas em caso de doença. A letra da música diz, em outras palavras, que um empregado doente deve aceitar ser demitido por justa causa!

Um homem bateu em minha porta, e eu abri: senhoras e senhores ponham mão no chão...

Essa música relata um assalto - incutindo a idéia de violência e roubo nos pequenos infantes!


Fui no Tororó
Beber água não achei;
Achei bela morena
Que no Tororó deixei.
Percebem o tratamento que é dado à mulher aqui? A mulher é tratada como um pedaço de carne, algo que se usa quando não tem nada melhor para fazer e depois descarta-se imediatamente...


 Sete e sete são catorze, com mais sete vinte um
Tenho sete namorados
E não gosto de nenhum












Como assim 7 namorados? Eis a origem da licenciosidade e tendência à infidelidade de todos os brasileiros...





O anel que tu me deste
Era vidro e se quebrou.
O amor que tu me tinhas
Era pouco e se acabou.."







Se não bastasse o papo dos 7 namorados... como crescer e acreditar no amor e no casamento depois de ouvir essa passagem anos a fio? 
















O cravo brigou com a rosa
Debaixo de uma sacada;
O cravo saiu ferido
E a rosa despedaçada.
O cravo ficou doente,
A rosa foi visitar;
O cravo teve um desmaio,
A rosa pôs-se a chorar.




Desgraça, desgraça, desgraça!!! E ainda incita a violência conjugal (releia a primeira estrofe).


C U I D A D O ! O refrão abaixo contém versos muito fortes! Talvez essa seja a mais perigosa música infantil brasileira e ao mesmo tempo, superficialmente, ela é uma das mais inofensivas!



Cai, cai, balão !
Cai, cai, balão !
Na rua do sabão.
Não cai, não !
Não cai, não !
Não cai, não !
Cai aqui na minha mão




Essa música não só induz à uma tragédia aérea com um balão (cai, cai, balão) como também é uma óbvia e clara apologia ao suicídio! (cai aqui na minha mão)


Amigos, precisamos conter essa terrível disseminação de idéias quase demoníacas nas músicas de nossas crianças! E olha que nem precisamos tocar as músicas ao contrário, as mensagens estão lá, diretas e óbvias!

Conto com a sua cooperação!

Jamais brinque de roda ou cante canção de ninar para crianças ao seu redor. Alertem seus amigos para fazerem o mesmo!

O futuro do Brasil está em suas mãos!!!!”


 
Fiquei sem saber quem é o autor do comentário abaixo, mas estou dando crédito ao site e parabenizando o autor pelo humor e pelo brilhantismo.






Segundo a desconhecida autora, que usa o disfarce de "Au Pair", ou seja, babá e estudante nos Estados Unidos da América, os males do Brasil são decorrentes das canções de ninar.

Preconceito, masoquismo, apologia do suicídio, disseminação do medo, falta de respeito aos animais, autoritarismo, abuso de poder, indução a tragédia aérea, incitação à violência conjugal. A lista é grande como grande é o desatino de pessoas que continuam a cantar e a divulgar essas canções.

Um horror!

Vejamos alguns casos citados na mensagem.

A música "boi da cara preta" [é] uma ameaça horrorosa e mordaz, pois incita um bovino de cor negra a pegar uma cândida menina que tem medo até de uma inocente careta.

Esta é a razão número um. Existem outras.

Atirei o pau no gato-to-to
Mas o gato-to-to não morreu-reu-reu? 

Politicamente incorreta, pois onde já se viu atirar o pau no gato, essa criatura tão indefesa? Para completar, ainda aparece o masoquismo dessa mulher sob a alcunha de "D. Chica".

Pior do que o boi da cara preta não poderia existir, mas existe, sim:







nana neném que a cuca vai pegar...?

Caramba... outra ameaça! Agora com um ser ainda mais maligno que um boi preto!

Boi da cara preta, já vi muitos. A cuca ainda não encontrei, de modo que não posso assegurar a malignidade dessa entidade terrível. Por via das dúvidas, e parafraseando o sábio ditado espanhol, no creo en cucas, pero que las hay, hay

Além de bichos-papões, o cancioneiro popular (puro clichê:) trata de temas igualmente graves como a realidade tão vergonhosa da desigualdade social na modinha







Eu sou pobre, pobre, pobre,
De marré, marré, marré....
Eu sou rica, rica, rica,
De marré, marré, marré.




Como simples e modesta contribuição: de marré significa de mentira ou de mentirinha, no idioma das crianças e de muitos adultos.

Continuemos.







Vem cá, meu bem, vem cá !
Não vou lá ! Não vou lá, Não vou lá !

Tenho medo de apanhar.






Essa canção deve ter sido o mote de inspiração para o Projeto de Lei da Palmada (PL 2654/2003). A autora do projeto, deputada pelo PT/RS, em boa hora tratou de elaborar medidas no sentido de que(!) fosse coibido tal abuso. Talvez o próximo passo seja proibir a modinha.

O PL 2654 é de 2003 e tartarugou, penosamente, por comissões e relatores até que veio à tona em julho de 2010. Estamos em dezembro de 2010 e o apelo Vem cá, meu bem continua a amedrontar crianças do Brasil, pois ainda não houve consenso na Câmara dos Deputados e o Projeto de Lei ainda não foi ao plenário para votação.

Enquanto isso, os brasileiros não sentem que estão tendo sua liberdade destruída pela violência.



Marcha Soldado

Cabeça de papel!



 
Autoritarismo e abuso de poder estão embutidos nessa marchinha. A autora esquece a referência à cabeça de papel do soldado que marcha. O que existe dentro dessa cabeça?










A canoa virou,...
Foi por causa da (nome de pessoa)
Que não soube navegar.

as crianças brasileiras são ensinadas a apontar o dedo e condenar um semelhante. Explica a estudante "Au Pair".

Mente privilegiada, a estudante encontrou em modinha do folclore a previsão do causaéreo que perturbou o país em 2007:

Cai, cai, balão !
Na rua do sabão.
Não cai, não !...
Cai aqui na minha mão !

Essa música não só induz à uma tragédia aérea ... como também é uma óbvia e clara apologia ao suicídio! (cai aqui na minha mão)

Samba-lelê está doente,
Está com a cabeça quebrada. 

A intérprete não percebe o que acontece com Samba-lelê: ela está com a cabeça quebrada e não com a saúde debilitada. Traumatismo Crânio-encefálico é o mal da garota. Algo bem mais grave.

A música continua desenvolvendo raciocínio de dona de casa descuidada e irresponsável:



Como é que cozinha
Bota a panela no fogo
Vai conversar com a vizinha


Percebe? Em lugar ficar cuidando da alimentação da família Samba-lelê vai fofocar com a vizinhança.

Enfim, a lista das perigosas canções do folclore brasileiro pode ser aumentada. Outras modinhas e canções de ninar contêm imagens sutis que visam incutir o medo, a subserviência, a maldade na mente das nossas criancinhas.

Segundo madame "Au Pair", as canções penetram de tal forma no inconsciente da criança que a leva, quando adulta, a ter comportamento de brasileiro ou brasileira, naquele sentido de coitadinho, sofrido, sem perspectiva nem esperança, em decorrência de trauma de infância ocasionado por canções folclóricas, que, em última análise, são verdadeiros cantos de terror.

Uma frase bastante curiosa vem logo no início da mensagem: Como vocês sabem, estou nos Estados Unidos da América participando de um projeto ultra secreto.

Eu, pelo menos, não sabia de nada sobre esse ultra-secreto projeto. E você? Sabia? :{



E o que dizer de canção popular que induz ao desperdício?


Se esta rua se esta rua fosse minha
Eu mandava, eu mandava ladrilhar
Com pedrinhas, com pedrinhas de brilhante
Para o meu, para o meu amor passar. 

Milhares de quilates de brilhantes jogados, literalmente, na rua quando milhões de brasileiros mal conseguem dinheiro para comprar um anel de zircônia para colocar no dedo magro de medo...

E todo esse esbanjamento apenas para se mostrar, para aparentar riqueza.



Terezinha De Jesus é um verdadeiro incentivo à falta de consideração à própria família. Depois de cair ao chão, e antes mesmo de verificar a gravidade da queda, Terezinha recusa a ajuda do próprio pai!

Sei não, mas acho que a moça Au Pair está coberta de razão :) 

Conclusão: bem que essa história é divertida. Melhor do que tratar de cavalos de tróia e de golpes de vigaristas.




(http://www.quatrocantos.com/lendas/509_musicas_folcloricas_cancoes_de_ninar.htm)
 
 


 

quinta-feira, março 22

* O incrível Paul Cadden e sua arte hiperrealista


Paul Cadden trabalhando em um de seus desenhos.


Pode parecer fotografia, mas nem tudo é preto e branco quando se trata do trabalho deste artista.
Apesar da aparência como se tivessem sido capturados em uma câmera, são realmente desenhados à mão, são imagens criadas pelo artista Paul Cadden, hiper-realista.
Cadden, da Escócia, é capaz de recriar as fotos em detalhes surpreendentes, muitas vezes usando apenas um lápis. Desde as rugas no rosto de uma mulher, uma nuvem de fumaça de um cigarro ou gotejamento de água.






 O hiper-realismo nasceu da ideia de realismo, que são pinturas com base em fotografias, mas criado em um meio não fotográfico.
Tomando uma média entre três e seis semanas para produzir, Cadden cria cerca de sete peças cada ano,  geralmente em tamanhos A1 ou A0.











    Um porta-voz Gallery de Londres One Plus, que expõe o trabalho de Cadden,  disse: "Quando você olha para uma foto de seu trabalho, eles se parecem com fotografias. Mas quando você vê de perto, você pode dizer que é um desenho. O detalhe é incrível. "





 


Tinha seis anos e queria ser um artista durante todo o tempo que me lembro, diz Cadde. “Hiper-realismo tende a criar um impacto emocional, social e cultural e difere de fotorealismo que é muito mais técnico. Minha inspiração vem da frase "para intensificar o normal". Aproveito objetos do dia a dia, crio um desenho que traz um impacto emocional. Eu tento estudar o interno da imagem ao invés de focar apenas na parte externa. Eu posso me apaixonar por uma imagem, se isso não soar muito hippie. Eu gostaria de saber as histórias por trás dos rostos das pessoas que eu fotografo ...Poderia ser um veterano guerra, nunca não se sabe. O que me faz diferente de outros artistas hiper-realistas, é que eu predominantemente trabalho em lápis, enquanto muitos outros tendem a usar um aerógrafo. Eu fiz uma pintura que mede 60 x 40 polegadas, mas eu nunca vou fazer isso de novo, ele era um assassino! Retratos são os meus favoritos para fazer.  Particularmente gosto de um homem com a água correndo pelo rosto”.
 



Paul Cadden
8 de Outubro de 1964 
Glasgow, United Kingdom


PAUL CADDEN, ainda vamos muito ouvir falar dele!



quarta-feira, março 21

* Tão compreensiva, tão boazinha.... Tadinha!





O monge e o escorpião

“Monge e discípulos iam por uma estrada e, quando passavam por uma ponte, viram um escorpião sendo arrastado pelas águas. O monge correu pela margem do rio, meteu-se na água e tomou o bichinho na mão. Quando o trazia para fora, o bichinho o picou e, devido à dor, o homem deixou-o cair novamente no rio. 
Foi então a margem tomou um ramo de árvore, adiantou-se outra vez a correr pela margem, entrou no rio, colheu o escorpião e o salvou. Voltou o monge e juntou-se aos discípulos na estrada. Eles haviam assistido à cena e o receberam perplexos e penalizados. 
- Mestre, deve estar doendo muito! Porque foi salvar esse bicho ruim e venenoso? Que se afogasse! Seria um a menos! Veja como ele respondeu à sua ajuda! Picou a mão que o salvara! Não merecia sua compaixão! 
O monge ouviu tranquilamente os comentários e respondeu:
 - Ele agiu conforme sua natureza, e eu de acordo com a minha.”


Esse comportamento em quem não é monge, aos poucos destrói a auto estima, provoca depressão e suas consequências, até porque se sabe lá no íntimo, que quem nasceu para escorpião é de sua natureza  ferir novamente.


Então se você não é monge, minha santa, Acorda Cinderela! Deixe que o escorpião se afogue no próprio veneno.


terça-feira, março 20

* De Elis Regina a Maria Rita, não necessariamente nessa ordem


Da semelhança do timbre à lembrança da maneira de interpretar. Desde que se lançou como cantora, Maria Rita teve de lidar com as inúmeras comparações com a mãe, Elis Regina (1945-1982). Uma responsabilidade imensa já que esta é considerada uma das maiores intérpretes brasileiras.
Aos 24 anos, quando estava lançando o seu primeiro CD, Maria Rita disse que sempre teve a consciência de ser a única filha mulher de uma grande cantora. Por isso não tinha pretensões de cantar músicas do repertório da mãe.
Maria Rita falou da saudade que sente da mãe: "toda vez que falo nela, me emociono"
Dez anos depois, as comparações não se extinguiram. Mas Maria Rita aceitou o desafio e subiu, nessa segunda-feira (19), no palco do Vivo Rio, no Rio de Janeiro, para o primeiro de uma série de shows cantando músicas gravadas por Elis. “As pessoas sempre me perguntam por que demorei tanto para cantar músicas da minha mãe. Toda vez que falo nela, me emociono. Mãe é mãe, né? Dá saudade”, disse ela, vestindo um macacão branco com uma capa esvoaçante.
Em duas horas de apresentação, Maria Rita mostrou que as comparações tinham fundamento. Em nenhum momento ela tentou se passar pela mãe, mas era visível a homenagem aos gestuais, timbres e firulas de Elis. Em canções como “Águas de Março”, de Tom Jobim, e “Alô Alô Marciano”, de Rita Lee, isso ficou mais evidente. “Obrigada por virem de coração aberto e entender que isso é apenas uma homenagem”, agradeceu a cantora.
(Útimo Segundo, março 2012) 
 Aos 36 anos, Elis Regina, a melhor cantora do Brasil, foi achada morta, trancada em seu quarto, onde tomara a derradeira dose de cocaína.

27 de janeiro de 1982

A morte da melhor cantora brasileira provocou um choque nacional, assim que a notícia circulou pelo rádio e pela televisão na manhã da última terça-feira. Cheia de vitalidade nos seus 36 anos, Elis Regina de Carvalho Costa, três filhos, passou metade de sua vida em estúdios, distribuindo uma voz impecavelmente afinada por 27 LPs, catorze compactos simples e seis duplos, que venderam algo como 4 milhões de cópias. 

A autopsia que determinou a ingestão de cocaína e álcool como causa mortis, pegou de surpresa até amigos próximos.

Apesar de sua competência profissional, Elis Regina se confessava uma pessoa profundamente insegura - e extraía um pouco do autoconfiança no consumo da cocaína. Dona de um caráter e comportamento conturbados, que freqüentemente a faziam expressar-se de maneira tortuosa e torturada, Elis não conseguiu, como muitos outros colegas do mundo artístico, adquirir a segurança que procurava sem pagar um alto preço por ela. Sua provável inexperiência no convívio com a droga levou-a à fatal ingestão da semana passada - e abriu sua vida pessoal a uma investigação certamente penosa e dolorida para os que viviam próximos a ela.


É o que explica retratos tão diferentes que fazem dela mesmo os amigos mais chegados – dos quais Elis cobrava atenção, telefone-me, carinho, mas em relação aos quais era capaz de repentinas explosões de generosidade. Quando soube que sua amiga Ione Cirilo estava sem dinheiro, pagou todas as prestações que ela devia – sem dizer uma palavra à amiga. Em outro repente, na greve dos operários do ABC, em 1980, doou 180 000 cruzeiros para o fundo de greve – e arrecadou entre amigos, durante um jantar, mais 70 000. "Eu não vim para os canapés, vim para a feijoada", justificava-se com uma ponta do misticismo que sempre a envolveu.

As razões que a levaram à morte podem continuar envoltas em mistério, mas a morte não conseguiu- lhe roubar o sucesso. Num único dia da semana passada, a Odeon, gravadora do seu último LP, Elis Regina, recebeu 19 000 pedidos de cópias do disco, que vendera nos últimos dois anos modestas 50 000 unidades. Nas próximas semanas, a Polygram vai lançar uma caixa de discos com sua obra, e a WEA anuncia seu último disco inédito, Elis em Montreux, para breve. De Elis Regina ficou a voz – exatamente o que esse complexo ser humano tinha de melhor. 

A perfeita alquimista

Misturando técnica e emoção, Elis resistiu às fórmulas fáceis e se tornou a maior cantora do Brasil


Em dezoito anos de carreira, Elis Regina percorreu com sucesso o destino dos artistas que jamais se contentam com o brilho do próprio ofício. A melhor cantora da música brasileira - ou, pelo menos, a dona da mais perfeita alquimia entre técnica e emoção – vestia a fama como se fosse um daqueles vestidos caros, que, por belos, devem ser sempre trocados. A cada vitória ela safa, inquieta, em busca de uma nova parada: "Sempre vou viver como camicase. É isso que me faz ficar de pé", confessava.

E foram muitos os vôos vitoriosos dessa estrela desde que ela chegou ao Rio de Janeiro, em 1963, com 18 anos e 36 000 cruzeiros na mala. Aquela pequena gaúcha de 1,53 m ("Meu problema são 10 centímetros a mais; então estaria tudo resolvido") desceu nervosa numa música popular enriquecida pela melodia da bossa nova e empobrecida pela escassez de intérpretes que levava ao reinado de Nara Leão, desafinada, porém levemente soturna, como se queria.

Agitada, chamaram-na "Pimentinha" . Movendo os braços para cima e para baixo, foi ridicularizada pelo cronista Sérgio Porto, que dizia não saber se ela era "uma cantora que nada ou uma nadadora que canta". Havia nela, porém, uma pessoa enérgica, inquieta e, acima de tudo, uma cantora afinada. Não conseguiu ancorar-se num gênero que lhe garantisse o sucesso comercial, como sucedeu a Maria Bethânia no modelo "amor inesquecível". Muito menos agarrou-se à repetição de adoráveis recursos, como faz Roberto Carlos. Faltou-lhe a alegria contagiante de Gal Costa e o pique de Rita Lee. Mas tinha algo que faltava a todos e, por isso, nas próximas décadas, quando se procurar a voz desta época, ela estará num disco de Elis.

CORTEJADA PELA ESQUERDA - Poucos são os cantores brasileiros que se fizeram acompanhar por tantos compositores novos. Elis foi a primeira a gravar o desconhecido baiano Gilberto Gil e o mineiro Milton Nascimento. Há pouco anos, descobrira João Bosco, Aldir Blanc e Belchior. Nesta semana, começaria um novo LP onde incluíra uma compositora, Irinéia Maria, que nem sequer vira pessoalmente. Tinha tudo para dar certo, e deu, naquilo que sabia fazer muito bem: cantar. Surgiu sorridente, com seus dentes pequenos e o cabelo curto, e assim poderia ter ficado por anos e anos, como eterna parceira de Jair Rodrigues. Mas recuou em busca de maior perfeição técnica, roçou o perigo das interpretações frias e, em 1975, com o show 'Falso Brilhante" conseguiu combinar a cantora emocionada de antes com a técnica conquistada, firmando-se num estilo em que morreu insuperável.

Mas, se o camicase voou bem no ofício, também afundou em ressentimentos e inimizades na vida. Como, numa de suas distorções, o meio cultural brasileiro exige do artista não apenas a arte mas uma espécie de atestado de idoneidade política – de direita para o governo e de esquerda para a oposição –, Elis morreu filiada ao Partido dos Trabalhadores, depois de um, percurso sinuoso e agressivamente patrulhado. Em 1969, ela cantou na Olimpíada do Exército e em 1972 nas cerimônias pomposas do Sesquicentenário da Independência. Por isso, foi colocada no "cemitério dos mortos – vivos" que o cartunista Henfil – presente ao seu enterro – gerenciava na ocasião. Ela partilhava esse campo-santo com Marília Pêra, Roberto Carlos, Tarcísio Meira, Glória Menezes e Pelé. Em 1978, cortejada pela esquerda, fazia campanha para o professor Fernando Henrique Cardoso, candidato do MDB ao Senado por São Paulo. Mas, aos amigos, confessava que preferia o veterano Franco Montoro.

A participação de Elis em manifestações oposicionistas reconciliou-a com a esquerda e, com o tempo, as mesmas patrulhas que apedrejaram passaram a afagá-la, tudo num esforço inútil quer do ponto de vista estético, quer no aspecto político. É improvável que ela tenha trazido votos a candidatos da oposição, assim como é certo que não foi pela sua participação em festas do regime que a ditadura viveu tanto. Esteticamente, ela, que lançava novas músicas e novos nomes, pouco acrescentou à sua biografia cantando músicas simpáticas A esquerda, pelo simples motivo de que Barbra Streisand e Joan Baez não são a mesma pessoa.

A irrequieta personalidade da "Pimentinha" levava as pessoas a querer afinar, sem sucesso, a sua conduta. E, a cada "desafino" de Elis, brotavam sarcasmos. O maledicente compositor Carlos Imperial, ao saber que ela se casaria com o produtor Ronaldo Bôscoli, comentou: "Bem feito para os dois". Mas isso era pouco. A cantora Maysa garantia ter a prova de que faltava caráter a Elis: ela a teria induzido a beber numa noite, para derrubar sua apresentação num palco que ocupava em seguida. A acusação seria indiscutível se viesse de um semi-abstêmio como Roberto Carlos. Maysa, porém, dificilmente precisaria ser induzida a mais um copo.






AGUERRIDA E AGRESSIVA - "Elis vivia sempre com a corda esticada, a mil por hora, e mudava de opinião em fração segundos", observou na semana passada o compositor Edu Lobo. O psicólogo Roberto Freire, a quem no sucesso do show "Falso Brilhante" ela atribuiu às emoções que distribuía do palco, tornou-se, meses depois, "um mau-caráter aproveitador". Roberto Carlos, de quem ela morreu amiga, já fora "infantil e fugaz". E seu segundo marido, o compositor César Camargo Mariano, com quem vivera feliz no alto da serra da Cantareira por nove anos e dois filhos, virou, com o fim do casamento, "um explorador". Como cantora, podia influenciar pessoas. Como pessoa, não conseguia fazer muitos amigos.

Pudera. Teve um rápido romance há um ano com o cantor Fábio Júnior e, ao encerrá-lo, fulminou o ex-namorado: "Ele foi como um sorvete, gostoso e rápido, mas brigamos quando eu disse que ele estava com saudade do plim-plim da Globo". Aguerrida antes e agressiva depois, Elis sempre suportou mal o presente. Assim como foi capaz de voar para Nova York em busca do "sorvete" e de moê-lo depois, sustentava, enquanto o romance durou, que vivia um grande amor. Mesmo no palco, passava por explosões capazes de fazer com que o produtor Roberto de Oliveira dissesse, em tom de brincadeira, "ela tem tudo para ser a Judy Garland brasileira, mas não bebe".

Em 1977, antes de entrar no palco onde pouco depois sua grande rival Maria Bethânia, ela teve uma crise de choro e recusou-se a cantar. Temia audiência, mas ao dominá-la, saiu coberta de aplausos e chegou feliz ao camarim, onde, pouco depois, começou a quebrar tudo. Por quê? Ouvira os aplausos dados a Bethânia e julgara-se batida. "Quem é melhor? Eu ou a Bethânia", perguntava com alguma insistência, há poucos anos, sem segurança suficiente para acreditar na sinceridade de quem lhe garantia que era ela.

SEVERO APRENDIZADO - Era a melhor porque poucas cantoras tinham o seu espectro vocal. Rita Lee admite que não tem a metade da extensão de Elis. Bethânia sabe que lhe faltam os agudos. Gal, com extensão e agudos, tem graves pouco educados. Elis Regina, que no início da carreira esbanjava tanto agudos quanto fricotes, foi buscar pelo exercício os graves que lhe faltavam e, ao final de um severo aprendizado, era capaz de acompanhar as difíceis construções harmônicas de Milton Nascimento que já machucaram tantos intérpretes.

Assim como não há quem lhe tire os méritos de grande cantora e intérprete, nenhuma briga poderia tirar-lhe a conduta profissional impecável com músicos e colegas. Não apenas protegia valores jovens como, também, defendia os interesses de quem trabalhava ao seu lado. Há dois anos, quando fazia no Canecão o show "Saudades do Brasil", soube que o empresário Mário Priolli negara um aumento aos bailarinos. "Ou aumenta a moçada ou eu paro com o show", disse a Priolli recebendo de volta o aumento. Doou dinheiro para entidades de defesa do direito autoral, e , recentemente, quando um grupo de cantores foi a Brasília pedir ao governo que liberasse o disco da taxação dos supérfluos, fulminou a iniciativa: "Isso é defender as gravadoras. Elas é que têm de se preocupar com essa questão e não os artistas, de quem já tiram sua riqueza".

Depois do rompimento com o compositor Camargo Mariano, Elis recompôs sua vida sentimental com o advogado Samuel Mac Dowell Figueiredo. Trocou a casa ecológica da serra da Cantareira, onde fazia longas análises dos confortos da vida silvestre, por um apartamento no centro dos espigões paulistas. Deixou o espiritismo que a levava a psicografar mensagens de um avô índio, perdeu o interesse pela parapsicologia e concentrou--se nas virtudes do vegetarianismo – ostensivamente, só bebia guaraná em pó. Ao lado de tanta excentricidade, porém, estava uma vocação caseira. Comia suas verduras mas oferecia aos convidados lombo de porco com alecrim e molho de cerveja. Metódica, acompanhava atentamente a educação dos filhos, a arrumação dos copos, e era capaz de irritar-se se as suas meias coloridas fossem arrumadas fora da escala cromática que pacientemente concebera. "Eu conheci o sucesso sem estar preparada para enfrentar a vida", reconhecia Elis numa daquelas frases que soam proféticas depois que se morre. 

No seu caso, porém, esse despreparo aparente não se refletiu quando ela chegou morta ao Hospital das Clínicas, mas sobretudo nos dias em que, vivíssima, era aplaudida em seus shows. A razão dessa angústia poderia estar na origem humilde, mas nem todos os artistas nascidos humildes são ostensivamente angustiados no sucesso: a imagem serena de Roberto Carlos prova isso à exaustão. A melhor explicação, e a única capaz do desembocar num copo onde se misturam álcool e cocaína às 10 horas da manhã, está numa competitividade exacerbada. Compulsão esta germinada numa menina que aos 11 anos cantava no Clube do guri, programa de calouros de Porto Alegre, e aos 22 casou-se de vestido cumprido com noivo de fraque na capela Mayrink, templo do pernosticismo social carioca.

SEGURANÇA FUGAZ - Elis nunca foi uma artista publicamente envolvida com drogas Pelo contrário. Ao longo de toda a década do tropicalismo ela hostilizou o desbunde chegou a sugerir que se desligassem as tomadas dos palcos onde subisse Caetano Veloso, para que não pudesse ligar a guitarra elétrica. Nada mais "careta". Afinal, em sua casa havia uma garrafa de vermute, bebida improvável na prateleira de alguém que efetivamente procura álcool. Assim, a cocaína não entrou no quarto de dormir do Elis pela porta do modismo, mas precisamente pelo pique, pela sustentação que dá ao competitivo, pela segurança fugaz que oferece aos tensos. Nesse sentido, o próprio pó é a quintessência do caretismo.

Paradoxalmente, ela morreu quando se orgulhava de viver com um homem, com quem "não poderia competir", pois Mac Dowell, ao contrário de todos os seus namorados e maridos, ligados ao mundo do espetáculo, é um bem-sucedido advogado, que, antes dela, jamais chegara sequer aos bastidores. "Passei anos complicando as coisas, agora quero voar", dizia há poucos meses. E, de fato, pelas primeiras reações de quase todos os seus amigos, ela vivia não só um período de grande densidade artística, desde o sucesso do show "Trem Azul", do ano passado, como também de muita felicidade pessoal.
Mesmo vendendo pouco, ela era um dos melhores cachês de shows e, no fim das contas, a pobre menina de 1963 estava rica, mas, sempre perseguida pela maledicência, era acusada de avarenta, num mundo de inveja onde quem não é acusado disso tem fama do pródigo, pois nada há de mais anormal do que se ver num artista alguém normal, ou, pelo menos, alguém muito parecido com as demais pessoas.
Sua normalidade, tão pouco explorada, não se extingue na repetição do talento, mas vai a alguns pontos até mesmo raros. Nada tinha de falsa vaidade das estrelas. Recusou uma sugestão para que seu carro tivesse chofer, vestia-se conservadoramente e, na hora de construir uma casa na serra, da Cantareira, passou numa empresa de pré-fabricados, mandou embrulhar uma e nela viveu feliz muitos anos. Jamais fez concessões ao escândalo ou ao gênero heroína do fotonovela. Todos os seus romances tiveram endereço e, se dependesse dela, a imprensa jamais os alcançaria.
Sempre manteve os filhos fora da linha de tiro dos espetáculos. Agora, deverá se esclarecer com quem ficam João Marcelo, filho do Ronaldo Bôscoli, a quem ela proibia que visitasse a criança, de 11 anos, Pedro, de 6, e Maria Rita, de 4, ambos vindos de seu casamento com César Camargo Mariano. Se a sua vontade de que os três nunca se separem puder ser cumprida, ficarão todos com seu irmão Rodrigo ou com os avós, que vivem em São Paulo, trazidos e mantidos por ela desde que o sucesso tirou-a definitivamente de Porto Alegre.
Afinal, ninguém acreditava nessa pessoa audaciosa quando ela dizia que "morro do medo, faço todos os espetáculos me borrando do medo, todos os dias. Faço, mas com medo. E se mandar parar, eu paro, porque medo eu tenho".
"Eu não tenho a menor intenção de ser simpática a algumas pessoas. Me furtam o direito inclusive de escolher. Sou obrigada a aceitar quem passar pela frente. Me tomam por quem? Um imbecil? Sou algo que se molda do jeitinho que se quer? Isso é o que todos queriam, na realidade. Mas não vão conseguir, porque quando descobrirem que estou verde já estarei amarela. Eu sou do contra. Sou a Elis Regina do Carvalho Costa que poucas pessoas vão morrer conhecendo.”
Elis Regina
(Veja, janeiro de 1982)


Última apresentação de Elis Regina

Além de seu extenso repertório, de seu talento e emoção, Elis nos deixou João Marcelo, Pedro e Maria Rita.


segunda-feira, março 19

* Nem tudo que me atrai me é compreensível


Argila


Carlinhos Brown

Uganda, cubana, ipanamana, baiana, luanda, nada ruanda, kinshze, manga, banana
Vinha rindo e circulando
Sobre tudo o cobertor
Do teu olhar varreu meus olhos
E do teu olho joio
Uma gota de orvalho
Que era vidro se quedou
Vivendo em despedace
E o coração coador
Sorriu vexado de amargor e se pintou
Com a lama da lagoa pra à toa correr ê ê ê ê ê
Uganda, cubana, ipanamana, baiana, luanda, nada ruanda, kinshze, manga, banana
Se for feito de argila
Seis enfeites te darei
Flores não andam em dúzia
Só foi uma que eu roubei
Sorriu vexado de amargor e se pintou
Com a lama da lagoa coa voa
Ê zuzuê
Ê zum zum zum
Ê zuzuê
zum
Uganda, cubana, ipanamana, baiana, luanda, nada ruanda, kinshze, manga, banana
Solidão anda de muda
Sei pra sempre te amarei
Procurei por essas curvas
Quem no Tororó deixei ê ê ê ê ê
Ê zuzuê
Ê zum zum zum
Ê zuzuê
zum


 




"A Humanidade precisa de sonhos para suportar a miséria; nem que seja por um instante."


"Camus diz em 'O Estrangeiro' que a razão é inimiga da imaginação. Às vezes, você tem de botar a razão de lado e fazer uma coisa bonita."



(OSCAR NIEMEYER)


domingo, março 18

* Relaxa e goza!


Na mais absoluta falta de inspiração para uma postagem, recorri ao Google para saber se essa era uma data comemorativa de alguma coisa, e lá encontrei: 

RELAXA E GOZA PORQUE VOCÊ ESQUECE TODOS OS TRANSTORNOS DEPOIS! – Marta Suplicy 

“A ministra do Turismo, Marta Suplicy, deu nesta quarta-feira (junho de 2007) uma orientação bem-humorada aos turistas que enfrentarem filas nos aeroportos antes de embarcarem em viagens de férias e tentou minimizar os transtornos. "Relaxa e goza porque você esquece todos os transtornos depois [ao chegar ao destino]", disse durante o lançamento do Plano Nacional de Turismo 2007-2010.
Marta ainda comparou o sofrimento das filas nos aeroportos a um parto. "Isso é igual a parto. Depois esquece tudo."
Em 2012, embora não tenhamos resolvido todos os problemas do transporte aéreo, não vivemos as mesmas dificuldades de 2007.
A ministra tenha razão, diante de questões complicadas, vamos relaxar, gozar, e tomar as providências necessárias!
Não se aborreça Marta, a humanidade pode demorar muito para reconhecer a genialidade!

Marta Teresa Smith de Vasconcelos Suplicy (São Paulo, 18 de março de 1945) é uma política, psicóloga e apresentadora de televisão brasileira, ex-prefeita de São Paulo, ex-ministra do Turismo e senadora. Atualmente, é a primeira vice-presidente do Senado Federal.

Filha de Luís Afonso Smith de Vasconcelos (filho do terceiro barão de Vasconcelos e neto do industrial Alessandro Siciliano) e de Noêmia Fracalanza, casou-se em 1964 com Eduardo Matarazzo Suplicy (bisneto de Francesco Matarazzo e pertencente ao ramo ítalo-brasileiro da família Matarazzo). Tem três filhos, João, André e Eduardo (o cantor Supla). Divorciou-se em 2001, mas manteve o sobrenome com o qual se tornou conhecida. Com o divórcio oficializado em 2003, casou-se com o franco-argentino Luis Favre, pseudônimo de Felipe Belisario Wermus, divorciando-se novamente, em 13 de fevereiro de 2009.

FELIZ ANIVERSÁRIO!!

quinta-feira, março 15

* Blues da Piedade




Blues da Piedade
Cazuza
Agora eu vou cantar pros miseráveis
 Que vagam pelo mundo derrotados
 Pra essas sementes mal plantadas
 Que já nascem com cara de abortadas
Pras pessoas de alma bem pequena
 Remoendo pequenos problemas
 Querendo sempre aquilo que não têm
Pra quem vê a luz
 Mas não ilumina suas minicertezas
 Vive contando dinheiro
 E não muda quando é lua cheia
Pra quem não sabe amar
 Fica esperando
 Alguém que caiba no seu sonho
 Como varizes que vão aumentando
 Como insetos em volta da lâmpada
Vamos pedir piedade
 Senhor, piedade
 Pra essa gente careta e covarde
 Vamos pedir piedade
 Senhor, piedade
 Lhes dê grandeza e um pouco de coragem
Quero cantar só para as pessoas fracas
 Que tão no mundo e perderam a viagem
 Quero cantar o blues
 Com o pastor e o bumbo na praça
Vamos pedir piedade
 Pois há um incêndio sob a chuva rala
 Somos iguais em desgraça
 Vamos cantar o blues da piedade
Vamos pedir piedade
 Senhor, piedade
 Pra essa gente careta e covarde
 Vamos pedir piedade
 Senhor, piedade
 Lhes dê grandeza e um pouco de coragem